Mostrando postagens com marcador Shemot. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Shemot. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017





Shemot (Nomes) é a parashah que dá inicio ao segundo livro da Torah, êxodo e nos traz a grande lição das parteiras "Shifrah" e "Puah" que receberam a ordem do faraó para matarem aos bebês nascidos do sexo masculino. Mesmo com a ordem (que poderia servir de justificativa a elas) as duas preferiram temer ao Eterno e fazer o que é certo. 
Quem teme ao Senhor faz o que é correto, independente se isso vai agradar ao patrão, ao vizinho, os amigos de faculdade, etc... 
Quando somos livres de fato, não usamos a liberdade como pretexto para a libertinagem. Mesmo que as coisas sejam lícitas, nem todas convêm, e livre de fato é aquele que não se deixa dominar por coisas como bebidas, baladas, linguajar vulgar, etc...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Shemot: Lições de Moisés, o pastor de ovelhas.



A parashah de Shemot nos ensina muitas coisas, e começa o relato da vida de Moshê, a quem temos por grande homem, o que libertou Israel da escravidão. Quem era? o pastor, o líder, que tipo de líder precisa Israel? 

De acordo com o ciclo trienal, começamos no texto que diz:
Êx 4:18 - 18  Saindo Moisés, voltou para Jetro, seu sogro, e lhe disse: Deixa-me ir, voltar a meus irmãos que estão no Egito para ver se ainda vivem. Disse-lhe Jetro: Vai-te em paz.

Acabamos de sair de um encontro de líderes de nossa comunidade, e nessa parashah encontramos Moshe saindo, indo ao encontro de Jetro, seu sogro e patrão. 
Mas de onde saía Moshe? De um encontro com o Eterno. E nesse encontro ele teve tudo que era necessário para ditar o rumo de sua vida. 

Um homem de Deus, um líder de Deus, precisa ter um encontro com o Criador, mas também precisar ter dentro de si, como Moshe, o desejo de ver como andam seus irmãos. Desconfie de um líder que abandona o povo... que vê seu lado, que não se importa em salvar as pessoas, em ser seu guia.

Mas Moshe, o personagem principal, não dessa parashah, mas de toda a Torah, de quem veremos muito nos próximos quatro livros da Torah, nos ensina como deve ser um líder do Eterno. Você já ouviu a famosa frase: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.” Certo ou errado? 

Moshê era filho de Anrão e Joquebede, levitas. (Ex 2:1-2)
Atos 7:22  E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras.
Ele tinha ciência, era estudioso, inteligente. 

Ele tinha senso de justiça. E aqui também vemos que há o tempo certo de nossa maturidade. Moshe tinha 40 anos, mas podemos dizer que já tinha a maturidade? 
At 7:23-24 - E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de Israel.  E, vendo maltratado um deles, o defendeu e vingou o ofendido, matando o egípcio.

Moshê fugiu para Midiã, e lá ajudou as filhas de Jetro (Ex 2:15-19) Como premio, casou com Zipora.
Um homem que serve ao Eterno deve praticar a justiça não apenas para com seus irmãos, mas para com todos... por isso Moshê também foi capaz de ajudar às filhas de Jetro, por querer fazer o certo. Considere um bom líder aquele que é honesto, que age corretamente com as demais pessoas, não apenas com os membros da congregação. 

Êx 3:2-4 - Moshê queria saber o que era aquela sarça ardente, e Deus o chamou. Ele, assim como Samuel, disse: eis-me aqui. 

Êx 3:5,6 - Tirar as sandálias dos pés, o lugar é santo. E Moshê escondeu o rosto. É preciso saber reconhecer a santidade do Eterno, do lugar e de tudo que envolve a Deus. Um lider que brinca com Deus, não demonstra o devido respeito e temor. Como pode liderar o povo do Eterno?

Êx 3:10-15 - Quando o Eterno falou que o enviaria como libertador, Moshe poderia se engrandecer... mas não, permaneceu humilde. (Quem sou eu para ir ao faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?) Hoje há lideres que se colocam como pastores, bispos, apóstolos, mestres, profetas, patriarcas... o próximo nível qual será? 

Êx 3:16-18a - Vai, ajunta os anciãos de Israel e dize-lhes: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me apareceu, dizendo: Em verdade vos tenho visitado e visto o que vos tem sido feito no Egito.  Portanto, disse eu: Far-vos-ei subir da aflição do Egito para a terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu, para uma terra que mana leite e mel.  E ouvirão a tua voz; e irás, com os anciãos de Israel, ao rei do Egito.

Não há um bom líder que não respeite os anciãos de Israel. Foi a eles que o Eterno mandou Moshe ir primeiro. 
Levítico 19:32  Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do velho, e terás temor do teu Deus. Eu sou o SENHOR.

Moshê, nessa conversa com o Eterno, perguntou sobre o que deveria fazer, como agir... não veio nada por sua cabeça, mas de acordo com a vontade de Deus.

E a maturidade? Quando matou ao egípcio, tinha 40, quando voltou para libertar o povo, já era experimentado na função de pastor de ovelhas, cuidava do rebanho de Jetro. Quarenta anos mais velho! Quarenta anos como pastor, mais maduro! Mais humilde. 
Agora sim, ele estava pronto para a missão. Com a bênção de seu sogro, foi em paz. 

Foi isso que Jetro quis, ao aconselhar Moshê a dividir sua responsabilidade com outros homens, ele queria que Moshe compartilhasse a missão com líderes como ele próprio, Moisés. 

Êxodo 18:21  E tu, dentre todo o povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta e maiorais de dez;

Entende, Deus coloca homens capazes para conduzir o povo, cada um a seu nivel, uns para liderar dez, outros cinquenta, outros mil, mas sempre haverá a necessidade de Moshe, um líder humilde, que respeita os demais, que honra os anciãos do povo, e que conduz o povo à terra que mana leite e mel. 
Nossa prece deve ser, como parte do povo, para que o Eterno conceda-nos líderes como Moisés, e não aventureiros, sem o temor do Senhor. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Construindo Nosso Tabernáculo/Templo



Nesse ano estudaremos juntos as parashiot Vaiakhel e Pekudei... bom pra aprender mais sobre o Tabernáculo (Êx 37:17 a Êx 39:21)

Quando observamos o texto dessa parashah com o estudo nas parashiot Tetsavê e terumah, estudadas nas ultimas semanas, qual a diferença? O texto é basicamente o mesmo, observemos Êx 37:17-24 e Êx 25:31-39 falando da menorah... porque a Torah repetiu tudo? 
Porque em êxodo 25 fala: “e farás” e em Êx 37 diz: “e fizeram” isso mostra que uma coisa é conhecer a vontade do Eterno e outra, bem diferente é fazer. Muita gente lê a bíblia, mas não cumpre. Isso nos faz lembrar do rei Saul, quando foi-lhe dito para destruir os amalequitas e tudo que lhes pertencia, mas ele resolveu preservar o rei e parte dos animais (bons) para o sacrifício. Quando o profeta Samuel perguntou a ele, a resposta foi: “eu cumpri a vontade do Eterno” mas sabemos que isso não é verdade. Ele tentou “aperfeiçoar” o mandamento do Eterno. 
Há uma grande diferença entre cumprir uma ordem, e aperfeiçoar a ordem.... ao fazer isso, Saul dizia: “Deus mandou eu fazer isso, mas tenho uma idéia melhor.”

Mas porque então hoje devemos estudar sobre o Tabernáculo, e depois sobre o Templo, se já nem sequer existem mais e sua finalidade de sacrifícios tambem já se cumpriu? Porque os sacrificios nos trazem a expiação dos pecados, e isso nos conecta com Yeshua... e da mesma forma devemos observar cada detalhe do tabernaculo como uma forma de nos conectarmos com o Sagrado...

Pensando nisso, vamos entender um pouco mais de como a menorah, o incenso e o tabernáculo podem nos aproximar de D-us.
Porque o Eterno pediu que Israel fizesse o tabernaculo?
Êxodo 25:8  E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.

O tabernáculo no deserto e, mais tarde o templo, em Jerusalém, representavam a presença do Eterno no meio do povo. 
Quando Yeshua veio, e o véu do templo se rasgou e passamos a ter acesso direto ao Eterno, aquele templo deixou de existir, mas passou a existir dentro de nós, e por isso é tão importante entendermos seus significados. 
Quando Ele curou dez leprosos e apenas um “guer” (estrangeiro) voltou a agradecer, Yeshua disse: “não procurem o reino, ele não vem com aparência visível, mas está dentro de vocês...”(Lc 17:11-21)
Da mesma forma o templo, não é pra ser pensado como um lugar pra ir, ele está dentro de nós e em verdade, como disse Shaul, nós somos o templo do Espírito Santo. 
2 Coríntios 6:16  E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

Devemos construir dentro de cada um de nós esse templo. A nossa relação com o Eterno não depende de um lugar, mas de nossas atitudes, nosso amor, nosso coração. 
Partindo desse principio, pra que servia a menorah?
Eram sete lâmpadas, em que as de fora iluminavam em direção ao centro, à setima lâmpada, assim como os seis dias da semana apontam para o shabat... iluminando esse dia. 
Não devemos viver esperando que o shabat, o templo, a sinagoga, nos santifique, mas a nossa vida diária com Deus, ela que faz o shabat o momento mais sagrado. 

Êxodo 27:20  Tu, pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente.
É nosso dever manter a lâmpada acesa CONTINUAMENTE com o mais puro azeite... não dá pra construir uma relação com o sagrado se vivermos uma vida sem azeite puro, sem santidade, sem comunhão... e isso vem através do que?
Através de nossas orações! Um relacionamento só se desenvolve onde há conversa e comprometimento...

Ap 5:8-10  e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação  e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.

É assim que nossas orações devem ser recebidas, como incenso suave diante do Eterno, em taças de ouro, tão valiosas quanto as preces de um justo. 

As lideres da Kol HaNashi estao se unindo num proposito de buscarem ao Eterno nas madrugadas, rezando juntas, as três da manhã... e isso é um incenso... quantos querem apenas receber de Deus e poucos estão dispostos a desenvolverem essa conexão... Sem conexão, sem resposta, sem bênção...

Faça de sua semana uma menorah, trazendo luz para o shabat congregacional e faça da sua vida diária um altar de incenso, que sobe como um cheiro suave... pois é só assim que faremos de nossa vida um tabernáculo para que Deus habite no meio de nós. 

Chazak! Chazak! Venit Chazek! Força, força, que sejamos todos fortalecidos!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Vaerah e a decisão de vencer o nosso Egito e cruzar o deserto.


Antes de entrarmos na história do êxodo e das pragas, precisamos entender o motivo pelo qual estudamos as parashiot e especialmente neste livro, qual a razão de entendermos as dez pragas e a história da libertação.  A resposta que nos fará mais sentido é aquela que diz: “estudamos o êxodo do Egito, porque essa não é apenas uma história de quatro mil anos atrás, mas é a nossa história. Cada um de nós vive seu próprio Egito, sua própria busca da liberdade. Não é fácil de alcançá-la, porque não há uma receita universal; cada pessoa enfrentará seus próprios desafios, passará pelas pragas e no fim, poderá ou não chegar à sonhada terra prometida. 

A história antes da parashah de Vaerah (Êx 6:2 a 9:35) começa com a recusa de Moshê em seguir a recomendação do Eterno de ir e libertar o povo. Em sã consciência, quem aceitaria? 
Moshê tinha uma boa vida no Egito, aprendendo a cultura e levando uma vida de príncipe. Quando ele inventou de fazer justiça, ao ver um egipcio ferindo um hebreu, foi lá e matou o egípcio, mas por conta disso, acabou sendo visto e por fim teve que fugir do Egito. Em Midiã, se casou com uma boa esposa, Tsiporah e estava bem, apascentando o rebanho do sogro... aí foi ser curioso ao ver a sarça ardente e pronto: tudo mudou.

Essa não é exatamente a sua história mas bem que pode ser. Quantas vezes você está lá ,numa situação confortável e curioso pega a bíblia e D-us fala contigo? Na maioria das vezes, Ele te diz para mudar... e sua situação se torna semelhante à de Moshe. Quantas vezes você vai ajudar alguém (como Moshe) e acaba sobrando pra você? E aí você pensa: “eu sou muito burro mesmo, devia ter ficado na minha!” 
A questão é que não, não devemos ficar na nossa. Há um Egito pra atravessarmos. E nesse Egito há opressores (faraós) há desafios a serem enfrentados (pragas, cruzar o mar, atravessar o deserto) mas assim como Moshê, ao darmos o primeiro passo em direção à Teshuvah, já não deve haver mais a possibilidade de voltar atrás, de desistir.

Dito isso, qual a vantagem de se enfrentar o Egito?
Bem, os que optam por ficar na vida comum (boa) se acomodam e não estão preocupados em ajudar o próximo (fazer Tikkun Olam, já falei sobre isso em outras postagens) não ouvem ao Eterno e o pior, não querem testemunhar os milagres.

Imaginemos se Moshe ficasse no Egito, e ao ver o egípcio maltratando um hebreu, ele não tomasse uma atitude, Moshe teria sido um príncipe do Egito, mas não testemunharia dos grandes milagres de D-us, não escreveria a Torah, não seria o grande homem que foi. 
Se Moshê não tivesse sido curioso ao ver a sarça ardente (Êx 3:2,3) ele não ouviria a Deus, não voltaria e não seria o homem pelo qual os sinais seriam feitos. 

Aí é que entramos na parashah dessa semana (2º Ciclo (Ex 7:8 a 8:15)):  
Êx 7:14 Disse o SENHOR a Moisés: O coração de Faraó está obstinado; recusa deixar ir o povo.
Saiba que ao entrar na vontade do Eterno, aparecerão diante de ti faraós obstinados (que você pode chamar de patrão, pais, esposa, marido, amizades) que irão tentar obstinadamente te fazer desistir da idéia de servir ao Eterno, de caminhar em busca da Terra Prometida. 

Nessa parashah temos as primeiras pragas, com a água se tornando em sangue, rãs e piolhos. 
Como sabemos, as primeiras, os magos do faraó conseguiram imitar e devemos ter cuidado, pois o faraó vai tentar nos iludar, mostrando para nós (e para eles mesmos) que é possível fazer os mesmos sinais. Você ouvirá isso hoje de forma diferente: “pra que ir pra lá, pra quê esse negócio de fazer teshuvah, de ser judeu, tá vendo, aqui também somos abençoados, aqui também oramos, também servimos ao mesmo Deus. 

Só que nesse segundo ciclo, a parasha é concluida com o  seguinte verso:
Ex 8:15 (na Torah) (Ex 8:19 na bíblia comum) Então, disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus. Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o SENHOR tinha dito.

Cabe a cada um de nós decidirmos se vamos ser como Moshê, aceitando o desafio de cruzar nosso deserto, enfrentando sim dificuldades, gigantes, faraós, mas entrando na terra prometida ou se optaremos pela comodidade de ser um príncipe do Egito, nos aquietando à vida e não fazendo desse mundo um lugar melhor, e esquecendo a idéia de Tikkun Olam. Te convido a ser destemido, corajoso... há um deserto à nossa frente, vamos juntos enfrentá-lo? 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ki Tissa e as lições do meio shekel



A parashah dessa semana (Ki Tissa - Êxodo 30:11 a 34:35) fala de diversos assuntos, como o censo, a construição da pia no qual o lavatorio deveria purificar-se antes de entrar no santuario; também o óleo usado na unção dos utensilios e cohanin, e o incenso; a aliança do shabat conclui o primeiro ciclo trienal dessa parashah.
O censo foi ordenado a ser feito aqui sob a forma de doação; isso nos leva à pergunta: quanto nós valemos? Só podemos responder se soubermos nos avaliar perante o mundo, a comunidade e nossa família. Tal percepção de valor pessoal é importante, pois não valemos o que temos, mas aquilo que somos capazes de dar, compartilhar. Por isso o recenseamento foi feito através da doação, de um valor pequeno, porque não era o valor da oferta, mas a pessoa sentir que ela é igual às demais, que não deve se sentir inferior, como um peso morto em sua existência.
Qual a diferença fundamental entre o homem e os animais? Se acompanharmos uma manada de elefantes ou qualquer outro grupo de animais, perceberemos que o efeito que eles causam no mundo é mínimo. Já o homem causa grandes transformações no mundo, na sociedade. O homem foi criado com o atributo da criação, e a partir de suas experiências, ele é capaz de criar e adaptar situações na sua vida. Nossa capacidade de empreender, está ligada à capacidade de dar. Tudo que fazemos é preciso empreender.
Por exemplo, casamento: é preciso empreender uma idéia de se casar, e a partir de então se gasta energia, tempo, habilidade, conquista, investimento, etc... O propósito de Deus para o sacerdócio de Israel requeria deles uma grande dose de empreendedorismo.
Era para ser uma nação sacerdotal e precisavam investir nisso. Ex 19:3-6 - Moisés subiu ao Eterno e Deus lhe disse: se me obedecerem,... serão nação sacerdotal. 1 Pe 2:9-14 - Vós sois raça eleita, sacerdocio real, nação santa... afim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. No momento em que tomamos parte na aliança, através de Mashiach e do conhecimento da Torah, acabamos por assumir o mérito e a responsabilidade de sermos uma nação sacerdotal, afim de proclamar as virtudes do Eterno, que nos chamou das trevas para a luz.
Cada pessoa precisa entender que o dinheiro da comunidade advem das contribuições do povo, com seus dizimos e ofertas, ou seja, empreendermos nossos valores na divulgação da mensagem. O dizimo é uma forma de reconhecimento de que tudo que possuímos vem das mãos do Eterno.
Pirke avot 3:17 fala que a cerca da riqueza são os dizimos.
Não há nada mais gratificante do que perceber que alguém lhe é grato por algo que você fez. Mesmo que a pessoa não lhe agradeça, aquele que ajuda, faz tsedakah, aumenta sua própria auto-estima.
Os sentimentos ruins nos impedem de empreender em coisas boas. Sentimentos como ciúmes, inveja, prejudicam nossa auto-estima e gastamos nosso tempo preocupados e pensando em como prejudicar a alguém, quando o único prejudicado acaba sendo nós mesmos.
Na contagem, cada um trazia meio shekel, porque a pessoa deve sentir que sozinha, ela não é completa, e que para sermos um, precisamos de nosso próximo. Hoje a comunidade pode ser grande, mas a comunidade forte não é a grande em números, mas é aquela que é capaz de transformar o mundo. Os dizimos são voluntários, mas baseado na Torah, eles são compulsórios. Deus exige que a décima parte de nossas riquezas seja compartilhada com o sacerdócio. Sacerdócio não apenas se refere aos que ocupam cargos, mas ao oficio de propagar a mensagem de um povo com tal missão.
Pirke avot 5:14 fala daqueles que contribuem e do sentimento de egoísmo, daqueles que desejam tudo para si, e são considerados ímpios. Justos são aqueles que abrem mão de suas próprias riquezas em favor do próximo. Reter dízimos, ofertas e abster-se de ajudar ao próximo é uma auto-declaração de impiedade.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Mishpatim e a virtude da paciência.


Na parashah de Mishpatim, começamos a ver os estatutos (tradução da palavra hebraica Mishpatim) que o Eterno deu aos filhos de Israel. Sabemos que são 613 mandamentos, relacionados a vários aspectos da vida judaica, mas nem tudo é tão simples assim como parece. Por exemplo: Moshê subiu ao monte Sinai, e de lá desceu com as tábus da lei (10 mandamentos) e com  o livro da lei (êx 24:7) e o povo começou a cumprir a Torah, como havia prometido, na famosa frase: "faremos e obedeceremos" (Êx 24:8)?
 
A verdade é que, assim como a constituição de um país leva anos para ser elaborada, e até que o povo tome conhecimento e a lei seja aplicada, não foi coisa de minutos e Moshê desceu com toda a lei ao povo israelita que perambulava pelo deserto.
 
Toda a parashah de Mishpatim é interessante, e o sábio deve aplicar-se a aprofundar no conhecimento e derivações de cada mandamento ali expressado, mas vejamos os versos finais, do Maftir:
 
Êx 24:15-18 - “ Subiu Moisés ao monte, e a nuvem cobriu o monte. E pousou a honra do Eterno sobre o monte Sinai, e cobriu-o a nuvem SEIS DIAS; e chamou a Moisés no SÉTIMO DIA, do meio da nuvem. E a aparência da glória do Eterno era um fogo consumidor sobre o cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel. E entrou Moisés pelo meio da nuvem e subiu ao monte, e esteve Moisés no monte QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES.”
 
Moisés havia ido até ao Monte (antes de subi-lo) com Josué, Arão, Nadabe, Abiú e mais setenta anciãos de Israel. Daí só Moisés sobe. Uma vez lá, porque Deus não lhe apareceu de uma vez? Mas não, teve uma nuve, que ficou seis dias cobrindo o monte, e só no sétimo dia é que Moisés foi chamado. Por fim, ele ficaria ali quarenta dias seguidos, para depois descer ao povo.
 
São várias liçoes que podem ser tiradas disso tudo. Por exemplo, o povo estava lá, esperando. Será que não poderia ser mais rápido o processo? Por quê fazer um povo, homens, mulheres e crianças esperarem todo esse tempo?
 
Imagine Moshê lá no alto da montanha e vem uma nuvem e nada, fica lá, parada por uma semana. Que angústia não?
 
Isso tudo contrasta com a pressa que vivemos hoje. Acordamos e já vemos o jornal que praticamente instantaneamente mostra notícias do mundo todo; coisas que estão acontecendo naquele momento.
Daí saímos e vamos trabalhar. Quem utiliza computador, internet, deve se dar conta de que a internet fica cada vez mais veloz e entretanto, isso parece não ser suficiente.
Lembro-me que há não muitos anos atrás, a internet discada era o que havia, e todos exercitavam a paciência diante daquele barulhinho que o computador fazia ao discar.
É um enorme constraste com a velocidade de hoje em dia, em que um filme em alta definição demora menos de meia hora para ser feito o download, e ainda assim ficamos bravos pela "lentidão".  Não por acaso, desaprendemos a apreciar as coisas.
Antes almoçavamos, apreciávamos o gosto dos alimentos; hoje, engolimos algo num fast food. Antes, viamos nossos filhos nascer, curtíamos cada dia, cada fase da infância deles, havia tempo para brincadeiras; hoje, quando vemos, nossos filhos já estão adolescentes e logo saem da casa.
 
O que Moshê teve não foi meramente paciência, mas uma oportunidade de desfrutar de quarenta dias com D-us, no alto de uma montanha. E é isso que precisamos.
Se o estudo da parashah demora mais de 50 minutos, não se desespere para ir embora, desfrute do aprendizado. Se as rezas demoram, não reclame, reze!
 
A bíblia diz em Eclesiastes, num texto muito conhecido: "Há tempo para todas as coisas, todo o propósito debaixo dos céus"
 
Todos pedimos coisas a D-us em nossas preces. Todos temos ansiedade para que algo chegue a nós logo, mas que tal exercitar a paciência e a contemplação?
Israel, todo um povo no meio do deserto e Moisés lá, no alto do monte, no meio de uma nuvem... haja paciência.
 
Se aprendermos a esperar, a confiar no tempo de D-us para nossas vidas, contemplaremos as bênçãos de D-us sobre nós. Mas por outro lado, os apressados nunca atingirão a plenitude com o mérito de terem esperado pelo tempo de D-us. Paciência!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Um povo livre - Yitro



Antes de entrar no texto da parashah de Yitro (Ex 18 a Ex 20), é interessante fazer uma breve contextualização histórica.
Israel havia habitado por séculos no Egito, onde, após a morte de José, e com o surgimento de uma nova liderança, um novo faraó, o povo hebreu acabou se tornando escravo e logo se habituaram com essa situação. Só que com o passar do tempo, pediam a D-us por um libertador. E o Eterno enviara a eles Moshê.
Pouco antes da libertação final, vale lembrar que “houve uma negociação” entre faraó e Moshê, que desejava que seu povo pudesse sair e livremente adorar ao Eterno.  Mas porque os israelitas precisavam ser livres para adorar? Não podiam simplesmente continuar sendo escravos  e adorar a D-us assim mesmo? O fato é que não é possível. E agora entramos no contexto.
Nessa parashah, com os dez mandamentos, os israelitas, finalmente livres, começam a receber as leis do Eterno.
Só um povo livre pode ter condição de legislar e ter sua própria constituição. A Torah só poderia ser entregue a Israel depois que eles saíssem do Egito. A principal luta do povo de Israel era e continua sendo pela liberdade, pois só através dela podemos servir ao Eterno.
Qualquer trabalho (emprego) hoje não nos isenta de cumprirmos a Torah. Por isso, hoje, também devemos buscar nossa “liberdade”.
Uma das diferenças entre gentios e judeus reside no fato de que o gentio se questiona: “eu preciso fazer isso para ser salvo? Isso é ponto de salvação?” Já os judeus estão preocupados em “como faço para agradar melhor ao Eterno?”
Ao saírem do Egito, o Eterno propiciou aos israelitas a oportunidade de servi-Lo com liberdade, sem restrições. Foi aí que se revelou o caráter de todos. Na liberdade. Nem todos estão dispostos a “servir ao Eterno” com intereza de coração.  E assim o é até aos dias de hoje.
Entre a segurança de um bom emprego, salário em dia, e o pão garantido sobre a mesa, e a liberdade para buscar seu próprio trabalho e poder servir melhor ao Eterno, mas sem garantias de salário, as pessoas preferem a segurança.  Ocorre que, quando optamos pela “liberdade”, exercemos a confiança, a fé, a dependência de D-us.
Para quem deseja se “converter” e unir-se a Israel, é preciso primeiro se desvencilhar do Egito e buscar sua liberdade, para aprender a confiar em D-us. Vejamos o exemplo de Israel: No Egito, eram escravos, mas tinham suas casas, alimentos e viviam “tranquilos”. Ao sair dali, para um lugar desconhecido, o que os esperava? Será que teriam terras, teriam alimentos? Não por acaso, logo que saíram, muitos já se queixaram pedindo por comida, com saudades dos melões, dos alhos, “onde comiam a fartar no Egito”.  É preciso coragem e ousadia para alcançar a liberdade plena.
Imagine-se como escravo no Egito. Você acha que o faraó permitiria aos milhares de escravos israelitas que tirassem o shabat para buscar ao Eterno? E que cumprissem os yamin tovim? Isso sem contar qualquer outro aspecto dos 613 mandamentos.
E por falar em 613 mandamentos, de certa forma todos eles estão contidos nos chamados 10 mandamentos (ou 10 palavras)
Vejamos um pouco dos 10 mandamentos:
- Os 3 primeiros são relativos exclusivamente ao Eterno.
- O 4º mandamento, do shabat, tem relação com D-us e os homens.
- Os outros 6 mandamentos estão vinculados ao próximo (aos homens).
Não por acaso a somatória de 3+1+6 tem como resultado 10. De qualquer forma, quer sejam os 613 mandamentos, quer sejam os 10, de forma resumida, só seremos capazes de cumpri-los se formos um povo LIVRE.
Não coloque impecilhos para obedecer à Torah. Se você deseja servir ao Eterno de coração, busque a sua liberdade; aprenda a confiar em D-us e a alcançarás.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Beshalach e as mulheres exemplares de Israel



Estudar as parashiot traz sempre uma oportunidade de novos aprendizados e cada líder traz uma abordagem diferente. Isso é especial! E eventualmente, durante a leitura da Torah, eu me pego fazendo exercícios para a mente, tentando encontrar novas perspectivas sobre o texto da semana. Isso é bom, nos leva a uma busca mais aprofundada sobre um ou outro verso e quem sabe, um pensamento nosso, possa ajudar a aprimorar o estudo naquele shabat?!
Nessa semana, a parashah de Beshalach falava sobre a saída do Egito, e quando os israelitas finalmente saem e veem seus inimigos perecerem no mar, Moshe e o povo entoam um cântico alegre exaltando ao Eterno. Também na haftarah, depois do inimigo ter sido derrotado, Débora e Barak entoam um cântico. E deve ser assim mesmo: sempre quando vemos alguém cantando já logo nos damos conta de que a pessoa está alegre. Talvez por isso mesmo Tiago dizia: “Está alguém contente? Cante louvores.” (Tg 5:13)
Em ambas as situações, tanto com Moshê, como com Barak, a participação de algumas mulheres foi fundamental (Mirian e Jael).
Nossos sábios já diziam que as mulheres possuem em si mais espiritualidade, uma relação mais próxima com o Eterno e por isso mesmo, elas são mais emotivas, sentem a D-us de uma forma mais especial. Isso não deve jamais ser desprezado, e bem verdade, é feliz o homem que sabe valorizar essa espiritualidade da esposa, a começar pelo momento especial em que ela acende as velas do shabat, e traz a luz da santidade desse dia pra dentro de casa.
Embora Mirian não seja uma personalidade de grande destaque na Torah, ela é digna de reconhecimento, e o Eterno diz: “Pois te fiz sair da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti Moisés, Arão e Mirian.” (Mq 6:4).
Ela foi uma das figuras fundamentais para Israel durante a história do Êxodo do Egito, e ao ser colocada pelo próprio D-us como enviada ao lado de Moshê e Arão, o Talmude afirma ser ela um dos “três bons sustentáculos” para a libertação do povo. (Taanit 9a)
Na parashah de Beshalach lemos: “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao SENHOR, porque sumamente se exaltou e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.” (Êx 15:20,21)
Mirian tinha o espírito de liderança, pois as mulheres imitaram seu ato e todas saíram atrás dela com tamboris e danças. Isso é fantástico! As mulheres israelitas talvez não imitariam a Moshê, não cantassem, mas tão logo Moshê começou a cantar, sua irmã despertou nas mulheres o desejo de sair dançando atrás dela em exaltação ao Eterno.
O cântico de Moshê, por mais belo que fosse, talvez não transmitisse, por si só, toda a alegria daquele momento, toda a gratidão ao Eterno; era preciso algo mais, e quem trouxe esse algo a mais foi Mirian, com seu exemplo contagiante.
Além disso, “chama a atenção o fato de as mulheres terem tambores. Afinal, quando o povo judeu saiu do Egito, as mulheres não tiveram tempo de preparar nem a massa do pão... Então como foi que deu tempo de levarem consigo tambores?! Convenhamos, este não é, definitivamente, um artigo de primeira necessidade! Nossos sábios explicam que este é um dos sinais da grandeza dessas mulheres: “De onde tiraram tambores e como aprenderam a dançar?” Resposta: estavam tão convecidas dos milagres que D-us faria para o povo judeu no deserto, que levaram consigo instrumentos musicais e prepararam danças para celebrar estes prodígios. As mulheres de Israel sabiam que aconteceriam milagres. Elas se preocuparam com o lado espiritual e não com o material.” (Parágrafos extraído do livro As Mulheres da Bíblia)
Homens são muito práticos, e essa praticidade eventualmente nos impede de sentirmos o espiritual que nos cerca. Por isso o Eterno nos permitiu o casamento, pois nossas esposas nos conectam com o Sagrado e compartilham conosco toda a espiritualidade que elas carregam em seus corações e atos.
Se Mirian foi uma das três pessoas que o Eterno escolheu para tirar Seu povo do Egito, o que podemos dizer de Jael?
Jael (que significa D-us está sobre ela) nos mostra a força e a sabedoria de uma mulher nos momentos de crise. Tal qual ocorrera com os israelitas, que acabaram sendo escravos no Egito, tempos mais tarde, Israel caiu nas mãos do rei de Canaã, chamado Jabim. E lá, eles pediam por um libertador.
Baraque, chamado por Débora para libertar seu povo, ficou receoso, e queria que ela fosse junto. Então Débora disse: “Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera.” (Jz 4:9)
Coube à Jael a oportunidade de matar o inimigo de seu povo, quando Sísera, já vendo seu exército como derrotado, fugiu, e os homens de Israel não o alcançaram. Então ela, com sabedoria (embora aparentemente fazendo algo errado) o convidou para entrar em sua casa, e depois de tê-lo acolhido, cobriu-o e fez com que ele dormisse para, enfim, matá-lo com uma estaca na testa. (Jz 4:17-24)
As grandes mulheres têm o poder de mudar a história com sua personalidade, e isso acontece através de atitudes excepcionais em situações sempre críticas. Jael era uma mulher virtuosa, obediente ao marido e boa dona-de-casa, mas simultamenamente era uma mulher dotada de forças descomunais; além de corajosa e destemida, características que veem à tona num momento crucial da história de Israel.
Nas grandes histórias de nosso povo, alguns homens tiveram seu nome exaltado, dignos de honrarias, mas assim como Mirian e Jael, muitas são as mulheres que merecem nosso reconhecimento por seu esforço em prol do povo.
Mulheres israelitas de verdade prezam pelo sucesso espiritual de Israel e não buscam o reconhecimento e méritos humanos. Para elas, acender as velas do shabat, trazer a luz da santidade ao interior de seu palácio, de seu lar, é tão satisfatório quanto libertar o seu próprio povo, pois uma mulher que cumpre a Torah com alegria, compartilha da Shechinah Divina com todos (de seu lar, de seu povo e de toda a humanidade)
Que os exemplos de Mirian, Débora e Jael sejam inspiradores à todas as mulheres, e que nós homens, possamos valorizar a cada dia a oportunidade que HaShem nos concede de vermos a Sua luz brilhar em nossos lares através da beleza e espiritualidade de nossas eshet chayil.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Yitró e Moshê, um líder de verdade!


Quando lemos a parashah de Yitro logo percebemos dois assuntos distintos e importantíssimos que chamam a nossa atenção: a escolha dos líderes e claro, os dez mandamentos. Líder, lider, e hoje parece tão fácil, muita gente se denomina líder, mas será mesmo? Pode ser, mas um líder de D-us, inspirado por Ele, com certeza não!

O maior de todos os parâmetros para nós é Moshê e vejamos algumas características que ele possuía, mas que hoje faltam na maioria dos "grandes líderes".

Quando o Eterno o chamara, Moshê se mostrou relutante, se sentia incapaz, via suas debilidades, pois dizia: "eu não sei falar bem, sou pesado de língua..." Líderes atuais reconhecem suas incapacidades? Aceitar suas incapacidade é reconhecer que eventualmente ele pode cometer erros.

O Eterno providenciou alguém que "falaria por ele". Arão! A Torah diz: “Arão falou todas as palavras que o Senhor falara a Moshê, e fez os sinais perante os olhos do povo." (Êx 4:30)

Sempre dizemos que Moshê libertou os israelitas do Egito, mas quem falava ao faraó era Arão, quem fez os sinais foi Arão, quem lança a vara e ela se transforma em serpente foi Arão. Não, não estou diminuindo o tamanho de Moshê, apenas vejo que Moshê sabia que ele "não era o único". 

Depois, quando o povo se queixou dele e de Arão por algumas vezes, Moshê dizia: "Quem somos nós para que murmureis contra nós?" (Êx 16:7) Noutra situação ele diz: "Arão, quem é ele para que murmureis contra ele?" Isso ele disse quando Coré, Datã e Abirão se levantaram contra ele e Arão. (Nm 16:11) Moshê não se engrandecia, não dizia: "olha, fui eu que fundei essa congregação, fui em quem os tirei do Egito..." Definitivamente, exaltar seus grandes feitos não era um característica de Moshê. 

Ao contrário de líderes atuais, que chamam tudo para si... que colocam em placas de suas religiões: "Fundada por fulano de tal, em tal data" ou "ministério fulano de tal" e se auto-proclamam os grandes líderes. 

Na Bircat Cohanin é interessante observar que o Eterno diz: "Fala a Arão e a seus filhos e dirás: Assim abençoareis os filhos de Israel..." Quem abençoava o povo não era Moshê, mas ele poderia dizer: "Senhor, eu sou o líder, eu que devo abençoar o povo!!"

Em Nm 11:14, Moshe diz: "eu sozinho não posso levar a todo este povo."  Então entram os setenta anciãos, mas aí outros dois, chamados Eldade e Medade, começaram a profetizar no meio do povo, e Josué (que viria a ser o futuro líder dos israelitas) correu a avisar Moisés: "olha, tem dois caras profetizando lá, proíbe eles meu senhor" E a resposta do líder do Eterno: "Tens tu ciúmes por mim? Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta." (Nm 11:29) 
Aí Moshê quebrou as pernas de metade dos líderes modernos, que buscam toda a glória para si. Eu não tenho ciúmes do meu cargo, eu não faço questão de ser o único, não quero ser o único. 

Por fim, só pra não escrever demais (mas você pode ver muitos outros exemplos bíblicos acerca da liderança) Moshê guiou todo o povo pelo deserto mas NÃO FOI ELE QUEM COLOCOU O POVO NA TERRA PROMETIDA. Quem mais teria o direito de fazer senão ele mesmo? No entanto, D-us disse: "Anima a Josué, porque ele passará adiante deste povo e o fará possuir a terra que (você) apenas verá.

Por fim, encerramos nossa meditação com as palavras de Yohanan, o profeta, o homem que batizou Yeshua: "Convem que ele cresça e eu diminua." (Jo 3:30)

Não confie muito em quem se exalta, em quem não se humilha, quem acha que a congregação, Israel, não existiria sem ele... Cada um tem sua função, os líderes devem ser respeitados, são merecedores de honra, mas com foi dito "aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".  Foi por isso que Moshê se tornou o grande líder de Israel, porque nunca se exaltou, pelo contrário, sempre foi humilde, e o mais manso de todos os homens que havia sobre a terra." Pensemos nisso!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Vai ser teimoso assim lá longe!!!


A parashah de Vaerah (Ex 6:2 a 9:35) começa com a tentative de recusa de Moshê em seguir a recomendação do Eterno de ir e libertar o povo. Mas, depois de tentar argumentar, ele acaba seguindo sua missão. Na sequência, a parashah começa a descrever a longa sequencia das dez pragas, que nos ensinam muitas coisas.

Êx 7:14 "Disse o SENHOR a Moisés: O coração de Faraó está obstinado; recusa deixar ir o povo."

Nem todo mundo tem o poder de um faraó do Egito antigo, mas todos temos a chance de ser como ele numa coisa: "o coração obstinado, endurecido" Claro que isso não é uma coisa boa!

Até no dicionário a palavra obstinado pode parecer boa, e um dos seus sinônimos é "persistente", mas outro diz, "teimoso, intransigente" e assim o era o faraó. Recusava-se a ver e perceber o poder do Eterno e a cumprir Sua ordem.

A teimosia se revela de diversas formas:
- Não ouvir um conselho, seja de alguém acima ou mesmo de alguém abaixo de você.
- Esperar as coisas acontecerem pra daí tomarem uma posição, quase sempre contrária à correta.
- Não perceber os "sinais". Muitos pedem um sinal, mas recebem vários e não se dão conta.
Ao ler Mc 8:11,12 vemos os que queriam tentar a Yeshua, sempre pedindo um sinal, mas para que? se eles não aceitariam mesmo?

Mas o faraó era um governador, tinha o "direito de ser teimoso", só que essa teimosia custou caro, como sabemos.

Vieram as pragas, e cada uma delas dava o sinal de que algo pior estava por vir sobre ele e o Egito. O fato de seus magos teremo sido capazes de imitar Moshê, fazendo com seus truques com que a água se tornasse em sangue não significava que ele (faraó) estava certo... Era só uma prova da teimosia, e quem é teimoso tende a ficar cada vez mais assim.
Depois a praga das rãs, que eles também tentaram imitar e isso iludiu ao faraó, mas aí já vemos algo dando errado para ele. Fazer as rãs subirem eles conseguiram, mas para faze-las sair de lá, ele teve que pedir a Moshê (Êx 8:8) para que rogasse ao Eterno que as tirasse de lá. 
Depois disso, a praga dos piolhos, que os magos já não foram capazes de imitar, e disseram ao faraó: "Isto é o dedo de Deus." Porém o coração do faraó se endureceu, e não os ouvia. (Êx 8:18,19)

Não confunda ser persistente com ser teimoso, e não seja teimoso. Aprenda a reconhecer quando estiver indo por um caminho errado. Só isso pode te poupar de muitos enganos e consequências, talvez até, como o faraó, sofrer a perda de todo o seu reino e a dolorosa perda de seu próprio primogenitor.

Faça o certo! E o certo é não ser teimoso.

*** A foto que usei para ilustrar é de alguém que foi teimoso até o fim, e o que ele ganhou com isso? Nada!
 

terça-feira, 6 de março de 2012

Vaiakhel, Pekudei, vamos trabalhar e aprender juntos...


Agora que estamos finalizando o livro de Shemot, com duas porções JUNTAS, é propício meditarmos no fato de que podemos e devemos trabalhar JUNTOS. Essa é uma lição que nos ensinaram dois grandes mestres dos tempos de Moshê Rabeinu: Aoliabe e Bezalel.

A Torah declara: “Porque Moisés chamara a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem sábio de coração em cujo coração o SENHOR tinha dado sabedoria, isto é, a todo aquele a quem o seu coração movera que se chegasse à obra para fazê-la.” (Êx 36:2) Esses dois homens eram mestres, artistas, trabalhavam com vários tipos de materiais diferentes e tinham um grande dom. Junto com eles, vários outros homens sábios trabalhavam na construção e montagem do Mishkan.

Mesmo quando se tem mais “talento e capacidade” do que os outros, como era o caso desses dois homens, o sábio é aquele que consegue compartilhar as atividades, dividir as responsabilidades, embora tenha ciência de que a maior responsabilidade é dele.

Aoliabe e Bezalel eram os responsáveis, mas a diferença deles para muitos hoje é que: “Também lhe tem disposto o coração para ensinar a outros, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã.” (Êx 35:34)

Compartilhar de seu conhecimento, sabedoria com pessoas de menos capacidade (ou que não tiveram a oportunidade certa) é um privilégio. Ver a evolução das pessoas, a alegria delas em aprender é algo valioso e de forma alguma diminui o “status do profissional” que o ensina.

Há alguns anos atrás fiz parte de um projeto voluntário (que ainda existe) chamado CDI - Comitê para Democratização da Informática - em que fiz um curso para aprender a dar aulas para comunidades carentes. Foi pouco tempo, mas uma experiência fantástica e enriquecedora. Dei aulas para jovens órfãos, que viviam numa instituição que os abrigava. A alegria deles diante de um computador, aprendendo a digitar as primeiras palavras, lições de cidadania, fazia com que eles percebessem que eram respeitados, e que o "professor" não estava ali para os humilhar, mas para compartilhar de experiências e conhecimento. Todos deveriam gastar um pouco de tempo para ensinar os outros, sem se vangloriar, apenas pelo prazer de ser Aoliabe e Bezalel, que tinham o coração disposto para ensinar os outros.

Há muitas coisas para se fazer, você que toca instrumentos pode ensinar musica, você que canta, pode ensinar a cantar, montar um coral (ainda que todos sejam desafinados) e dar oportunidade aos outros, você que trabalha com computador, pode ensinar noções básicas, internet, enfim... sempre há pessoas que podem aprender, desde que você esteja com o coração de Aoliabe batendo no peito.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tesavê e a beleza da congregação


A Parashah de Tetsavê vai de Êx 27:20 a 30:10 e no ano passado abordamos o azeite puro que deveria estar na luz da menorah. Logo na sequência, o texto fala dos sacerdotes, e diz: “Farás vestes sagradas para Arão, teu irmão, para glória e ornamento.” (Êx 28:2) Porque o Eterno mandaria fazer roupas para glória e formosura para Arão? Para quem seria essa glória? De que serviria um traje cheio de detalhes de riqueza e beleza?
Bom, primeiro detalhe é que obviamente o traje era algo material, uma túnica com ouro, purpura, com pedras preciosas, etc... Não era o sacerdote que fazia sua própria roupa, mas o povo quem deveria ofertar (como tudo o mais que envolvia o Mishkan). Já a glória e formosura não era algo material, mas sim sentimental.
Como o próprio povo ofertava e fazia a veste do sacerdote, ele representava a glória, a beleza, a formosura do próprio povo de Israel. Assim como em alguns países onde ainda existe a monarquia, como por exemplo a Inglaterra, cada vez que a rainha sai para desfilar com sua coroa, os ingleses a reverenciam, (não apenas pela pessoa, mas pela sua importância) os israelitas deveriam se sentir orgulhosos a cada aparição do seu sumo-sacerdote.
A beleza de um povo está na sabedoria e capacidade de seus líderes. Deveriamos sentir orgulho de nossos líderes. Na Brit Chadashah há um texto que diz: “dignos de duplicada honra sejam os zakenim que governam bem...” (1 Tm 5:17) mas porquê disso? Porque o povo deveriam honrar duplicadamente, reverenciar seus líderes, seus sacerdotes?
Voltemos ao texto da parashah, em Êx 28:9-12 - “Tomarás duas pedras de ônix e gravarás nelas os nomes dos filhos de Israel: seis de seus nomes numa pedra e os outros seis na outra pedra, segundo a ordem do seu nascimento. Conforme a obra de lapidador, como lavores de sinete, gravarás as duas pedras com os nomes dos filhos de Israel; engastadas ao redor de ouro, as farás. E porás as duas pedras nas ombreiras da estola sacerdotal, por pedras de memória aos filhos de Israel; e Arão levará os seus nomes sobre ambos os seus ombros, para memória diante do SENHOR.”
O reconhecimento estava no fato de que Arão carregava sobre seus ombros os nomes de todos os israelitas, para memória diante do Eterno. A cada vez que Arão aparecesse, cada vez que realizasse o oficio sacerdotal, os sacrifícios, ele carregava nos ombros o peso de todo o seu povo.
Um pouco mais à frente nos versos de Êxodo 28 vemos que ele carregava no peito os nomes das tribos também... quer dizer que ele carregava no coração e sobre os ombros todo o povo.

Talvez hoje falte parte do reconhecimento, porque já não temos sido capazes de ver a importância da glória e formosura de nossos líderes como sendo eles a nossa glória, nosso motivo de orgulho, de valorizar aqueles que são capazes de nos conduzir pelo caminho que leva à salvação no Mashiach. Até porque alguém disse certa vez... “são eles que velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar contas, para que façam isso com alegria e não gemendo.”

Pensemos então naqueles que deveriam e devem representar toda a nossa glória e formosura, quando tivermos diante deles no shabat, quando nos levantarmos diante de suas cãs, etc... e assim nos levantaremos com orgulho, pois essas são as pessoas que nos carregam em seus ombros.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mishpatim: Ah! se me desses ouvido...


Quando Moshe conduzia o povo e o julgava no deserto, Jetro veio e o aconselhou a dividir a responsabilidade.
Ex 18:15,16 - Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim para consultar a Deus; quando tem alguma questão, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis.
Jetro, o aconselha a declarar os estatutos, e então compartilhar com o povo, escolhendo homens capazes para conduzir o povo. Então Moshê os escolheu e passou a lei de Deus ao povo... pois isso seria bom para ele e para o povo.
Em Êx 23:20-23 temos: Eis que eu envio um Anjo adiante de ti, para que te guarde pelo caminho e te leve ao lugar que tenho preparado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não te rebeles contra ele, porque não perdoará a vossa transgressão; pois nele está o meu nome. Mas, se diligentemente lhe ouvires a voz e fizeres tudo o que eu disser, então, serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários. Porque o meu Anjo irá adiante de ti e te levará aos amorreus, aos heteus, aos ferezeus, aos cananeus, aos heveus e aos jebuseus; e eu os destruirei.
Não devemos nos rebelar contra o anjo do Eterno, porque não terá perdão quem fizer isso. E o que isso significa?
Obviamente desobedecer, fazer o contrário do que D-us manda, através de seu anjo. Mas o que o anjo nos diz, se não é a própria Torah, para obedecermos aos próprios mandamentos do Eterno?
Então a situação fica mais simples; o texto diz: se diligentemente ouvires e fizer tudo o que EU disser, serei inimigo dos teus inimigos. Ou seja: desobedecer = sofrer, obedecer = ter o Eterno como nosso defensor.
É evidente que é muito melhor obedecer, mas vejamos como é fácil desobedecer mandamentos que são muito claros.
Êx 23:1 - Não espalharás notícias falsas, nem darás mão ao ímpio, para seres testemunha maldosa. (Biblia Revista e Atualizada)
Êx 23:1 - Não dês ouvido à maledicência. Não acompanhes o mau para servir de falso Testemunho. (Torah)
Embora as versões possam dar um sentido diferente à primeira frase, uma coisa é evidente. Não seja fofoqueiro e nem ouça fofocas.
Agora, diz pra mim que as pessoas são capazes de cumprir esse único, simples e claro mandamento da Torah: NÃO SE METER EM FOFOCAS. Como a resposta da maioria é não, é sinal de que NÃO ESTÃO OUVINDO AS PALAVRAS DO ANJO DO ETERNO, e então Ele NÃO PERDOARÁ A SUA TRANSGRESSÃO. Simples assim!
Esse tem sido um grande problema da humanidade, e espero que não seja o seu; quem se mantem longe da maledicência, não espalha rumores falsos acaba sendo recompensado com a proteção divina. Queira ouvir a voz de HaShem, como diz o salmista:
Sl 81:10-16 - Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito. Abre bem a boca, e ta encherei. Mas o meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos! Eu, de pronto, lhe abateria o inimigo e deitaria mão contra os seus adversários. Os que aborrecem ao SENHOR se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre. Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha.
Ah! se meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos... seria tão bom! Pense bem nisso!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Yitro - Abrigado pelas asas da Águia


Na parashah da semana passada, Beshalach, falei sobre a gente andar protegido debaixo da nuvem, abrigado do calor. Hoje, Em Yitro, D-us fala que abrigou os israelitas, os levando sobre asas de águia. Saiba aproveitar também esse abrigo.

Ex 19:4-8 - Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos cheguei a mim.
Que sensação boa, ser liberto da opressão, sentir que foi tirado por sobre os inimigos.
Sobre as asas de águia tem a explicação rabínica de que a águia é uma ave que voa muito alto, e que o inimigo (o homem) quando atira flechas, só pode a atingir por baixo. E HaShem, abringando Israel, tudo que os egípcios fizessem nunca os atingiria, pois estavam abrigado por cima da águia, quer dizer que as flechas só poderiam chegar às asas e não sobre elas.
HaShem nos protege, quando nos propomos a servir ao Eterno e O buscamos, quando clamamos por socorro, Ele sai em nossa defesa, nos socorre e livra dos inimigos.

Sl 25:18-22 - Considera as minhas aflições e o meu sofrimento e perdoa todos os meus pecados. Considera os meus inimigos, pois são muitos e me abominam com ódio cruel. Guarda-me a alma e livra-me; não seja eu envergonhado, pois em ti me refugio. Preservem-me a sinceridade e a retidão, porque em ti espero. Ó Deus, redime a Israel de todas as suas tribulações.

Quando agimos como Israel, buscando a HaShem, repetimos as palavras do rei David e não somos envergonhados diante de nossos inimigos, pois o Eterno é o nosso refúgio. Isso quando agimos com sinceridade e retidão, pois esperamos no Eterno. Que HaShem possa nos livrar de todas as nossas tribulações.
Aí a parashah segue dizendo:
Êx 19:5-8 - Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. Veio Moisés, chamou os anciãos do povo e expôs diante deles todas estas palavras que o SENHOR lhe havia ordenado. Então, o povo respondeu à uma: Tudo o que o SENHOR falou faremos. E Moisés relatou ao SENHOR as palavras do povo.

Não basta sermos protegidos dos nossos inimigos, mas é preciso, na sinceridade e retidão de nosso coração, ouvir a voz do Eterno e guardar a Sua aliança. Isso fará de nós, mais do que uma propriedade, um tesouro particular para D-us. Como diz o salmista:
Salmos 135:4 Porque o SENHOR escolheu para si a Jacó e a Israel, para seu tesouro peculiar.

Quer ser parte desse tesouro? Guardado e protegido pelo próprio D-us? Então diligentemente ouça e guarde a palavra do Eterno. Pois foi isso que os israelitas disseram em Êxodo 19:8 “Tudo o que o Senhor falou faremos!”
O mesmo se repete logo após os dez mandamentos, quando os israelitas disseram a famosa frase: “Naasê VeNishma”. Tudo o que o Eterno falou, faremos e obedeceremos. (Êx 24:7)
Que as ASAS DA ÁGUIA te protejam!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Beshalach: Seja esperto, ande sob a proteção da nuvem

A parashah de Beshalach segue com os relatos da saída dos israelitas do Egito, mas algumas lições servem para a vida toda:
Ex 13:21,22 - O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.
Grandes lições podemos extrair desses versos, e estar sob a proteção da nuvem é sempre o melhor caminho. Aqui, o povo de Israel estava para sair do Egito, livrando-se de seu inimigo. Quantas vezes passamos por situações, problemas, inimigos; ficamos muitas vezes confusos, não sabemos como nos livrar, então devemos aprender a escolher melhor nossos caminhos. O rei Davi disse:

Sl 25:1-5 - A ti, SENHOR, levanto a minha alma. Deus meu, em ti confio; não me deixes confundido, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim. Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa. Faze-me saber os teus caminhos, SENHOR; ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.

Nessas horas, o Eterno envia a sua nuvem, e nos diz: “Fica debaixo dela, ela te protegerá do calor” mas e aí... ficamos? Então o salmista segue dizendo: “Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho.” (Sl 25: 8,9)
HaShem aponta o caminho, mas o pecador precisa optar por seguir esse caminho. É preciso ter humildade para alcançar a justiça... e só quem for manso aprenderá o caminho.
Sei que ninguém é bobo, mas às vezes isso não basta, é preciso ser inteligente. Ser inteligente, nesse caso, é saber reconhecer que o melhor caminho está debaixo da nuvem do Eterno durante o dia, e estar sob a proteção de uma fogueira durante a noite. Que a nossa oração seja a mesma do salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

BO e o fermento... que coisa pequena essa?


Ao ler a parashah de Bo novamente, revi o comentário que fiz no ano passado, sobre os que estão arruinados como o faraó e ainda se acham vencedores... Aí relendo o texto da parashah, (Êx 10:1 a Êx 13:16) vi que falava do Pessach e sempre tem um versículo que me chama a atenção. É assim todo ano, tenho que aprender lições novas, e então li Êxodo 12:19,20 - “Por sete dias, não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado será eliminado da congregação de Israel, tanto o peregrino como o natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações, comereis pães asmos.”
O que isso tem a ver com os derrotados que se acham vencedores? Bom, se observarmos que os perdedores sempre colocam a culpa nos outros e não se preocupam em olhar para aquilo que estão fazendo de errado, esse texto nos ensina muita coisa.
Qual a importância de não comer fermento, coisa levedada, durante sete dias? É uma coisa tão pequena isso! E aí que está o problema, as pessoas muitas vezes perdem grandes bênçãos porque não se preocupam com as pequenas coisas. O mandamento dizia e diz: Quem comer fermento será eliminado do povo.
Gente, é pra prestar atenção mesmo... é só um detalhe. Mas muitas vezes a vitória é fruto de um detalhe, de um cuidado especial, e como é triste por uma pequena coisa perder algo grandioso.
Já vi várias pessoas se complicarem, como na viagem para a Argentina, por exemplo, porque esqueceram de levar a identidade... e ficaram na fronteira. Todo ano vemos várias pessoas que perdem o vestibular por um detalhe: chegaram 30 segundos atrasados e o portão já estava fechado... perderem o emprego porque esqueceram de fazer algo... e por aí vai.
Nossa vitória, um bom casamento, a entrada no Reino, etc... dependem da atenção aos pequenos detalhes. Ou você vai continuar esquecendo de tirar o fermento?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Shemot... escondendo nossos filhos.



No ano passado, ao comentar a parashah de Shemot, falei sobre as parteiras, que tiveram coragem para fazer o certo, ao se negarem a cumprir a ordem de faraó em matar todos os meninos que nascessem. A lição desse ano, para Shemot (Êx 1:1 a Êx 6:1) vem na sequência desse fato. O nascimento de Moshê Rabeinu.

A Torah diz: “E foi um homem da casa de Levi e casou com uma descendente de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho, e, vendo que ele era formoso, escondeu-o p. or três meses.” (Êx 2:1,2)

Aqui o texto fala de Anrão e Joquebede, levitas que já tinham dois filhos, Aharon e Mirian e este é o relato do nascimento do terceiro, Moshêzinho. Você já pensou o que seria de Israel se não fosse Moshê? Claro que HaShem iria enviar um outro libertador, mas certamente não teria dado à Joquebede a alegria de ser a mãe do libertador de Israel. Mas o que isso tem a ver com o versículo?

A questão aqui está no verbo "esconder". Ela escondeu Moshê da morte. E assim como Joquebede, hoje se faz necessário em nós, como pais, sabermos esconder nossos filhos da morte. Isso significa que devemos evitar que nossos filhos se envolvam em situações que lhes possam trazer como consequência a morte.

Moshê era apenas um bebê, não sabia de nada, mas a morte já o cercava, porque se algum servo de faraó o visse, ele certamente seria morto. Então Joquebede o escondeu. Nossos filhos, especialmente os pequenos e até sua adolescência não sabem os riscos que correm. Quando bebês, cuidamos para que eles não caiam, pois um cair, um choque, pode levá-lo à morte. Aí eles crescem um pouco, e os escondemos do perigo, quando pegamos na mão deles para que aprendam a atravessar a rua, etc... e à medida que crescem precisamos continuar escondendo nossos filhos, de maus amigos, das drogas, e de tudo que os possa conduzir à morte. Se você, como pai ou mãe, não aprender a ser como Joquebede, seus filhos serão presas fáceis para o faraó moderno...

Quando Moshê já não podia mais ser escondido dentro da casa, ela o colocou no rio, e o Eterno fez o resto, de maneira que ela pôde continuar protegendo seu filho, mesmo nos palácios do Egito. Bem protegido, Moshê aprendeu a proteger seu povo de Israel e se tornou o grande líder de nosso povo, e até hoje, milhares de anos depois, ainda falamos dele a cada shabat.

Se você deixar seus filhos sempre expostos aos “perigos do mundo”, achando que isso fará com que eles "amadureçam" mais rápido, é sinal de que não está sabendo proteger o que HaShem lhe deu e aí, nunca poderá dizer, orgulhosa, como Joquebede... “Tá vendo aquele lá na frente, libertando o povo de Israel, é meu filho, Moshê!” Se você quer seu filho sendo grande, o “esconda” do mundo desde cedo. Faça sua parte e HaShem sempre fará a dEle.