sexta-feira, 4 de maio de 2012

Acharei Mot e Kedoshim... Patrão, chefe Tsadik?



Acharei Mot e Kedoshim (Lv 16:1 a Lv 20:27 ) nos fala de santidade, de sermos pessoas santas, e os SANTOS possuem atitudes diferentes dos demais homens.

Santos são pessoas separadas das demais, mas separado de que maneira? Seria viver isoladas? Não creio! Acredito que nosso proceder nos conduz a isso. Quanto mais queremos parecer com o mundo, menos parecidos com HaShem, menos próximos de Sua vontade estamos e consequentemente, mais próximos das gentes.

Essas porções estudadas juntas nos apresentam uma série de mandamentos, desde o shabat e a obediência ao pais, até relações sexuais proibidas.

Dentre os mandamentos quero hoje refletir sobre algo que li ainda esses dias no facebook de uma pessoa no facebook, onde ela fazia uma citação do livro "Caçador de Pipas", dizendo mais ou menos assim: "Só há um pecado: o de roubar! Quando você mata alguém, você rouba a vida de uma pessoa, rouba os sonhos de seus familiares, etc..."

Partindo dessa premissa, lemos agora o texto da Torah:
Lv 19:13-17 "Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã. Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR. Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo. Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR. Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado."

O texto começa falando de oprimir o próximo, mas está falando do jornaleiro, quer dizer, do seu funcionário, que você não pode reter o salário, etc...

Para quem é chefe, patrão, ou direciona a vida de alguém em seu trabalho, quando você não paga o salário em dia, está roubando seu funcionário. Essa não é uma atitude de um Tsadik, um santo, justo. Mas tem mais.

Quando você oprime o funcionário, está roubando seu sonho, suas perspectivas de se desenvolver no trabalho. Quando você maltrata um funcionário, rouba dele a possibilidade de evoluir, pois imporá medo sobre a pessoa. E como um tsadik age então? O Tsadik age com justiça, e tenta pacientemente ensinar o seu "jornaleiro" a fazer o serviço. Se ele nunca se desenvolve, apesar de seus esforços, o tsadik pode até mandá-lo embora, mas nunca, jamais o fará de forma autoritária e cruel, desrespeitando, roubando e destruindo os sonhos de alguém.

Não amaldiçoar o surdo, nem sempre é literal, faz referência também àquele que não consegue compreender o que você fala. Como patrão, chefe, você precisa saber falar com seus funcionários, e NÃO OS AMALDIÇOAR, não ficar chamando de burro, de incompetente, ou coisas ofensivas de igual ou pior teor. Colocar tropeço também é atribuir responsabilidades nas quais você sabe que o funcionário não está apto a executar. Tema a Deus, amigo. Seja um patrão tsadik! Não pense que sendo honesto, generoso e respeitoso com seus funcionários, você estará sendo passado para trás. Estará sim conquistando respeito e admiração de seus subordinados.

Julgar com justiça é acreditar que nem sempre o seu gerente é o certo e o funcionário é o burro. Eventualmente, seu gerente e você mesmo, como patrão, dono, seja lá o que for, pode ser o errado da história. Seja justo, considere a possibilidade de o erro estar no alto escalão e não no clero. Saber reconhecer os próprios erros é agir como um Tsadik.

Como patrão, gerente, rosh, superior imediato, você deve saber que há limites, e não deve ficar fuxicando a vida alheia. Atenta contra a vida do próximo aquele que fica só fuxicando, fazendo mexericos na vida alheia, e observe que aquele que faz isso é incapaz de ver coisas boas no próximo. Só consegue ver defeitos. Quando vê algo de bom, é logo suprimido e minimizado por alguma tentativa de diminuir os esforços e qualidades alheias. Quem age assim, só vê talento e capacidade em si próprio.

Por fim, NÃO ABORREÇA TEU IRMÃO NO TEU ÍNTIMO. Fale COM ELE o que acha errado. Não fique falando aos outros, corrija se for o caso, mas não fique divulgando má fama das pessoas. Se você falar COM ELE, não há pecado em ti, mas se você falar COM OUTROS, considere-se um pecador, nunca um tsadik, um justo, um santo.

Kedoshim é para todos nós. Um pouco de santidade de cada vez não faz mal a ninguém.

Acreditar, ainda que por um instante, e admitir que talvez o errado seja você mesmo pode ser a diferença essencial entre um tsadik e um tolo. Seja o TSADIK.

Um comentário:

Adaias Generino da Silva Lima disse...

Em todo AT, há recomendações de Deus para que os pobres fossem tratados com justiça. Eles costumam ser vistos como incompetentes ou peguçosos quando, na verdade,podem ser vítimas de opressão social e de circuntãncias adversas. Por isso, Deus ordenou que façamos o possível para ajudar o necessitado.