sexta-feira, 8 de abril de 2011

Metsorah... livres do peso do pecado


A Parashah de Metsorah é uma continuação do assunto daquele que tinha lepra, vindo da parashah de Tazria. Mas como o leproso seria finalmente curado? Lv 14:1-7 - Começa a falar sobre o processo de purificação daquele que estava leproso. Lv 14:7 - E, sobre aquele que há de purificar-se da lepra, aspergirá sete vezes; então, o declarará limpo e soltará a ave viva para o campo aberto. Como parte do processo de expiação do pecado (lepra vinha pelo pecado da maledicência) duas aves eram trazidas... uma seria sacrificada, outra sairia voando livre. Da ave morta, seu sangue era aspergido sobre o impuro... Sabemos que ao trazer um animal para o sacrifício, o pecador tinha que colocar a mão sobre a cabeça do animal e confessar seus pecados, sentindo o peso de que era ele quem deveria estar no lugar do animal. (Lv 1:4) Esse texto de hoje nos traz grandes lições: Uma ave pura deveria morrer por conta do processo de limpeza do leproso. O sangue dela estaria sobre o leproso, mas a outra, também parte do processo, voaria livre. Depois do sacrifício de um, o outro é livre.... e assim, ambos traziam para o pecador a sensação da liberdade. Ao olhar o pássaro voando livre, o leproso pode enfim compreender que seu pecado ficou para trás, foi levado (como o pássaro que voou) para longe. O pecado nos traz a sensação de prisão. O homem é prisioneiro de seu pecado. Em Romanos 7:15-20, Shaul HaShaliach fala da luta contra o pecado que habita em nós, nos aprisionando, mas quando temos a expiação do pecado, alcançamos a liberdade. Já não há mais espaço para um sentimento de culpa exagerado, dando espaço a pensamentos negativos, ruins, de que somos indignos de perdão. A ave voou! Nosso pecado foi levado para longe... O sentimento de culpa pelo pecado pode nos afastar do Eterno, mas Ele diz: Hb 10:16-18 - Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos, acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado. Isso está descrito também no Tanach, em Jr 31:31-34, mostrando aquilo que nós cremos. A Nova Aliança do Eterno com Seu povo santo. O pecado muitas vezes domina o ser humano, mas a liberdade vem através do sacrifício do Cordeiro de D-us. E isso é o que nos basta! Não fique se culpando, pois como disse o sábio mestre Yeshua: Vai e não peques mais....

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Tazria! Preocupe-se com o que importa




Qual a sua real preocupação? Santidade? Aparência física? Com o que você realmente se preocupa?
Lendo essa parashah (Levítico 12 e 13) fui levado a meditar sobre o verso abaixo: Lv 13:40,41 - Quando os cabelos do homem lhe caírem da cabeça, é calva; contudo, está limpo. Se lhe caírem na frente da cabeça, é antecalva; contudo, está limpo.
De vez em quando vejo pessoas tão preocupadas com o fato de estarem ficando carecas, com celulites, com rugas, tudo isso é natural, virá com a idade. Pouco importa se o homem fica careca ou não. Como diz o verso... a cabeça é calva, contudo o homem está limpo. O que deixa sujo são os pecados, a má atitude, a fofoca.
É consenso no judaísmo que a tal Tsaráat (traduzida por lepra)é fruto da maledicência. Essa doença se espalhava pelo corpo, fazendo manchas, feridas e só o sacerdote era capaz de determinar quando a pessoa deveria ser afastada da comunidade ou quando ela estaria apta para voltar ao convívio dos demais, sem prejudicar ninguém.
Imagine o que aconteceu com o povo de Israel no deserto. Um belo dia, Miriã se levanta, consegue apoio em Arão e lá se vão os dois reclamar de Moshê. Até ali Moshê era um bom líder, um irmão, mas de repente a esposa dele já não servia mais. E dá-lhe falar mal! Coisa fácil é falar mal!
Na mesma hora, ela fica leprosa, e o mesmo Moshê, a quem ela criticara, orou ao Eterno por ela e Miriã foi curada da lepra, mas ainda assim teve que ficar uma semana afastada do arraial, e todo o povo teve que ficar acampado, esperando por ela.
Há uma boa palavra em Provérbios 13:3: O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.
Não se preocupe tanto se você é careca, se tem caspa, se é bonito ou feio, mas se você sabe se guardar de falar e fazer o mal. Isso é o que vale!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Shemini, Cada um por si...


A Parashah passada (Tsav) conclui com a consagração de Arão e seus filhos, um processo que durou sete dias, que envolveu sacrifício de animal (por Moshê), óleo de unção sobre eles, etc... (Lv 8:34-36).
Em Shemini, Arão finalmente está apto e oferece sacrifício, primeiro por si, depois pelo povo.
Em Lv 9:1-8 podemos tirar algumas lições com relação a isso:
• A consagração leva certo tempo (no caso durou sete dias, antes de Arão estar apto), e algumas pessoas simplesmente sentam e acham: bom, vou me consagrar ao Eterno, e no instante seguinte já se sentem "consagrados". Consagração é um processo continuo, mas aptidão para desenvolver uma função, a gente desenvolve e coloca em prática, como Arão.
• Primeiro Arão deveria tomar bezerro e carneiro, sem defeitos, que ofereceria por ele. Sim gente, o Cohen peca também. Se Arão fosse perfeito, pra que ofereceria sacrifício por si próprio?
• Depois pediria para o povo trazer os deles. Primeiro resolvemos nossa situação, acertamos nossa vida e depois ajudamos os demais. Tem gente encrencado, com a vida cheia de problemas e fica querendo dar uma de "pregador, rabino, mestre."
• (verso 6) Se Israel fizesse como o Eterno havia ordenado, através de Moshê, a glória de Deus apareceria sobre eles. É preciso fazer o que HaShem ordena e só aí, poderemos ver Sua glória.


Temos a responsabilidade de cuidar primeiro de nossos caminhos, pra depois podermos orientar, cobrar, corrigir aos outros, especialmente nossos filhos.

O profeta Ezequiel fala das responsabilidades individuais; (não interessa se o outro não faz, eu devo fazer a minha parte) Leia Ezequiel 18.
Ez 18: 19-22 - Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniqüidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto. De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá.


É meu amigo, cada um responde por si próprio perante o Eterno. Não adianta dizer que seu pai é Rosh, que sua mãe é uma Eshet Chayil, ou seja lá o que você quiser usar como desculpas.


Arão perdeu dois filhos, por oferecerem um incenso que HaShem não havia pedido. Nem o sumo-sacerdote e nem Noshe foram capazes de salvar Nadabe e Abiú da morte.

Muitos anos mais tarde, o sacerdote Eli também tinha maus filhos, (Leia 1 Sm 2:12) e por mais que alertasse, seus filhos faziam o que era mal perante os olhos do Eterno. Quando soube da morte dos filhos, o próprio sacerdote, caiu da cadeira e morreu. (1 Sm 4).

Com Jó, a Bíblia relata que depois dos banquetes oferecidos por seus filhos, ele mesmo oferecia holocaustos, por causa da eventualidade de eles terem pecado... Nada adianta isso!


Cada um deve ser responsável por sua própria vida. Devemos cuidar de nós mesmos, pra ninguém chorar depois. Nadabe e Abiú não morreram em vão. A morte dele serviu pra nos mostrar mais uma vez que HaShem não faz distinção de pessoas. Portanto, cuide bem da sua vida! Cuide bem da sua coroa! Pra depois ninguém ficar chorando sobre o leite derramado.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Tsav, o fogo que arde e traz expiação


Quando lemos a parashah de Tsav (Lv 6:1 a 8:36) temos “Desse modo, o fogo sobre o alar será mantido aceso: ele não deve ser apagado. Toda manhã, o kohen porá fogo na madeira sobre ele, arrumará a oferta queimada e queimará a gordura das ofertas de paz. O fogo será mantido aceso continuamente sobre o altar: ele não deverá ser apagado.” (Lv 6:5,6 Torah, Lv 6:12,13 Biblia)
Falar de sacrifícios é sempre algo difícil, penoso, pois sempre traz à memória os pecados, e o único caminho para um israelita dormir em paz seria trazendo o sacrifício para expiar seus pecados e enfim, ele voltar a ter a consciência tranquila. Mas, esse textotraz algo muito especial:
A chama deveria estar sempre acesa, ardendo. E o que isso tem de especial?
Ora, quer dizer que o perdão dos pecados estava (e ainda está) sempre ao alcance de todos. D-us, o Eterno Criador dos céus e da terra nos dá sempre a oportunidade de nos arrependermos de nossos erros e buscarmos o perdão. Isso é o fundamental.
Agora, cabe a nós completarmos a obra. Se Ele mantém a possibilidade do perdão dos pecados, o que resta a nós? Resta nos arrependermos e buscarmos esse perdão. Só assim você será capaz de deitar em paz. Sobre isso, quero citar um salmo que gosto bastante:
“Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai. Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no SENHOR...Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro. ” (Sl 4:4,5,8)
Aproveite essa meditação para buscar ao Eterno (enquanto há tempo) e pedir o perdão dos seus pecados. Quem sabe você ainda seja capaz de perceber que a chama do perdão ainda está lá, aguardando que você vá até ela?! Queira dormir em paz. Durma em paz!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vayikrah e os sacrifícios


Depois de Israel haver concluído a construção do Mishkan (Tabernáculo), Deus ensina ao povo como funcionaria aquele local. Era lá que Israel iria oferecer os sacrifícios. E para falar dos sacrifícios, nada melhor do que estudar a parashah de Vayikrah (Lv 1:1 a Lv 5:26 conforme a Torah) Para quem tem a bíblia tradicional o texto vai até Lv 6:7.

Mas sacrifícios? Porque? Que tipos? A parashah cita no mínimo esses três...
Corban olá...
Corban shelamin...
Corban minchá...

Os sacrifícios além de serem, digamos, de tipos diferentes, também tinham diferentes objetivos como pelos pecados do sacerdote, do povo, dos príncipes, pecados ocultos, pecados de ignorância, pecados voluntários...

Entender sobre os tipos de sacrifícios é importante, mas não é o sacrifício de animais que deve nos preocupar, e sim a obediência a Deus, que deve vir primeiro.
O rei Saul preocupou-se em ter muitos bons animais para sacrificar ao Eterno, mas não quis ser obediente, e por conta disso perdeu até o reino.

1 Samuel 15:22 - Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.
Devemos aprender a obedecer, para não perdermos o nosso reinado também.

Se fosse o sangue de animais exclusivamente o meio de perdoar os pecados, pelo menos nos últimos 19 séculos ninguém foi perdoado, pois desde que o Beit Hamikdash foi destruído, eles já não são feitos, mas voltando ao texto da parashah:
Lv 1:4 fala de ser colocada as mãos sobre a cabeça do animal, para que ele fosse sacrificado... você ver o sacrifício, um animal inocente sendo morto por causa de um erro teu, faria pensar, refletir seus atos. Isso funcionou por algum tempo, mas o homem sempre se acomoda.

Sacrificar, sem pensar não fazia sentido... e é o que ocorreu com Israel por um período.
Se lermos em Is 1:11-20 vemos que o Eterno não quer isso. Mas que Ele aceita quando nos purificamos, agimos corretamente e fazemos o que é certo.
Não pense em que tipo de penitência fazer pelos pecados (assim, se auto-flagelando agem muitos religiosos) mas pense em como fazer para obedecer melhor os mandamentos do Eterno, pois o profeta Miquéias disse: Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. (Mq 6:8) Eis aí a receita: seja justo, ame ser misericordioso e seja humilde no seu caminhar com o Eterno. Assim, já não precisará de sacrifícios de animais; Um único e suficiente sacrifício já terá sido efetuado em seu favor.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Parashah Pekudêi: obra pronta!


Esta é a porção da Torah que conclui o livro de Shemot (Êx 38:21 a 40:38) e ela apresenta uma grande lição para nós. FAÇA O TRABALHO DIREITO!

Mas de onde tiramos isso? De todo o contexto da parashah, pois basta um olhar um pouquinho mais atento para aprender como se trabalha.
A parashah começa com a enumeração (pekudêi) de tudo que foi gasto na construção do Mishkan e de todos os utensílios por Aoliabe e Bezalel, mostrando que devemos saber em que gastamos o recurso. Não dá pra falar: “Esse mês gastei além da conta, não sei no que que foi tanto dinheiro!” Também não dá pra ficar pedindo mais dinheiro “pra terminar a obra.” Devemos trabalhar dentro do estabelecido, sabendo exatamente com investimos o dinheiro. Organização é fundamental, seja na kehilah, seja na vida particular, dentro de casa. Quem não sabe onde está gastando e quanto está gastando, logo logo fica endividado e vai continuar sem saber “por onde está vazando o dinheiro.”

Aí a parashah segue e finalmente o tabernáculo é entregue a Moshe, com tudo pronto, e a Torah declara: “Conforme tudo o que o SENHOR ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel toda a obra. Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o SENHOR ordenara, assim a fizeram; então, Moisés os abençoou.” (Ex 39:42,43)

Fizeram tudo o que foi ordenado, mas não é só isso: o grande diferencial é que FIZERAM TUDO CONFORME FOI ORDENADO. Ninguém teve idéias brilhantes pelo meio do caminho, modificando o projeto inicial do Eterno... ninguém quis usar um material similar, mais barato... ninguém quis esbanjar material (afinal, o dinheiro não sai do meu bolso mesmo, posso gastar a vontade, pois o patrão é rico!!!) Eles fizeram exatamente o que foi determinado.

Qual o resultado de fazer exatamente o determinado? “Então, MOSHE OS ABENÇOOU.” Quem faz as coisas da maneira correta é abençoado. Só quem faz o certo!
Isso serve em todos os âmbitos, familiar, kehilah, secular, trabalho... Se você é bom funcionário, faz como foi determinado, não desperdiça material, presta contas corretamente de seu trabalho, certamente vai ser reconhecido, as vezes através de um aumento salarial, através de uma promoção, através de um benefício.
Pense nisso! Se você quer um aumento, quer ser reconhecido, faça a coisa certa!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Parashah Vaiakhel e o shabat


Estamos chegando ao fim do livro de Shemot e claro que o livro de êxodo conta uma história, a história, cheia de detalhes, mas só pra lembrar rapidamente algumas coisas que o êxodo nos faz lembrar: Saída do Egito, fim da escravidão, 10 mandamentos, construção de um local onde Israel pudesse buscar ao Eterno. Mas de que adianta um lugar para buscar ao Eterno, se não temos tempo de ir nesse lugar não é mesmo?
De que adianta ter uma Beit linda, se não vamos nela rezar?

Nessa parasha, (Vaiakhel, Êx 35:1 a Êx 38:20) Moisés novamente começa falando do shabat, e nada mais claro que essas palavras:
Êx 35:1,2 - São estas as palavras que o SENHOR ordenou que se cumprissem: Trabalhareis seis dias, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso solene ao SENHOR; quem nele trabalhar morrerá.
Segundo o dicionário, tom solene significa: denota importância, seriedade, gravidade; sério, circunspecto, grave.

O shabat é algo sério, não dá pra ficar em casa descansando, dormindo! Aí alguém pergunta: Mas isso não é contradição? Se é dia de descanso, como não posso ficar em casa descansando?
Simples: descansamos dos nossos afazeres, do trabalho particular, para nos dedicarmos exclusivamente ao Eterno. Em Lv 23:3 o shabat é apresentado como um dia de SANTA CONVOCAÇÃO. Em outros lugares fala dele como sendo um sinal entre D-us e Seu povo.

O shabat é tão importante que em cada lar israelita, a mulher deve acender as velas no mínimo dezoito minutos antes do pôr-do-sol, para receber esse dia como “uma rainha”. Aí já não se faz mais nada, para não transgredir o tom solene, sério, com que o shabat deve ser recebido. Por isso, acender as luzes é o último ato, e talvez por esse ato tão solene, a parashá nos traz no verso seguinte (Êx 35:4) o mandamento de não acender fogo no shabat, ou seja, acende-se duas velas antes (lembra e guarda o shabat) para se lembrar de que não se acende fogo no shabat.

Que tal nesse shabat dar um tom mais solene, acendendo suas velas na hora certa (lembre-se, o horário de verão acabou essa semana) indo ao cabalat, shacharit e avodat, pois esse é dia de santa convocação? Assim teremos um Shabat shalom!