sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Você se arrepende?

A parashah de Vayigash é muito boa, como todas as de Bereshit. Ela compreende o texto de Gn 44:18 a Gn 47:27. Aprender com os exemplos bíblicos é sempre uma oportunidade muito rica.

Algumas vezes na vida fazemos coisas que nos arrependeremos para sempre, e isso é inevitável. Se você diz que não se arrepende de nada, como muita gente fala, cuidado! Isso acontece porque a pessoa não reconhece seus erros, não sabe dar valor às coisas certas. Arrependimento não é sinal de fraqueza, mas de reconhecimento que não somos perfeitos. As vezes leva tempo para aprendermos, mas precisamos aprender!

A Torah declara que os filhos de Jacó, lançaram seu amado filho José num poço, depois o venderam, mentiram para o pai, dizendo que ele havia sido morto por um animal feroz e com tudo isso fizeram o pai sofrer por muitos anos... mas, eles se arrependeram? Parece que não né? Mas nessa parashah vemos que sim. Veja o exemplo de Judá:
Benjamin havia sido preso por José, e seus irmãos teriam que voltar a Jacó sem o caçula; isso traria um grande sofrimento ao pai deles. Judá então, revela seu arrependimento passado, num gesto de entrega total agora:
Gn 44:30,31 - Agora, pois, indo eu a teu servo, meu pai, e não indo o moço conosco, visto a sua alma estar ligada com a alma dele, vendo ele que o moço não está conosco, morrerá; e teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pai, com tristeza à sepultura.
Gn 44:34- Porque como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo? Para que não veja eu o mal que a meu pai sobrevirá.

Ele havia errado antes, mas agora não mais faria seu pai sofrer. Não quero ver meu pai sofrer novamente, ele disse. Arrependimento passa pelo fato de não queremos fazer novamente alguém sofrer por algo errado que fizemos.

Há coisas inevitáveis na vida... envelhecer, ver os pais envelhecerem, mas fazê-los sofrer, envelhecer antes do tempo é triste demais! Torne a vida de seus pais mais feliz.... compartilhe com eles as vitórias. Faça-os sentir que são importantes.
Sei que pessoas jovens tem muito que correr atrás nessa vida, é trabalho, esposa, filhos, dinheiro, contas pra pagar, chefes, amigos, etc... mas filhos devem aprender a reservar um tempinho na atribulada agenda para os pais, porque aqueles que abandonam os pais... causam uma tristeza sem fim. Não queira fazer seus pais sofrerem. Jacó ficou longos anos longe de José por culpa dos irmãos, mas Judá NÃO COMETERIA O MESMO ERRO NOVAMENTE, e por isso, ele se ofereceu para ficar preso no lugar de Benjamin. Isso é o verdadeiro arrependimento.

Procure não causar sofrimento a ninguém, mas se isso ocorrer, arrependa-se e faça a coisa certa da próxima vez. Só quem se arrepende dos erros é capaz de aprender com a vida.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nutrir bons ou mal sentimentos? você escolhe!



Essa parashah de Vayeshev (Gn 37:1 a Gn 40:23) fala da preferência de Yaakov por seu filho Yosef, que acabava causando ciúmes e inveja nos demais irmãos. (Gn 38:3,4)
A inveja, o ciúmes e o ódio (que os irmãos nutriam por Yosef) são sentimentos que só atraem coisas negativas.
O Talmude fala: “Uma boa obra tem sempre como consequência outra boa obra. Um pecado tem sempre como consequência outro pecado. A recompensa duma boa obra está na própria boa obra realizada. A consequência dum pecado é sempre outro pecado” (Pirkei Avot 4:2)

Vamos ver isso na prática nessa parashah:
- Os irmão de José o odiaram, e isso trouxe como consequência outra coisa: a inveja (Gn 37:11)
- Ao cumprir o mandado de seu pai, José foi ver o que os irmãos estavam fazendo. Veja a idéia deles: “E viram-no de longe e, antes que chegasse a eles, conspiraram contra ele, para o matarem.” (Gn 37:18)

Quem tem ódio de outros, normalmente é por inveja, e isso faz a pessoa desejar que o outro morra. Mas o que vem depois? outro pecado, claro!
“Vinde, pois, agora, e matemo-lo, e lancemo-lo numa destas covas, e diremos: Uma besta-fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos.” (Gn 37:20)
É, já planejaram uma mentira (para o próprio pai). Como um pecado atrai outro...
“Então, Judá disse aos seus irmãos: Que proveito haverá em que matemos a nosso irmão e escondamos a sua morte? Vinde, e vendamo-lo a estes ismaelitas;” (Gn 37:26,27).
Além de odiar, matar, mentir, podemos ter lucro... e o venderam por 20 moedas.

Com tudo isso, eles acabaram fazendo seu pai sofrer por muitos anos (Gn 37:34) Não vale a pena o mal.

Agora, José, vendido como escravo aos midianitas, foi revendidos a Potifar no Egito. Trabalhava com zelo pelo seu senhor, e HaShem o abençoava em tudo.
“Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha. E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do SENHOR foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo.” (Gn 39:3-5)
Mesmo quando José teve a oportunidade de fazer o mal, ainda que Potifar nunca soubesse, ele disse: “...como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?” (Gn 39:9)

Esse é um belo exemplo de uma pessoa consciente, que sabe o que deve fazer, que nutre sentimentos positivos com relação às pessoas. Quem age assim, agrada ao Senhor. Sobre isso o Talmude afirma: “todo aquele que agrada à humanidade, agrada ao Criador, e todo aquele que não agrada à humanidade, não agrada ao Criador.” (Pirkei Avot 3:13)

Certamente, as atitudes ruins dos filhos de Jacó não foram do agrado do Criador, e pelo contrário, as atitudes de José, agradaram a HaShem, e este o fez prosperar no Egito. Seja para onde quer que José fosse, ele prosperaria, mas seus irmãos, com ódio, inveja e sentimentos ruins, não agradaram ao Criador, e no fim, foram cair nas mãos de José, no Egito. Claro, mais uma vez o irmão mais novo deu o exemplo, sem rancor e manteve à todos os irmãos (que lhe fizeram o mal) e suas famílias durante muitos anos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Vayishlach: Causa e Consequência



Na parashah de Vayishlach, (Gn 32:3 a Gn 36:43) há muitos acontecimentos em sequência, e em alguns casos, esses acontecimentos são meramente consequência de algo ocorrido anteriomente. Vamos começar vendo o que aconteceu com Diná. A Torah declara: “Ora, Diná, filha que Lia dera à luz a Jacó, saiu para ver as filhas da terra.” (Gn 34:1) O que que uma israelita tem que querer ver como agem, como se vestem, como fazem as filhas da terra? A curiosidade dela a levou a cair nas garras de um gentio, chamado Siquém. É bem verddade, Siquém não era um qualquer, ele era o príncipe daquelas terras, mas e daí? Seria ele um bom partido para uma israelita? Acho que não! Se ele o fosse, não teria se deitado com ela, e a humilhada (Gn 34:2) Só depois disso, depois de a ter HUMILHADO, é que ele se apaixonou por Diná (verso 3)

Isso causou nos irmãos de Diná uma raiva tão grande, que Simeão e Levi, que eles enganaram a Siquém, (Gn 34:13-16) para mais tarde, matarem a ele e todos os homens dos siquemitas (Gn 34:25-26) Aí a gente se pergunta: Será que se Diná soubesse de tudo isso, ela teria saído de casa pra ver as filhas da terra? De novo, acho que não! Será que se Siquém soubesse que, se deitando com Diná, ele estaria entrando num caminho que conduziria a ele, seu pai e todos os siquemitas à morte, ele teria se deitado com ela? Acho que não!

É, mas Simeão e Levi agiram com ódio no coração, enganaram e mataram a todos, e isso também foi errado. Não importa se fizeram pela “honra da família”, eles fizeram uma arapuca, armaram o mal e assassinaram pessoas. Aí eles se achegam ao pai Jacó (todos alegrinhos, achando que tinham feito boa coisa) e o patriarca lhes diz: “Tendes-me turbado, fazendo-me cheirar mal entre os moradores desta terra, entre os cananeus e ferezeus; sendo eu pouco povo em número, ajuntar-se-ão, e ficarei destruído, eu e minha casa.” (Gn 34:30) Eles mancharam a imagem de Jacó, desonraram o pai.... e ainda queriam se justificar, pois disseram: “Por acaso ele faria de nossa irmã como uma prostituta?”

Ah Diná! Ah Diná! Porque fizeste a besteira de ir ver as filhas da terra?
O erro de Simeão e Levi lhes causou uma grande tristeza, pois o patriarca Jacó jamais iria se esquecer do erro deles. Tanto que, perto de sua morte, ao chamar filho por filho para lhes abençoar, ele disse: “Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu conselho, não entre minha alma; com o seu agrupamento, minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua vontade perversa jarretaram touros. Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel.” (Gn 49:5-7) Aí de novo perguntamos: Se Simeão e Levi soubessem que essa seria a “sua bênção”, será que eles teriam feito o que fizeram? Acho que não!

Isso tudo nos mostra que cada atitude gera uma avalanche de consequências, e você deve se perguntar se o que você está fazendo trará consequências boas ou ruins no futuro. Não faça nada que vá se arrepender depois.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Qual o jeito certo?



Gn 29: 25,26 - Ao amanhecer, viu que era Lia. Por isso, disse Jacó a Labão: Que é isso que me fizeste? Não te servi eu por amor a Raquel? Por que, pois, me enganaste? Respondeu Labão: Não se faz assim no nosso lugar, que a menor se dê antes da primogênita.

Quando lemos a parashah de Vayetze (Gn 28:10 a 32:3) fica evidente o quanto Jacó trabalhou para se casar com Raquel, a sua amada, mas nestes versos há algo mais do que descobrir que ele foi “enganado” por Labão, seu sogro. Um olhar um pouco menos superficial do texto e perceberemos que Jacó iria se casar, e no banquete deve ter bebido além da conta, pois sequer foi capaz de perceber a diferença entre Léia e a mulher que ele tanto amava, Raquel.
Ao se queixar perante o sogro, Jacó escuta a frase: “não se faz assim em nosso lugar, ....” Uma das coisas que precisamos aprender com a teshuvah é a de “como se faz em nosso lugar.” Tudo bem que ali com Labão, ele foi enganado, mas essa frase serve de lição para todos.
Dentro da fé judaica, para se casar, há a figura do casamenteiro, uma pessoa que ajuda o jovem, ou a jovem, na busca pela pessoa ideal, que a completa. É assim que se faz em nossa terra!
Essa maneira, utilizada desde Eliézer, quando ele foi procurar esposa para seu senhor Itschak, trazendo Rivka, nossa matriarca, é a forma de o jovem evitar erros, indo apenas pelas aparências ou por motivações que não condizem com aquilo que ele realmente necessita. O jovem que confia num casamenteiro, espera no Eterno, e (como aconteceu com Eliezer) HaShem irá direcionar a esposa (ou o marido) ideal.
Por incrível que pareça, a mesma frase (não é assim que fazemos em nossa terra) aparece num outro caso, de Amnon e Tamar; vejamos o que diz a Bíblia:
“quando lhos oferecia para que comesse, pegou-a e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, minha irmã. Porém ela lhe disse: Não, meu irmão, não me forces, porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura. Porque, aonde iria eu com a minha vergonha? E tu serias como um dos loucos de Israel. Agora, pois, peço-te que fales ao rei, porque não me negará a ti. Porém ele não quis dar ouvidos ao que ela lhe dizia; antes, sendo mais forte do que ela, forçou-a e se deitou com ela.” (2 Sm 13:11-14)
Depois de se deitar com ela, forçadamente, ele a rejeitou, desprezando. Tudo fruto da carnalidade, de um apetite meramente físico, não fruto de um amor verdadeiro.
Que nossos jovens saibam esperar em D-us, e quando for da Sua vontade, Ele encaminhará o cônjuge ideal, para viverem dentro dos parâmetros divinos, as delícias de um casamento santo, pois é assim que se faz em Israel.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Noach, e a relação entre Pais e Filhos


A parashah de Noach, fala obviamente desse homem. Nela, as relações familiares pode ser abordada de maneira clara, pelos exemplos que temos. Vejamos:

1) Noé com seu pai, Lameque:
Gn 5:28-30 - E viveu Lameque cento e oitenta e dois anos e gerou um filho. E chamou o seu nome Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o SENHOR amaldiçoou. E viveu Lameque, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco anos e gerou filhos e filhas.
Quando Noé nasceu, seu pai havia profetizado que ele traria o descanso (significado do nome), o consolo. Enfim, Noé mudaria a história. Depois do nasicmento de Noé, Lameque viveu 595 anos. Quando veio o dilúvio, Noé tinha 600 anos (Gn 7:6) o que demonstra que seu pai não chegou a ver o dilúvio, mas Noé cumpriu o que havia sido dito sobre ele... Lameque trabalhou na educação de seu filho, para ele ser alguém que transformaria o mundo.

Isso nos leva a meditar no quanto temos feito para incutir na cabeça de nossos filhos o desejo de transformar, de ser melhor, de não se acomodar às pessoas do mundo. Demorou 600 anos, mas se cumpriu o sonho de um pai.
A atitude de Lameque fez de Noé um varão justo (Gn 6:9)

2) Noé com seus filhos: Sem, Cam e Jafé:
Seus filhos nasceram com a terra já corrompida (Gn 6:10-12) Então o Eterno dá inicio ao plano de restauração e limpeza da terra, em preservas as espécies. E Noé começa a trabalhar com seus filhos na arca. Coloque seus filhos junto a ti no serviço do Eterno. Eles precisam estar juntos, aprender a rezar, e a fazer os serviços; caso contrário quem os ensinará?
A família toda entra na arca e lá passa um ano, convivendo sem poder sair... e unidos, eles descem da arca.

Ao descer, Noé dá uma lição aos seus filhos... qual é?
Gn 8:20,21 - E edificou Noé um altar ao SENHOR; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa e ofereceu holocaustos sobre o altar. E o SENHOR cheirou o suave cheiro e disse o SENHOR em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como fiz.

Quantas pessoas lembram antes de tudo de agradecer ao Eterno? Quem em sã consciência, sacrificaria animais limpos, sendo que só haviam 7 de cada espécie? Noé, o exemplo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Chol Hamoed Sukot: Nós e o Eterno!



Nessa semana teremos uma parashah diferente: É shabat chol hamoed sukot, ou seja, o shabat dentre os dias intermediários da festa dos Tabernáculos. A porção lida vai de Êxodo 33:12 a 34:26, com o Maftir sendo lido em Bamidbar. Mas o que esse texto tem a ver com a festividade de Sukot? Tudo!

A parashah começa com Moshe pedindo que a presença de HaShem fosse com o povo durante a caminhada pelo deserto (quando eles habitavam em Cabanas). Em Êx 33:15 ele diz: “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui.” Esse é o espírito de Sukot!

Nessa festa lemos o livro de Kohelet, Eclesiastes, e o livro fala basicamente da futilidade da vida, de correr atrás do vento, de trabalhar pra ajuntar tesouros que outros vão gastar, etc...

As pessoas dão muito valor a bens materiais, a correr atrás de um bom emprego, de status social e quanto mais se busca essas coisas, menos tempo sobra pra uma relação importante: Eu e D-us.

E ao ler o versículo acima, percebemos que, se não for pra estar na companhia do Eterno, nada faz sentido.

Logo mais à frente, Moshê diz ao Eterno: “Rogo-te que me mostres a Tua glória!” (Êx 33:18)

Ora, só podemos experimentar a presença do Eterno, quando nos despimos de tudo que é material. E isso se cumpre perfeitamente em Sukot. Veja:

Durante todo o ano estamos abrigados em casa, faça frio ou calor, temos sempre um teto que nos protege, chegamos em casa, uma jantinha na mesa da cozinha, ou na sala de jantar, ou diante da tela da televisão... e em sukot, ah! chegamos em casa e vamos jantar debaixo de uma cabana, sem um teto que protege, apenas algumas folhas de palmeira, que não nos impedem de olhar pra cima e contemplar o explendor da glória do Eterno. Ele quem criou os céus, a terra, as estrelas... e então passamos a ver que sem Ele, não somos nada.

O que Moshê buscava é o que falta hoje para muita gente... um pouco mais de D-us. Sukot é um convite a deixarmos de lado nossas preocupações passageiras de ter, possuir... e irmos em busca de algo que não seja tão efêmero, transitório; irmos em busca da presença do Eterno.

Aquele que experimenta a suká, prova ser coberto, aquecido, protegido não por um cobertor, mas pelas próprias mãos do Eterno. Moshê teve disso, quando a própria mão do Eterno o cobria, e ele esteve protegido junto à uma fenda na rocha. (Êx 33:21-23).

Viva intensamente Sukot e sinta a mão de HaShem te cobrir... garanto que se sentirá mais aquecido e totalmente protegido.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Yom Kipur... as festas e a vontade do Eterno



Ec 3:16-18 - Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda. Então, disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra. Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais.

Como tudo na vida, as festas cumprem seu objetivo anual... e, como uma sequência lógica, nos molda para estarmos aptos a vivenciar uma relação próxima com o Eterno.
Rosh HaShanah é o dia do toque do Shofar, que nos desperta e nos leva à reflexão sobre os nossos atos. Geralmente, nessa hora acabamos por confrontar nossas más atitudes, reconhecer alguns erros e despertar de verdade. A Torah declara:
Êx 20:18 - Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe.
Nos tempos de Moshê, quando ele subiu a encontrar-se com o Eterno e receber os mandamentos, o povo ouviu o som do shofar, os relâmpagos e o monte fumegando... e estremeceram, ficando de longe. Isso os fez refletir. Depois, veio o mandamento de que anualmente haveria um dia como esse, em que o toque do shofar fosse um aviso de reflexão.
Lv 23:24 Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso solene, memorial, com sonidos de trombetas, santa convocação.

Quando refletimos, reconhecemos os erros e então é hora de pedir perdão. Eis que dez depois de Rosh Hashanah é Yom kipur.
Lv 16:29,31 - E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis a vossa alma e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós.
É um sábado de descanso para vós, e afligireis a vossa alma; isto é estatuto perpétuo.
O jejum nos ensina que algumas vezes precisamos nos abster de algumas coisas. Comer é uma necessidade básica do ser humano, e ficar sem comer é “perder”. Perdoar, é abrir mão, abrir mão do orgulho próprio. Buscar o perdão também é isso, é aceitar que estava errado, e é raro aceitar o próprio erro. (Lembre-se do 70x7)
Quando aprendemos a buscar o perdão e a perdoar, tiramos um peso da nossa consciência, deixamos de confiar apenas na nossa capacidade e passamos a aceitar que se somos alguém, se temos algo, é só pela misericórdia Divina.
Deixar de confiar em nós mesmos, e aceitar a bondade do Eterno... esse é o próximo passo. Tudo a ver com Sukot,que celebraremos na próxima semana. Habitaremos em cabanas para nos lembrar que tudo vem da providência Divina, nosso sustento inclusive.
Só cumpriremos bem Sukot, se vivenciarmos bem o Yom Kipur... não basta afligir a alma, mas é preciso refletir sobre nossos atos. Quem sabe, nossa reflexão nos conduza a ser o reflexo da vontade do Eterno.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Haazinu... quem é você?


A parashah de Haazinu é bem curta, compreende apenas o capítulo 32 de Devarim, e é composta das palavras do “cântico de Moshê”. Sempre é bom lembrar que era o fim de sua vida, e ele transmitia suas últimas palavras ao povo de Israel, antes que eles entrassem na terra prometida.
Nosso mestre então chama a atenção e diz:
Dt 32:2,3 - Porque proclamarei o nome do SENHOR. Engrandecei o nosso Deus. Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.

Muitas vezes as pessoas se esquecem com quem assumem compromisso, ao fazer um pacto. Declarar uma fé no D-us de Israel, assumir um compromisso com Ele é algo sério, que as pessoas não dão o devido valor e, por conta disso, acabam abandonando ao Eterno, Muitos se julgam injustiçados, reclamam e ainda acham que são os únicos justos da terra; que ninguém vê realmente seu sofrimento e que por fim, até D-us não se preocupa com eles... Vejamos o que disse Jó:
Leia Jó 34:1-11 - Sou justo e Deus me tirou o direito... porque disse: de nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus....

A resposta de D-us está em Jó 38:3-5,28-30...40:1-5. Por fim, Jó aceita que não tem respostas diante da grandeza de HaShem. Jó 42:1-6.

Porque isso? porque muitas vezes abandonamos ao Eterno e Moshe queria que o povo tivesse sempre em mente diante de quem estavam.
Em muitas sinagogas pelo mundo, há uma frase no Aron HaKodesh (ou próximo à ele) que diz:
DA LIFNEI MI ATAH OMED, traduzindo: "saiba diante de quem você está". (Jó 38:4)

Quando se sentir injustiçado, lembre-se das palavras do Eterno a Jó: “Onde você estava quando criei o mundo? Faze-me saber, se tens inteligência.”
Coloque-se no seu devido lugar, reconheça ao Eterno, nos seus momentos bons e nos difíceis também, seja grato a Ele, e aprenda com Jó: “Eu sou vil, que te responderia eu? A minha mão ponho na boca. Uma vez tenho falado, porém não prosseguirei...” (Jó 40:4,5)
Humildade diante de HaShem sempre!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nitsavim - A promessa é para todos juntos...



Nitsavim esse ano é estudada junto com a porção Vayelech, mas quando lemos devemos nos lembrar que ainda antes de entrar na Terra, Moshê fazia seu último discurso perante o povo de Israel. Ele alertava ao povo... o que mostra que o líder tem que alertar, corrigir e orientar até mesmo quando estamos à entrada da Terra Prometida (ou até a sua morte, como fez Moshê)
Dt 29:10-13 Mostra que o povo estava todo perante o Eterno, e Moshê fez questão de mostrar que todos entrariam na Aliança do Eterno. Isso inclui cabeças das tribos, anciãos, oficiais, e todo homem, mulher, crianças de Israel, até mesmo o estrangeiro que estivesse dentro do povo, desde rachador de lenha até tirador de água.

Para entrar no Reino, você não precisa ser rico, líder, dar grandes ofertas... você só precisa saber CUMPRIR os mandamentos. Por isso Dt 29:9 diz: “Guardai, pois, as palavras desta aliança e cumpri-as, para que prospereis em tudo quanto fizerdes.”
Assim, o Eterno confirma a aliança que jurou aos patriarcas Avraham, Itschak e Yacov.

Mas essa promessa não se referia somente àqueles ali, veja nos versos 14 e 15: a promessa é também para aquele que não estavam ali. E seguiu e segue sendo confirmada a todos nós, até hoje, como diz na Brit Chadashah, numa festa de shavuot (onde celebramos a outorga da Torah):
At 2:38,39 - “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Yeshua HaMashiach para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Ruach HaKodesh. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. ”
É algo grandioso saber que a esperança da Terra Prometida segue a nós até ao dia de hoje, aos que aceitam o arrependimento de pecados e passam pela tevilah. Essencialmente precisamos guardar, cumprir os mandamentos, mas aí alguém fala: Isso é que é o dificil. Quem consegue guardar o sábado? Quem consegue amar o próximo como a si mesmo? Quem consegue cumprir a Torah? Assim é impossivel!

Mas para isso, o próprio Moshê Rabeinu nos diz: “Porque este mandamento que, hoje, te ordeno não é demasiado difícil, nem está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Pois esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires.” (Dt 30:11-14)

Não dê desculpas dizendo que é difícil... o mandamento não está longe, você consegue alcançar, então cumpra e tome parte na herança dos justos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ki Tavo... e a alegria



A parashah dessa semana de Ki Tavo vai de Dt 26:1 a Dt 29:8, e poderíamos comentar sobre vários assuntos, dentre as tantas opções como ofertas, terceiro dízimo, qualquer uma das bênçãos ou maldições, mas por ora, meditemos na alegria. Alegria em servir ao Eterno.


Há alguns versículos bem claros nessa parashah a esse respeito:

“E te alegrarás por todo o bem o que o Eterno, teu Deus, te tem dado a ti e a tua casa...” (Dt 26:11) Esse verso vem logo depois do texto que fala sobre ofertar ao Eterno as primícias de todos os frutos... ou seja, ofertar e ficar feliz, será possível? Claro!

Há vários textos para se meditar quando a questão é ofertar... como por exemplo: “Deus ama ao que dá com alegria.” mas não é isso que importa, o que vale é demonstrar alegria por serví-Lo.


A cada semana, a cada shabat, devemos esperar ansiosos pelo dia de estarmos na kehilah, por cada momento de comunhão, por cada sorriso, por ouvir a Palavra, por meditar, e por agradecer por todas as bênçãos. Mas alguém pode pensar: porque demonstrar tanta alegria assim?


Porque quando a Torah fala dos castigos e das maldições ela afirma: “E todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído... porquantou não haverás servido ao Senhor, teu Deus, com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo.” (Dt 28:45,47)


Sei que nem todos levam uma vida de fartura, mas não é essa a questão. O ponto é sermos gratos ao Eterno, sempre. O Talmude fala em Pirkei Avot: “Quem é rico? Aquele que se contenta com o que tem!” Quando demonstramos ALEGRIA na presença do Eterno, todas as maldições se afastam de nós. Portanto, sirva ao Eterno com um sorriso no rosto. Problemas todos temos, mas como diz a Torah: “que povo há que tenha deuses tão próximos a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?” (Dt 4:7)


Que todos tenhamos um shabat FELIZ!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ki Tetsê: Experimenta desobedecer pra ver!?!



Dt 21:18-21 - Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá.

Embora seja comum atos de desobediência por parte dos filhos, não podemos deixar de considerar isso como errado.

Ef 6:1-4 diz: Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.

Filhos devem compreender que OBEDECER AOS PAIS É JUSTO. É complicado quando jovens membros da comunidade desenvolvem atividades dentro da Kehilah, são ativos, colaboram, participam, mas dentro de casa são filhos desobedientes, desrespeitam os pais e não têm bom relacionamento.

O texto da Torah declara: “ainda que castigado não lhes dá ouvidos.” Esse é um outro aspecto na relação. Pais não devem ser “amigos” dos filhos, mas “pais”.
Pais são os que ensinam, que orientam e que ditam as regras dentro de casa.
Mesmo que o filho já seja adulto, trabalhe, tenha seu próprio dinheiro, isso não o desobriga a ser um bom filho, obediente.

Ainda na Torah: “seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade”
Quando pais passam por dificuldades com os filhos, esses problemas devem ser levados aos anciãos, pessoas que orientarão, ajudarão a resolver o problema. Não irão matar seu filho... mesmo porque o judaísmo descreve que nunca houve um caso em que o filho fosse morto a pedradas... porque sempre se pôde evitar.
Mas no caso em que seja necessária uma repreensão, os pais devem respeitar a determinação “dos juízes” sobre seus filhos. Pais que protegem, defendem filhos na desobediência dão mau exemplo e estarão prejudicando o filho, que entenderá a mensagem de que por pior que seja seu erro, sempre terá pai ou, principalmente mãe, para os defendê-los.

E citando a carta de Shaul HaShaliach aos efésios: quer viver bem? Então: Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Shofetim, a justiça sempre!


Shofetim é a palavra hebraica para juizes ou policiais e essa palavra dá nome à parashah dessa semana, que vai desde Dt 16:18 a Dt 21:9. Como é difícil ser justo. Mas é uma obrigação, porque ser justo é estar apto para possuir a Terra por herança.

Dt 16:20 - A justiça, somente a justiça seguirás, para que vivas e possuas em herança a terra que te dará o SENHOR, teu Deus.

Para garantirmos a vida, e possuir a Terra, é preciso seguir a justiça, mas como entender o que é justo? Ser bonzinho é ser justo? Ser durão é ser justo? Como entender de justiça...

Provérbios 28:5 Os homens maus não entendem o que é justo, mas os que buscam o SENHOR entendem tudo.

A parashah fala de estabelecermos juízes, (Dt 16:18,19), mas porque nós mesmos não julgamos?
Quem julga a si próprio sempre é benevolente, (nem sempre justo) mas quem julga ao próximo, tende a ser parcial, sempre em defesa de seus próprios interesses.
Já dizia o salmista: “Quem pode entender os próprios erros?” Por isso, mesmo que seja convidado a isso, a pessoa deve evitar fazer seu auto-julgamento. Além disso, quem se julga, como poderá julgar às demais pessoas? Nesse caso, não seria necessário estabelecer juízes, pois cada um se julgaria por si próprio. Mas quem é o bom juiz?

Essa parashah é muito especial, muito clara, e orientadora, desde os seus primeiros versículos. Por exemplo, um juíz não pode fazer acepção de pessoas, quer dizer, olhe para todo mundo de uma maneira uniforme. Quem erra, independente de ser filho, amigo, ou ele mesmo, é digno de correção, disciplina. Quem acerta, independente de ser filho, amigo, ou mesmo uma pessoa pela qual não se tenha simpatia, é digna de elogio.
O dia que as pessoas aprenderem a ser mais justas, certamente teremos uma congregação melhor, teremos um povo melhor, e teremos a capacidade de agradarmos ao Eterno.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Reeh - criança mimada!

Todo mundo já viu uma criança mimada né? Todo mundo sabe o quanto é chato uma criança que manda nos próprios pais, que pai e mãe mandam ela fazer uma coisa e ela faz outra. Mas a parashah de Reeh (que significa “vejam” e vejam bem mesmo!!!) nos mostra como nós adultos muitas vezes agimos como crianças mimadas, portanto, pessoas desagradáveis.


Dt 12:8, 9 - Não procedereis em nada segundo estamos fazendo aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos, porque, até agora, não entrastes no descanso e na herança que vos dá o SENHOR, vosso Deus.



Depois desses versos reflita sobre como agimos quando o líder “determina” algo que é contra nossa vontade? Como fazemos para escolher os caminhos que vamos seguir na vida, na kehilah, familiar? Cada um faz o que dá vontade ou seguimos as recomendações do Eterno?


Pessoas dificilmente entendem que conselhos são para seu próprio bem (exceto aqueles conselhos que batem exatamente com a opinião que a própria pessoa deseja seguir). Muitos não aceitam correção, nem orientação. Na verdade a maioria age como criança. Mas refletindo perceberemos que: Agir de acordo com nossos impulsos não nos conduz ao Reino, mas à perdição.


Moshê disse: até agora não entrastes no descanso. Nossa vontade produz cansaço, fadiga...
Não é fácil abrir mão de costumes, do nosso jeito. Quando lemos os escritos da Brit Chadashah até o apóstolo Paulo sabia o quanto é dificil:
Rm 7: 19-24 - Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho, então, esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?


É preciso lutarmos contra nossa vontade de fazer de qualquer jeito, do nosso jeito... do jeito do Eterno, entraremos na Terra. Sei que para muitos, ouvir e seguir, obedecer é sempre um peso, mas isso além de exercitar a nossa humildade, nos ajuda a “entrar no descanso e possuir a herança”. O segredo é a OBEDIÊNCIA!



Quer só um exemplo? Nessa mesma parashah fala das carnes imundas, que o Eterno proibiu de serem usadas como alimento. Quantas pessoas continuam comendo carne de porco e outras, e dizem: Ah! Tá escrito, mas fazer o quê? É tão gostosa!

Crianças mimadas são assim. O pai fala, para de mascar chiclete, pare de comer doce... mas ela fala: Eu como, é gostoso!
Da próxima vez que observar uma criança mimada, ficando emburradinha, pense: Eu sou exatamente assim, a única diferença é que eu cresci (ou melhor, não cresci!).

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ekev... uma segunda chance!



Essa parashah nos relembra algumas coisas. Ekev compreende o texto de Dt 7:12 a Dt 11:25. Vamos ver o que Moshê nos disse em Dt 10:1,4-“Naquele tempo, me disse o SENHOR: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim ao monte, e faze uma arca de madeira. Escreverei nas duas tábuas as palavras que estavam nas primeiras que quebraste, e as porás na arca... Então, escreveu o SENHOR nas tábuas, segundo a primeira escritura, ...”

Mais uma vez relembro que em Deuteronômio, o líder Moshê estava fazendo seus últimos discursos ao povo de Israel, já no fim da caminhada pelo deserto, às portas da Terra Prometida. Então ele conta sobre as tábuas da Lei.
É aí que entra nossa breve lição de hoje.
Da primeira vez, Moshê subiu ao monte e enquanto esperava para receber as primeiras tábuas com os 10 mandamentos, o povo não soube esperar, e acabaram fazendo o bezerro de ouro, e caindo na idolatria.
Podemos aprender duas lições: a saber esperar e que se errarmos, ainda há uma segunda chance.
Lá no deserto, Moshê, depois de quarenta dias, ao descer do Monte acabou quebrando as Tábuas, derreteu o bezerro de ouro e fez com que os filhos de Israel bebessem disso. (Êx 32:19,20)
Quando o povo peca, o líder fica revoltado, como Moshê, triste, decepcionado... mas aí vem a segunda chance.
O Eterno ordenou e novamente Moshê subiu ao monte para receber as tábuas. E HaShem reescreveu, exatamente como o que estava antes, os mandamentos. Assim, fica revelado que quando pecamos, podemos ter uma segunda chance.
Claro que a melhor coisa é não pecar, ter sempre a consciência tranquila, mas se acontecer, sempre é tempo de pegar duas tábuas, lavrar, como as primeiras e deixar que o Eterno as reescreva. Aí, amigo, a oportunidade se mostra, saiba aproveitar. Que se cumpra em todos nós as palavras do profeta Jeremias: “Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Jr 31:33) Quando as tábuas da lei estiverem dentro de cada um de nós, aí estaremos nos libertando do pecado, da idolatria e de tudo que nos afasta do Eterno.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Vaetchanan... a receita que dá certo!



Ao ler a parashah de Vaetchanan (Dt 3:23 a Dt 7:11) eu me sinto como alguém que nunca fez um bolo. Qual o melhor modo de aprender? Simples! Você pega um livro de receita (ou acessa a internet e busca) e vê a receita e vai colocando os ingredientes e seguindo tudo à risca. Se fizer tudo conforme está na receita, seu primeiro bolo pode não ficar maravilhoso, mas tende a ficar bom. Por isso livros de receita são constantemente publicados e muitas pessoas os compram. Mas o que isso tem a ver com a parashah da semana? Explico:


Dt 4:1-3. Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR, Deus de vossos pais, vos dá. Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando. Os vossos olhos viram o que o SENHOR fez por causa de Baal-Peor; pois a todo homem que seguiu a Baal-Peor o SENHOR, vosso Deus, consumiu do vosso meio.


Moisés dá aqui a receita para o povo viver, entrar e possuir a terra. Mas o que estamos fazendo aqui na Kehilah? Não é buscar a Vida Eterna, entrar e Possuir a Terra prometida? Então a receita deve ser a mesma.


Ouvir os estatutos, as leis, ensinadas por Moshê. Ouvir e cumprir. Porque ele mesmo citou o fato de Deus ter consumido aqueles que desafiaram ao Eterno, no caso de Peor, quando os homens voluntariamente (e por afronta) se uniram com as moabitas, e adoraram seus deuses. (Nm 25:1-3) Com isso, ele dizia (na receita): “Se vocês se deitarem com essas mulheres, vocês vão morrer.” Como alguém que diz... se você deixar a massa muito tempo no forno, o bolo vai queimar...


Para quem quer servir ao Eterno e almoja alcançar o Olam Habah, eis a receita certinha, dada por Moshê Rabeinu. Coloque os ingredientes certos... obediência, aplicação ao estudo da Torah, ouvir os estatutos e juízos, não ficar inventando... é certeza que no fim vai conseguir.

Agora, aquele que inventa, desvia o caminho, fatalmente irá estragar a receita e depois se perguntará: O que eu fiz de errado?


Siga a receita certa e que possamos nos encontrar no Mundo Vindouro com a certeza de que nosso bolo deu certo!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Devarim... sapato velho.



Tem uma antiga música do Roupa Nova que dizia: “Talvez eu seja simplesmente como um sapato velho, mas ainda sirvo se você quiser, basta você me calçar que eu aqueço o frio dos teus pés.”

Devarim é o início de um novo (o ultimo) livro da Torah. Tudo que é novo a gente se empolga, mas talvez devêssemos dar mais valor ao velho. Não por isso, mas Devarim, que em português significa “Palavras” acabou levando o nome de Deuteronônio, que significa “repetição da lei”. Nesse livro, praticamente às portas da Terra Prometida, Moshê chama o povo, e lhes faz alguns discursos, relembrando o passado. Mas não seria propriamente relembrando o ocorrido com eles, porque a geração que estava ali, prontinha para entrar na terra, não era a geração que saiu do Egito. Quarenta anos se passaram. Eles precisavam saber como foram parar ali. Porquê estavam naquele lugar? Esse é um problema da nova geração, não saber dar valor ao passado, pois não viveram nele.

Moisés além de contar as histórias do deserto, falou uma coisa muito importante: “O Senhor, teu Deus, te abençoou em toda a obra das tuas mãos; ele sabe que andas por este grande deserto; estes quarenta anos o SENHOR, teu Deus, esteve contigo; coisa nenhuma te faltou.” (Dt 2:7) E qual a lição que aprendemos com isso? Muito simples. Deus sabe tudo que necessitamos e é Ele quem nos abençoa sempre, quem supre as nossas carências.

Durante todos os dias dos quarenta anos de deserto, o povo de Israel sempre teve o alimento, pois caía o maná todos os dias (exceto no shabat) e quando quiseram carne, o Eterno enviou codornas para eles prepararem como alimento. Em Dt 8:4 diz: “Nunca envelheceu a tua veste sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos.” Mais uma prova que o Eterno cuida de nós! Quando você for comprar um sapato novo, dê uma olhadinha no velho, aquele mesmo que você vai jogar num fundo da sapateira, pra nunca mais usar... Lembre-se de quanto ele lhe foi útil e de quantas caminhadas ele esteve com você.

Só dá valor ao novo, aquele que sabe quanto custou o antigo. Como foi difícil chegar no novo. Nós só damos valor às coisas do Eterno se soubermos o quanto de esforço foi necessário para que a Palavra chegasse até nós.

Há uma frase comum que diz: Nada cai do céu! Sabemos que não é verdadeira, pois o maná descia do céu, mas o povo não soube valorizar. Valorize cada oportunidade de estar na presença do Eterno, cada Palavra que recebe, pois foi Ele quem nos tirou da escravidão do Egito.

Moisés, antes de sua morte, fez questão de contar à nova geração tudo que havia se passado com os israelitas durante a longa caminhada pelo deserto. Só assim, os novos dariam valor à terra.

É, talvez seu rosh seja simplesmente como um sapato velho, mas ele ainda pode aquecer seu coração com as histórias bíblicas...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Massei - Arão e questões na hora da morte



A parashah de Massei encerra o livro de Bamidbar, e vai de Nm 33:1 a Nm 36:13. Dentre os assuntos, especialmente no começo quando são relatadas as caminhadas do povo pelo deserto, há uma interrupção pra falar sobre a morte de Arão.

Nm 33:38-39. - Então, Arão, o sacerdote, subiu ao monte Hor, segundo o mandado do SENHOR; e morreu ali, no quinto mês do ano quadragésimo da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia do mês. Era Arão da idade de cento e vinte e três anos, quando morreu no monte Hor.

Mas o que teve de tão importante Arão?
Se lermos o relato da morte dele em Nm 20:23-29 - assim como Moshê, Arão sabia que iria morrer, mas antes o Eterno o relembrou, (você vai morrer porque foi rebelde) e teve que subir num monte, se despir, passar as roupas de sacerdote para Eleazar, seu filho e então morrer. Aí o povo chorou por trinta dias. Aí dá pra tirar várias lições.
- Arão esteve tão perto da terra prometida, caminhou por 39 anos e cinco meses, e acabou morrendo no deserto? Porque? Será que valeu a pena a caminhada?
Tem coisas que só nos damos conta no momento da morte. Por exemplo: ao longo da vida a gente vai deixando pendências e só no leito de morte a gente pensa em resolver todas elas de uma vez, mas aí é tarde. Uma mágoa por exemplo, a pessoa passa anos sem conversar com outra por causa de um problema, e quando fica doente, perto da morte, então ambas são tomadas de um súbito desejo de relevar tudo, perdoar, buscar perdão, só para morrer em paz.
Outros, conhecem a Bíblia e passam a vida inteira sem decidir passar pela tevilah, e daí na hora da morte tomam essa decisão. Será que foi conversão verdadeira ou puro medo de morrer sem salvação?

- Porque Arão foi rebelde? Porque ele desobedeceu a Deus, fazendo o bezerro de ouro?

Rebeldia é e sempre será cobrada pelo Eterno. Quando lemos em Samuel, vemos: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (1 Sm 15:23) Esse caso é quando Saul não obedeceu ao mandado do Eterno, e quis fazer diferente. O que muitos não se dão conta é que o verso fala que a REBELDIA é como a FEITIÇARIA.

Tem coisas que a gente só se arrepende na hora da morte e não deve ser assim. Arão caminhou mais de 39 anos pelo deserto, e no fim, não entrou na terra prometida. Será que vale a pena?

Antes da velhice, antes da enfermidade, enfim, antes do seu leito de morte, tome a decisão de ser correto, de corrigir os erros do passado, de firmar sua aliança com o Eterno. Nada de ficar postergando, pois não viveremos para sempre. Agindo assim, você irá dormir sempre em paz, pois não terá nenhum peso extra em sua consciência.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Você sabe votar? Matot.




Esta é a 42ª porção da Torah, e normalmente ela é estudada junto com a parashá de Masse (Jornadas), quando então denominamos Mechubarot (juntas). Esse ano elas são estudadas separadamente, o que nos permite nos aprofundarmos mais (pois a porção fica menor) em função de ser um dos anos em que temos, no calendário judaico, duas vezes o mês de Adar.
Matot significa tribos e começa no capítulo 30 de Bamidbar. Já na primeira Aliah, que vai de Nm 30:2-17, podemos aprender muitas lições, especialmente no que concerne ao fato do homem se comprometer com algumas coisas.

Nm 30:2 - Quando um homem fizer voto ao SENHOR ou juramento para obrigar-se a alguma abstinência, não violará a sua palavra; segundo tudo o que prometeu, fará.
Começando a falar sobre os votos, vemos que:
* Os homens são obrigados a cumprir aquilo que prometeram ao Eterno, o voto que fizer, seja qual for, deve ser cumprido. Isso nos leva a refletir, antes de votar. Refletir é algo que as pessoas não fazem muito, precisamos aprender a não ficar abrindo a boca tão facilmente, falando que vai fazer tal coisa, que se compromete em estar em tal lugar, tal hora... quando não será capaz de cumprir.


Vejamos alguns textos:
Dt 23:21-23 - Quando fizeres algum voto ao SENHOR, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o SENHOR, teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado. Porém, abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti. O que proferiram os teus lábios, isso guardarás e o farás, porque votaste livremente ao SENHOR, teu Deus, o que falaste com a tua boca.
Ec 5:4-7 - Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.


Interessante lendo estes textos acima que ninguém é obrigado a fazer votos, mas as pessoas vivem falando coisas desnecessárias, assumindo compromissos, que mais tarde não cumprirão, e isso é pecado. Se ficassem calados, não pecariam.


Isso é o que diz Pv 20:25: Laço é para o homem o dizer precipitadamente: É santo! E só refletir depois de fazer o voto.
Tiago 5:12 também fala disso e Yeshua disse em Mt 5:37 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.


Agora pense um pouco. Quantas coisas a gente promete e não cumpre. Assina contratos e depois quer voltar atrás. Assina uma ficha de Tevilah, se comprometendo a ser fiel, honrar o ministério, obedecer, mas na hora que é exigido isso, a pessoa sempre dá um jeito de fugir à responsabilidade. Se todos cumprissem os votos, os casamentos seriam bons, as mulheres se comprometeriam a ser submissas e realmente seriam... os maridos se comprometeriam a suprir todas as necessidades da esposa e supririam... e tudo seria realmente melhor.

sábado, 16 de julho de 2011

5 Filhas e 1 Problema sem resposta

Na parashah de Pinechas (Nm 25:10 a Nm 30:1) temos muitas lições, mas dentre elas, temos a história de um homem chamado Tselofechad; o tal homem tinha cinco filhas e nenhum filho. Ele já havia falecido e como ficaria a sua herança na hora da divisão das terras, uma vez que as terras seriam repartidas entre os filhos homens.
O relato delas está em Nm 27, e conta que elas foram até Moshê e os anciãos para questionar como ficaria o caso dessa família. E agora? Como resolver uma situação que não havia sido prevista anteriormente?
A grande lição desse caso está mais uma vez na atitude de Moshê, nosso mestre, que foi consultar o Eterno sobre como deveria proceder. Ora, Moshê era a instância superior sempre, mas isso não significava que ele tinha resposta para tudo.
Quando Jetro o aconselhara lá em Exodo 18:21,22, dizia: “procura homens capazes, tementes a Deus, e coloca sobre o povo...Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo.”
Uma coisa é ajudar a levar a carga, outra é se achar tão capaz como Moshê, se julgar apto para resolver não apenas as coisas pequenas, como as grandes. Esse é o erro de muitos homens hoje. Se achar! Se acham demais! Se julgam preparados, no mesmo nível. O homem sábio é aquele que conhece suas limitações e que está disposto a ser um ajudante, na hora de carregar as cargas. Se perceber algo difícil, além de sua capacidade, leva para Moshê! Essa é a sabedoria.
Essa é alição que nosso líder nos deixou. Quando chegou uma situação em que ele, Moshê, não se sentia apto para resolver, ele foi consultar a instância superior. Não havia um homem que estivesse acima dele, então ele foi ouvir o que o Eterno ordenaria.
Se existe alguém mais preparado que você, tenha sempre a humildade de consultar, se aconselhar, e de seguir o que essa instância te ordenar fazer. Isso não torna ninguém maior ou menor... Apenas mostra que uma pessoa humilde segue conselhos. Moisés fez assim...
Ninguém é obrigado a ter respostas para tudo, pense nisso! Não seja como os tolos que respondem a toda situação, não importa se respondam certo ou errado, o que vale é fingir que sabe.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Diga-me com quem andas... Balak

A parashah de Balak (Nm 22:2 a Nm 25:9) fala de um personagem principal Bilam, e porque a parashah não se chama BILAM então?

Embora Bilam seja o que estava mais aparente, BALAK estava por trás do intento demonstrado por BILAM. E o texto nos faz lembrar sobre quem são as nossas companhias. Antes de você se relacionar com as pessoas, desenvolver amizades, você se pergunta: quem são essas pessoas?

Esse foi o recado do Eterno a Bilam.
Nm 22:8-9: Balaão lhes disse: Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o SENHOR me falar; então, os príncipes dos moabitas ficaram com Balaão.Veio Deus a Balaão e disse: Quem são estes homens contigo?
No caso de Bilam, os homens a quem ele recebeu eram pessoas que vieram trazer dinheiro para que ele amaldiçoasse a outro, nesse caso, o povo de Israel.

O salmista dizia: Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos. (Sl 119:63)

O Rei Davi sabia de quem era companheiro:
Sl 26: 4,5 Não me tenho assentado com homens falsos e com os dissimuladores não me associo. Aborreço a súcia de malfeitores e com os ímpios não me assento.

Ele não era uma pessoa facilmente influenciável. Um bom exemplo é quando ele teve a oportunidade de matar o rei Saul, e as pessoas o incentivavam a isso, ele nao se deixou influenciar para fazer o mal... matando o rei.
Analisemos 1 Sm 24:1-11
24:1-3 - Saul tomou 3 mil homens e foi perseguir Davi.
24:4- Os que estavam com Davi o aconselham, falam que o Eterno entregou o inimigo em suas maos.
24:4-7 - Davi age diferente do aconselhado, não mata o rei, pelo contrário, sente dor em cortar o tsitsit de Saul. Com essa atitude, ele conteve seus homens de fazer o mal.
24:8- Davi presta reverência ao rei.
24:9- Davi questiona a Saul: Porque você dá ouvidos às palavras dos homens que dizem que eu quero te fazer mal?
Cuidado com as companhias... cuidado com o que dizem...
24:10-11 - Davi fala ao rei: veja minha atitude e reconheça que não há mal em mim, não quero te fazer mal, ainda que você queira me matar.
24:16,17- Saul chora, e diz que Davi é mais justo do que ele.

Seus companheiros podem te influenciar, mas é como diz o ditado: Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és! O Eterno te pergunta: Quem são essas pessoas contigo?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Chukat e a morte de pessoas importantes




Na parashah dessa semana, chamada Chukat (Nm 19:1 a Nm 22:1) temos a morte de dois personagens muito importantes para o povo de Israel. Miriã e Arão, os irmãos mais velhos do caçula Moshê. Em Nm 20:1 fala: “Chegando os filhos de Israel ao deserto de Zim, ali morreu Miriã, e ali foi sepultada.” Nada além disso.
Depois, em Nm 20:22-29 fala da morte de Arão, num contexto bem maior e conclui dizendo que: “vendo, pois, toda a congregação que Arão era morto, choraram por Arão trinta dias, isto é, toda a casa de Israel.”

Falar de morte é sempre algo chato, mas também inevitável. A questão é: Como você será lembrado depois de sua morte? No Brasil existe a tradição de que todo mundo é bonzinho quando morre. Na cerimônia de sepultamento sempre tem pessoas falando sobre o quanto o falecido era especial, fazia o bem, etc... mas será mesmo? No dia seguinte, todo mundo se esquece daquela pessoa e pronto, a vida segue.

Dias atrás o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez 80 anos, e no seu discurso ele falou disso. Dizia ele algo assim: “Puxa vida, até parece que estou morto, até a oposição está me elogiando, e normalmente só recebemos elogios depois da morte.”

Todos devemos viver como alguém que está preparado para o dia da morte. Ninguém sabe quando irá morrer; talvez por isso os jovens vivam de forma que acreditam que ainda irão viver muito, que só os velhos morrem, e acabam não medindo as consequencias de seus atos. Isso é um erro.

Nosso objetivo deve ser de buscar o aperfeiçoamento de nosso caráter, alcançar o respeito das pessoas através de nossos bons atos.

O talmude fala, em Pirkei Avot, para procurarmos ser como os discípulos de Arão, que amam a paz, trabalham e buscam a paz. Certamente por ser uma pessoa boa, que buscou a paz e o bem do povo de Israel o tempo todo, Arão foi digno de ver toda a casa de Israel prantear sua morte por trinta dias.

No fim desse livro de Bamidbar, em Nm 33, quando fala de todas as caminhadas do povo de Israel pelo deserto, o texto vai citando cada lugar onde eles acamparam, e só há uma interrupção nessas citações, entre os versos 38 e 40, pra citar justamente a morte de Arão. Tudo que ocorreu durante as mais de quarenta jornadas era importante, mas não havia sido citado, a não ser a morte desse tsadik. Pense nisso!

Tomara que possamos viver uma vida digna de homenagens (recebidas ainda em vida) e quem sabe nossa morte seja lembrada como um dia triste, onde faleceu alguém importante para a história de nosso povo. Viva de modo a fazer a diferença no mundo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Faça sua vara florescer...

Na parashah dessa semana, é impossível não falar da rebelião de Coré, Datã e Abirão contra Moshê. O próprio título da parashah é Corach (Nm 16:1 a Nm 18:32), mas a minha reflexão nessa semana (aproveitando que estamos no meio de uma reunião de liderança) é com relação àquilo que estamos produzindo. O Eterno diz: “E será que a vara do homem que eu tiver escolhido florescerá; assim, farei cessar as murmurações dos filhos de Israel contra mim, com que murmuram contra vós.” (Nm 17:5)


Pessoas escolhidas pelo Eterno, habilitadas para liderar, que busquem fazer algo a mais pela congregação, são essas que farão florescer suas varas. Ou a gente faz mais, ou nosso cajado não produzirá frutos. Yeshua disse: “Pelos frutos conhecereis” quer dizer que devemos produzir mais sempre, mas bons frutos. Essa é uma curta meditação, mas de extrema importância àqueles que professam uma fé no D-us de Israel. Faça sua vara florescer... de bons frutos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que você vê, espia?

Existem algumas porções da Torah que parecem não precisar de uma reflexão mais profunda, uma vez que o assunto já foi falado por muitas vezes, como o que ocorre na parashah dessa semana: Shelach Lecha (Nm 13:1 a Nm 15:41) Basta abrir no texto e todos já se lembram dos espias que foram enviados por Moshê para conhecerem a terra de Canaã. Ficaram lá por quarenta dias e voltaram com medo, difamando a terra, falando dos gigantes e amedrontando os israelitas. Dos doze espias, só Josué e Calev entraram na terra e esses quarenta dias serviram para o Eterno transformar em quarenta anos de caminhada pelo deserto, até que morressem todos daquela geração, como castigo e entrassem apenas os dois citados.

Uma coisa que sempre medito é em que imagem (que nome) vamos deixar para a história. Será que seremos lembrados ou nossos nomes serão esquecidos num futuro não muito distante. Apenas como exercício do que digo, tente se lembrar do nome dos dez espias que infamaram a terra. Ninguém se lembra! Ou você já conheceu alguém chamado Palti, Amiel, Setur? Mas certamente você ja se encontrou com algum Josué pelo caminho, ou mesmo um Calev.

Essas coisas dependem muito da nossa capacidade de enxergar as coisas sob o prisma correto. Esses dez espias viram tudo: terra boa, frutos enormes, gigantes, etc... nada que Josué e Calev não tivessem também visto. O problema está na forma como vemos. O que superlativamos? O que não consideramos como importante. Sim, Josué e Calev viram os gigantes, mas pensaram: quer saber? Deus sabia que esses gigantes estariam ali, e ainda assim nos ordenou que conquistemos a terra, então Ele nos dará a vitória... porque o que vale é a terra que alcançaremos. Os demais espias, bom, esses viram que seria impossível vencer os gigantes.

A Teshuvah nos ensina da mesma forma: há os que olham para as dificuldades e pensam: nunca aprenderemos o hebraico, nunca faremos tal coisa, nunca iremos para Israel, nunca seremos reconhecidos... eu prefiro ser gentio, prefiro ficar no Egito mesmo... esses, esses são os que serão esquecidos. Mas há outros que decidiram acreditar no Eterno, deixar o Egito para trás e avançar. Para esses, a Teshuvah só traz alegrias, as dificuldades existem para serem vencidas, nada mais.

Por causa dessas coisas que quando os espias quiseram levantar um capitão que os levasse de volta ao Egito, Moisés, Arão, Josué e Calev caíram com o rosto em terra, se humilharam, rasgaram suas vestes diante do Eterno. Esses são os que serão lembrados para sempre. Aqueles que quiseram levantar líderes para voltar atrás, esses foram todos esquecidos; absolutamente todos.

E então, quando uma dificuldade se apresenta a você, o que você vê? O gigante, ou a terra prometida? Espero que veja a terra!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Behaalotecha... largue sua muleta.




Quando eu era criança minha mãe dizia: “a desculpa do aleijado é a muleta!” fazendo referência às muitas coisas que ela mandava a gente fazer e nós (os filhos) nunca conseguíamos e sempre tínhamos uma desculpa para dar. A parashah de Behaalotecha (Nm 9:1 a Nm 12:16) me fez lembrar disso.


Era o segundo ano da partida dos israelita do Egito, rumo à terra Prometida, mas a parashah já começa com o Eterno relembrando a eles que era tempo de celebrarem Pessach. (Aqui a primeira desculpa das pessoas: Ah! eu esqueci que tinha que tirar o fermento... esqueci que tinha que guardar o shabat, esqueci de preparar matzah, esqueci....)


Mas se você não tem a desculpa do esquecimento, você tem a desculpa de poder colocar a culpa de seus erros nos outros. E como é bom saber que a culpa está sempre nos outros!


Faltou pão (porque ninguém quer preparar) vamos colocar a culpa em Moisés, afinal foi ele quem nos tirou do Egito. Lá tinha pãozinho pra gente todo dia....


Faltou carne (nunca me esqueço que os israelitas tinham rebanho no deserto, era só matar um animal e comer) adivinha? Moisés era o culpado. Nm 11:4-6 “E agora, quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos dos peixes, que no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, melões, cebolas, alhos... mas agora, nossa alma se seca, coisa nenhuma há senão esse maná.”


Será que o povo não tem mais o que fazer do que colocar a culpa no líder?


Já passei por algumas congregações nestes anos, e eu sou o mesmo líder, e como as pessoas são diferentes, reagem de maneira diferente a cada mensagem. Numa congregação todos trabalham e se esforçam, buscam o bem comum. Em outra, metade trabalha, metade reclama; Noutra, 99 reclamam, um trabalha (Rosh). Era assim no deserto... reclamavam, reclamavam e ninguém se levanta para fazer algo de bom. É sempre mais fácil acusar o rosh (Moisés foi o maior líder da história de Israel e ainda assim, era sempre alvo de críticas.


Está na hora Israel, de largar a muleta, de parar de dar desculpas e de trabalhar. Quem trabalha não encontra tempo para ficar murmurando. Como disse Shaul HaShaliach: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como astros no mundo.” (Fp 2:14,15)


Vamos dar um tempo para Moshê e cada um, de maneira irrepreensível, procurar FAZER TUDO sem murmurar. Só assim você será capaz de dar adeus às suas muletas!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Shavuot: Naasei Venishmah - faremos e obedeceremos



Hoje não é dia de parashah, é dia de festa. A festa em que celebramos o recebimento da Torah por nosso povo, ainda no deserto.

Ao ler o livro de Rute, nos lembramos da conversão, e que dela descende o rei Davi e o Mashiach. Ela era uma moabita, uma goyá, mas seu amor pelo Deus e pelo povo de Israel fez dela uma pessoa digna diante do Eterno.
O que aconteceu com Rute está reservado também a todos os que, como ela, abraçarem a Aliança do Eterno:

Is 56: 4-7 - Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo que me agrada, e abraçam o meu concerto: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles que nunca se apagará. E aos filhos dos estrangeiros que se chegarem ao SENHOR, para o servirem e para amarem o nome do SENHOR, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu concerto, também os levarei ao meu santo monte e os festejarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos.

Isso é uma dádiva de que nenhum de nós é merecedor, mas HaShem nos promete... temos que nos esforçar por alcançar isso. Dançar abraçado com a Torah, um gesto tão bonito, mas que deve nos fazer lembrar disso: ABRACE A ALIANÇA DO ETERNO! Coloque a Torah em seu coração.

Quando o Eterno deu a sua Torah ao povo de Israel, eles responderam com Naase Venishmah:
Ex 24:7,8 - E tomou o Livro da Aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR fez convosco a respeito de todas estas palavras.

Ainda que Israel tenha se esquecido de sua promessa de fazer e (ouvir) obedecer tudo que estava descrito na Aliança do Eterno, HaShem sempre permaneceu fiel, e deu ao Seu povo a possibilidade de buscar o reencontro, uma TESHUVAH, uma conversão renovada ao Eterno, como disse o profeta Jeremias:
Lm 5:19-21 - Tu, SENHOR, permaneces eternamente, e o teu trono, de geração em geração. Por que te esquecerias de nós para sempre? Por que nos desampararias por tanto tempo? Converte-nos, SENHOR, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes.

O mesmo profeta, falando em nome do Eterno:
Jr 6:16,17 - “Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos. Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos à voz do shofar; mas dizem: Não escutaremos.

Não sejamos rebeldes, mas de todo o coração renovemos nossa aliança. É hora de ouvir a voz do shofar, e andar nos caminhos do Eterno, para encontrarmos descanso, mas para nos regozijarmos na Sua Lei.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Você valoriza a bênção?


De vez em quando nos acostumamos a algumas coisas na vida e passamos a considerá-las como comuns, coisa corriqueira e não prestamos a devida atenção. Assim acontece com nossos filhos, quando os vemos todos os dias não nos damos conta de que eles crescem e quando vemos, eis que já estão grandes e não valorizamos cada minuto com eles... assim acontece com o dinheiro, pois trabalhamos incessantemente para recebê-lo e quando o recebemos, não o valorizamos, e gastamos em coisas que não valem muito a pena. E assim acontece com coisas espirituais também. Um exemplo? A birkat cohanin!


A parashah de Nassó (Nm 4:21 a Nm 7:89) traz um texto maravilhoso, que é a bênção sacerdotal. Em Nm 6: 23,24 diz: “Fala a Arão e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel e dir-lhes-eis: O Eterno te abençoe e te guarde;... ” Muitas reflexões podemos tirar disso, como por exemplo o fato de essa bênção ser apenas e tão somente PARA OS FILHOS DE ISRAEL. Apesar de muito lida e usada no meio religioso, HaShem ordenou que Arão e seus filhos cohanin a usassem somente com o Seu povo. Que alegria poder fazer parte de um povo que tem sua bênção exclusiva, determinada pelo próprio e único D-us!


As palavras da bênção devem ser valorizadas, saboreadas, recebidas com devocão, cada uma delas:


O Eterno (o único D-us verdadeiro, o Criador do universo, Adon Olan)


te abençoe (nossa bênção vem somente dEle, e vem desde o patriarca Avraham... quando HaShem diz: de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!)


e te guarde (Ele é quem nos guarda... eis que não dorme o Guarda de Israel, Israel confia no Eterno)


e por aí segue cada palavra da bênção aos filhos de Israel. Portanto, não torne o momento da birkat cohanin algo comum, faça dele um momento especial em sua vida a cada shabat, valorize as palavras de bênção do Eterno em sua vida. Mostre que você dá valor às palavras da Torah!

terça-feira, 31 de maio de 2011

No deserto... com quem podemos contar?

Toda vez que iniciamos o livro dos números, chamado Bamidbar (mesmo nome dessa parashah, que vai de Nm 1:1 a Nm 4:20) devemos refletir o porquê de fazer uma contagem de todos os homens, acima de vinte anos, aptos para a guerra. E cada um que ia passando, era contado entre os aptos... e assim chegamos aos 603.550, isso sem contar os levitas.

Mas será que desses 603 mil homens, todos aptos, quantos estavam dispostos a contribuir? Tenho dito que as pessoas devem se fazer contar. De vez em quando (especialmente em ocasiões de festas, congressos) algumas pessoas se escondem, disfarçam e não são contadas. Já outras são aquelas pessoas que contamos para tudo. Sempre dispostas, sempre querendo contribuir, colaborar, nem que seja pra fazer o trabalho que ninguém quer...

Em todas as congregações acontece isso, e mesmo membros isolados. A pessoa vai aparecer sempre só no congresso, mas durante o ano, ela liga, avisa, se oferece para o que for possível, contribui ativamente nos programas de internet, e nunca é esquecida. Por outro lado, os que se escondem, quando faltam a um evento, as pessoas não dão sequer falta.

Um exemplo de contar e ser contado está em Juízes 7, que narra a história de Gideão. Dê uma olhada, de 32.000 homens, quando o Eterno falou que era muita gente, e ordenou que os covardes fossem embora, saíram na hora 22.000 homens. Depois de mais uma limpa, no fim restaram apenas trezentos homens, que junto com Gideão venceram o inimigo.
Em qual dessas contagens você está? Nos 32.000 (um mero número) nos 22.000 (dentre os covardes, que se escondem), nos 9700 que não serviram ou entre os 300 que são capazes de lutar e vencer... com quem Gideão e o Eterno podem realmente contar? Pense nisso!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Castigo ou prêmio? Qual você escolhe?



Essa última porção de Vayikrah não traz muitas leis, ensinamentos ou coisa parecida. Se não traz ensinamentos, o que aprendemos com ela então? Aí que está... Bechukotai (Lv 26:3 a Lv 27:34) traz a possibilidade de você refletir sobre suas escolhas na vida.
Cada ato, cada gesto nosso tem o poder de nos aproximar do Criador e de Suas bênçãos ou de nos afastar dEle, e atraindo castigos, maldições... Vejamos:
Lv 26:3-5,11,12 - Se andardes nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua messe, e a árvore do campo, o seu fruto. Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos aborrecerá. Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo.
Parece simples, e na verdade é mesmo. Já imaginou o próprio Eterno vivendo e andando entre nós? Habitar em nosso meio? Ah! Como seria bom! Seria não, será. Quem entende um pouco de profecias sabe que isso não se refere somente ao Mishkan erguido por Moshê, mas de algo muito maior, uma promessa para o futuro, quando o Tabernáculo do Eterno descer dos céus, para o meio dos Seus filhos.
Por enquanto, basta sabermos que se obedecermos aos mandamentos de HaShem, Ele nos abençoará com a chuva no tempo certo... nossa plantação trará boa colheita, bons frutos, nosso salário será o suficiente.
Mas aos desobedientes... quanta diferença! Leia Lv 26:14-19 e perceberás que os castigos virão em sequencia, e se ainda não for suficiente, eles aumentarão, até você aprender.
A boa notícia é que o Eterno é misericordioso, e nos diz: “Mas, se confessarem a sua iniqüidade e a iniqüidade de seus pais, na infidelidade que cometeram contra mim, como também confessarem que andaram contrariamente para comigo, pelo que também fui contrário a eles e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se o seu coração incircunciso se humilhar, e tomarem eles por bem o castigo da sua iniqüidade, então, me lembrarei da minha aliança com Jacó, e também da minha aliança com Isaque, e também da minha aliança com Abraão, e da terra me lembrarei.” (Lv 26:40-42) e claro, se meu povo se humilhar, e orar e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. (2 Cr 7:14)

Então, o que vai ser? Escolhe bênção ou maldição? Use bem seu livre-arbítrio e boa escolha.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tá estressado? Vai descansar!

A parashah de Behar é uma das mais curtas, compreende apenas Lv 25:1 a 26:2, boa até para quem é preguiçoso e não gosta muito de ler. É a oportunidade certa para quem não aprecia a leitura poder dizer: Eu li a parashah inteira. Até por causa disso, a parashah tem um aspecto interessante. Fala do descanso!

Nos primeiros versos fala do ano do descanso da terra, a cada sete anos, a terra goza de descanso "solene" por um ano. Nesse período, não era permitido ao israelita cultivar a terra, mas deveria deixá-la "descansar" e depois ele poderia novamente plantar e a terra produziria. Isso tem que nos ensinar alguma coisa.

Quando o Eterno criou a terra, o homem e todas as coisas, ao fim do sexto dia, Ele criou o sétimo dia e por que? Para descansar do trabalho. HaShem não precisava descansar, mas o fez para que o homem seguisse o exemplo. Assim como Ele descansou, devemos fazer.

Um dia (e apenas um dia) em cada sete, o shabat do Eterno, é o dia de descanso dos afazeres, quando nos dedicamos apenas em buscar ao Eterno e meditarmos em Sua Palavra. Enquanto isso, nosso corpo se revigora para a semana seguinte.

A cada sete anos, a terra descansaria um ano. Longe de mim propor que todos devamos trabalhar por seis anos e ficar o sétimo ano inteiro de folga. Eu acredito no trabalho! Todo homem deve trabalhar para conseguir seu sustento, mas trabalhar todos os dias, ou trabalhar sem parar não é positivo, pelo contrário, é contra-producente. Trabalhamos o ano todo e em determinada época devemos tirar um mês de férias. Se isso não é possível, de vez em quando tire uma semana de folga. Vai te fazer bem, vai ser útil e você voltará revigorado, produzindo mais e com muito mais prazer. Programe-se para uns dias de folga. HaShem quer isso!

Como diz a sabedoria de Eclesiastes: “Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga? Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim. Sei que nada há melhor para o homem do que regozijar-se e levar vida regalada; e também que é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho.” (Ec 3:9,11-13)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Emor e o gosto do dente por dente

A parashah de Emor (Lv 21:1 a Lv 24:23) também aborda alguns temas interessantes, por exemplo, as festas de nosso povo, apresentando o shabat como a primeira das festas, como uma celebração semanal ao único D-us Criador.
Quero continuar com o comentário da parashah da semana passada, quando falava de ser santos (Kedoshim). Um dos versículos da porção passada dizia que não devemos nos vingar, nem guardar ira, mas amar ao próximo como a nós mesmos (Lv 19:18)
Nessa porção há uma aparente contradição, quando o texto fala: “Se alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente, como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.” (Lv 24:19-20)
Seria isso vingança? Procure analisar o contexto sob uma outra ótica. A ótica do amor e cuidado com o próximo.
O texto nos deixa claro que devemos nos preocupar em sermos bons para o próximo, esqueça a idéia de vingança, de tratar mal as pessoas. Aquilo que fazemos para o próximo acabará voltando para nós de alguma maneira. Então vamos aprender a fazer o bem.
Também fica evidente que se você fizer algo contra alguém, a pessoa poderia fazer o mesmo, mas Yeshua nos ensina que não precisamos agir dessa maneira. Leia Mt 5:38-48 - Eu porém vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;... ou seja, não fique querendo prejudicar os outros (em nome da justiça)
De vez em quando o Eterno me coloca diante de pessoas que estão extremamente irritadas com alguém e eu sempre digo: fica calmo, não vá fazer nenhuma besteira que vai acabar se arrependendo depois. NÓS TEMOS QUE SER SUPERIORES. Nossas atitudes não devem se nivelar pelas atitudes dos outros. É isso que Yeshua falava. Não importa o mal que façam a você, procure mostrar a outra face... outro lado é ser generoso, perdoar, não ficar com rancor, ódio, que por si só já são sentimentos muito negativos e ruins. Sei que é difícil, mas se formos bons, seremos capazes de vencer o mal com o bem. Fazendo assim, a bíblia diz: amontoarás brasas sobre a cabeça do inimigo, ou seja, a pessoa vai ficar com a cabeça quente, porque ela te faz o mal e você ainda consegue ser generoso para com ela.
Aquele que se vinga, que reage a qualquer situação de forma negativa, depois fica com o gosto ruim, de ter agido de maneira inadequada. A vingança na hora tem um gosto agradável, de satisfação, mas depois você vai conviver com o sentimento de que no fundo, você é igual à pessoa que te fez mal. Seja uma pessoa superior!

Kedoshim: honrando o ancião

A parashah de Kedoshim (Lv 19:1 a Lv 20:27) apresenta uma série de mandamentos que devemos cumprir. Só por isso ela já deveria ser estudada com dedicação, pois cada um desses mandamentos (como o de não ser mexeriqueiro por exemplo) nos ajuda a termos uma conduta digna de pessoas kedoshim (santas) na concepção plena da palavra.
Uma pessoa que se santifica, não fica se vingando, nem guardando rancor dos outros (Lv 19:18).
Um Tsadik reverência o santuário (tudo bem, o Templo já não existe mais, mas nos dias de Moshê também não havia, o que existia lá era o Mishkan, uma tenda no meio do deserto, mas que ainda assim deveria ser reverenciada. Hoje temos nossas kehilot, sinagogas, lugares onde buscamos ao Eterno e os justos são aqueles que reverenciam, sabendo diferenciar e dar o devido valor a esse lugar santo.
Mas porque tudo isso? Porque nas bênçãos dizemos: "asher kideshanu bemistvotav" "que nos santificas através dos seus mandamentos" e novamento digo, cumprindo bem a parashah de kedoshim, estaremos no caminho certo.
Ninguém cumpre essa parashah se não souber honrar e respeitar o ancião, o zaken, o líder. Ficar de pé quando o líder entra parece um peso para algumas pessoas. Isso é o menos importante na hora de mostrar respeito pela presença do ancião.
Tenho visto um belo exemplo disso aqui em Nova York. Na congregação daqui, o líder chama-se Gil Monrose, mas ele tem um ancião acima dele. O Monrose faz tudo, trabalha muito pela congregação, depois do serviço leva alguns membros até a casa deles, atende pacientemente a todos, enquanto o ancião (chamado Francis DeCaille) fica sentado sossegado, como um aposentado na praça. Mas em tudo que o Rosh Monrose faz, ele diz: vou consultar o DeCaille, ele deve me orientar nisso.
No domingo passado participamos aqui de uma celebração onde a Beit do Brooklyn passou a ser considerada patrimônio da cidade. A honraria toda coube ao Monrose, que foi quem trabalhou por isso; só que no meio do jantar oficial, ele chamou algumas pessoas lá na frente, pessoas que seriam honradas, e entregou um certificado, e disse belas palavras ao seu ancião.
Jovens tem a mania de quando conseguem alguma coisa estufarem o peito e afirmarem: olha o que eu consegui... Ele aqui deu um belo exemplo de alguém que se lembra de seus mestres, e se levanta diante da presença do ancião.
Não sei até que ponto você sabe honrar ao seu líder. A honra não está apenas no fato de se levantar (como uma obrigação), mas no respeito, no carinho, na admiração e no fato de reconhecer que seu líder é alguém que te ensina coisas boas.
Pense nisso e que HaShem lhe permita de saber honrar a presença do seu ancião, sem parecer um bajulador.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Acharei Mot - Pessach x Yom Kipur

A parashah de Acharei Mot compreende o texto de Lv 16:1 a 18:30. Nessa semana teremos o shabat HaGadol (o Grande Shabat) e por isso a Haftarah é substituída e lê-se Malaquias 3:4-24. Nessa semana lemos o texto de Lv 16:30,31, que diz: Porque, naquele dia, se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados, perante o SENHOR. É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis a vossa alma; é estatuto perpétuo.... mas como pensar num jejum justo na semana que comeremos carneiro assado? Como Pessach é nessa semana torna-se interessante meditarmos sobre Pessach e Yom Kipur. No dia de Pessach, temos um jantar especial, uma ceia maravilhosa, comemos reclinados, como homens livres, etc... e em Yom Kipur, jejuamos, afligimos a alma, sofremos, meditamos no nosso pecado. Cada festa tem um significado especial, claro, mas porquê na semana de Pessach, a parashah fala de Yom Kipur? Mesmo nos dias alegres, onde celebramos a nossa liberdade, devemos meditar sobre o pecado. Não é pelo fato de termos alcançado a liberdade que conduziremos a vida de qualquer jeito. Kefah HaShaliach dizia: Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Pensemos que sim, somos livres, graças a HaShem, mas que a liberdade nos traz a responsabilidade também pelos nossos atos. E é bom saber que temos um dia pra comer e celebrar, mas também temos um dia especial para jejuar e buscar o perdão pelos nossos erros. Use bem sua liberdade!