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domingo, 12 de janeiro de 2014

Beshalach e as mulheres exemplares de Israel



Estudar as parashiot traz sempre uma oportunidade de novos aprendizados e cada líder traz uma abordagem diferente. Isso é especial! E eventualmente, durante a leitura da Torah, eu me pego fazendo exercícios para a mente, tentando encontrar novas perspectivas sobre o texto da semana. Isso é bom, nos leva a uma busca mais aprofundada sobre um ou outro verso e quem sabe, um pensamento nosso, possa ajudar a aprimorar o estudo naquele shabat?!
Nessa semana, a parashah de Beshalach falava sobre a saída do Egito, e quando os israelitas finalmente saem e veem seus inimigos perecerem no mar, Moshe e o povo entoam um cântico alegre exaltando ao Eterno. Também na haftarah, depois do inimigo ter sido derrotado, Débora e Barak entoam um cântico. E deve ser assim mesmo: sempre quando vemos alguém cantando já logo nos damos conta de que a pessoa está alegre. Talvez por isso mesmo Tiago dizia: “Está alguém contente? Cante louvores.” (Tg 5:13)
Em ambas as situações, tanto com Moshê, como com Barak, a participação de algumas mulheres foi fundamental (Mirian e Jael).
Nossos sábios já diziam que as mulheres possuem em si mais espiritualidade, uma relação mais próxima com o Eterno e por isso mesmo, elas são mais emotivas, sentem a D-us de uma forma mais especial. Isso não deve jamais ser desprezado, e bem verdade, é feliz o homem que sabe valorizar essa espiritualidade da esposa, a começar pelo momento especial em que ela acende as velas do shabat, e traz a luz da santidade desse dia pra dentro de casa.
Embora Mirian não seja uma personalidade de grande destaque na Torah, ela é digna de reconhecimento, e o Eterno diz: “Pois te fiz sair da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti Moisés, Arão e Mirian.” (Mq 6:4).
Ela foi uma das figuras fundamentais para Israel durante a história do Êxodo do Egito, e ao ser colocada pelo próprio D-us como enviada ao lado de Moshê e Arão, o Talmude afirma ser ela um dos “três bons sustentáculos” para a libertação do povo. (Taanit 9a)
Na parashah de Beshalach lemos: “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao SENHOR, porque sumamente se exaltou e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.” (Êx 15:20,21)
Mirian tinha o espírito de liderança, pois as mulheres imitaram seu ato e todas saíram atrás dela com tamboris e danças. Isso é fantástico! As mulheres israelitas talvez não imitariam a Moshê, não cantassem, mas tão logo Moshê começou a cantar, sua irmã despertou nas mulheres o desejo de sair dançando atrás dela em exaltação ao Eterno.
O cântico de Moshê, por mais belo que fosse, talvez não transmitisse, por si só, toda a alegria daquele momento, toda a gratidão ao Eterno; era preciso algo mais, e quem trouxe esse algo a mais foi Mirian, com seu exemplo contagiante.
Além disso, “chama a atenção o fato de as mulheres terem tambores. Afinal, quando o povo judeu saiu do Egito, as mulheres não tiveram tempo de preparar nem a massa do pão... Então como foi que deu tempo de levarem consigo tambores?! Convenhamos, este não é, definitivamente, um artigo de primeira necessidade! Nossos sábios explicam que este é um dos sinais da grandeza dessas mulheres: “De onde tiraram tambores e como aprenderam a dançar?” Resposta: estavam tão convecidas dos milagres que D-us faria para o povo judeu no deserto, que levaram consigo instrumentos musicais e prepararam danças para celebrar estes prodígios. As mulheres de Israel sabiam que aconteceriam milagres. Elas se preocuparam com o lado espiritual e não com o material.” (Parágrafos extraído do livro As Mulheres da Bíblia)
Homens são muito práticos, e essa praticidade eventualmente nos impede de sentirmos o espiritual que nos cerca. Por isso o Eterno nos permitiu o casamento, pois nossas esposas nos conectam com o Sagrado e compartilham conosco toda a espiritualidade que elas carregam em seus corações e atos.
Se Mirian foi uma das três pessoas que o Eterno escolheu para tirar Seu povo do Egito, o que podemos dizer de Jael?
Jael (que significa D-us está sobre ela) nos mostra a força e a sabedoria de uma mulher nos momentos de crise. Tal qual ocorrera com os israelitas, que acabaram sendo escravos no Egito, tempos mais tarde, Israel caiu nas mãos do rei de Canaã, chamado Jabim. E lá, eles pediam por um libertador.
Baraque, chamado por Débora para libertar seu povo, ficou receoso, e queria que ela fosse junto. Então Débora disse: “Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera.” (Jz 4:9)
Coube à Jael a oportunidade de matar o inimigo de seu povo, quando Sísera, já vendo seu exército como derrotado, fugiu, e os homens de Israel não o alcançaram. Então ela, com sabedoria (embora aparentemente fazendo algo errado) o convidou para entrar em sua casa, e depois de tê-lo acolhido, cobriu-o e fez com que ele dormisse para, enfim, matá-lo com uma estaca na testa. (Jz 4:17-24)
As grandes mulheres têm o poder de mudar a história com sua personalidade, e isso acontece através de atitudes excepcionais em situações sempre críticas. Jael era uma mulher virtuosa, obediente ao marido e boa dona-de-casa, mas simultamenamente era uma mulher dotada de forças descomunais; além de corajosa e destemida, características que veem à tona num momento crucial da história de Israel.
Nas grandes histórias de nosso povo, alguns homens tiveram seu nome exaltado, dignos de honrarias, mas assim como Mirian e Jael, muitas são as mulheres que merecem nosso reconhecimento por seu esforço em prol do povo.
Mulheres israelitas de verdade prezam pelo sucesso espiritual de Israel e não buscam o reconhecimento e méritos humanos. Para elas, acender as velas do shabat, trazer a luz da santidade ao interior de seu palácio, de seu lar, é tão satisfatório quanto libertar o seu próprio povo, pois uma mulher que cumpre a Torah com alegria, compartilha da Shechinah Divina com todos (de seu lar, de seu povo e de toda a humanidade)
Que os exemplos de Mirian, Débora e Jael sejam inspiradores à todas as mulheres, e que nós homens, possamos valorizar a cada dia a oportunidade que HaShem nos concede de vermos a Sua luz brilhar em nossos lares através da beleza e espiritualidade de nossas eshet chayil.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Beshalach: Seja esperto, ande sob a proteção da nuvem

A parashah de Beshalach segue com os relatos da saída dos israelitas do Egito, mas algumas lições servem para a vida toda:
Ex 13:21,22 - O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.
Grandes lições podemos extrair desses versos, e estar sob a proteção da nuvem é sempre o melhor caminho. Aqui, o povo de Israel estava para sair do Egito, livrando-se de seu inimigo. Quantas vezes passamos por situações, problemas, inimigos; ficamos muitas vezes confusos, não sabemos como nos livrar, então devemos aprender a escolher melhor nossos caminhos. O rei Davi disse:

Sl 25:1-5 - A ti, SENHOR, levanto a minha alma. Deus meu, em ti confio; não me deixes confundido, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim. Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa. Faze-me saber os teus caminhos, SENHOR; ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.

Nessas horas, o Eterno envia a sua nuvem, e nos diz: “Fica debaixo dela, ela te protegerá do calor” mas e aí... ficamos? Então o salmista segue dizendo: “Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho.” (Sl 25: 8,9)
HaShem aponta o caminho, mas o pecador precisa optar por seguir esse caminho. É preciso ter humildade para alcançar a justiça... e só quem for manso aprenderá o caminho.
Sei que ninguém é bobo, mas às vezes isso não basta, é preciso ser inteligente. Ser inteligente, nesse caso, é saber reconhecer que o melhor caminho está debaixo da nuvem do Eterno durante o dia, e estar sob a proteção de uma fogueira durante a noite. Que a nossa oração seja a mesma do salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Beshalach - Celebrando as vitórias de cada dia


“Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao SENHOR, porque sumamente se exaltou e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.” (Êx 15:20,21)
A parashah de Beshalach (Êx 13:17 a 17:16) vem na sequência da celebração de Pessach e traz a saída dos israelitas do Egito. Quando eles acabaram de cruzar o mar Vermelho e os egípcios pereceram ali, Miriã sai com tamboris e danças e todas as mulheres a seguem. Que lição temos disso? Muitas! Mas por hora falaremos de uma única: saber celebrar vitórias!
De que valeria ser celebrar a vitória se eles ainda teriam 40 anos de caminhada no deserto? Se Miriã soubesse que morreria ainda no deserto, será que ela sairia dançando? A grande questão é saber que vencemos uma coisa de cada vez. O que virá depois é outra história.
Quando a esposa fica grávida, o marido se alegra, faz festa. Quando o bebê nasce, é outra festa. Quando dá os primeiros passos, aprende a andar, é só alegria. Depois deixamos de celebrar.
Quando sabemos valorizar UMA vitória de cada vez, é mais gostoso viver! Os objetivos são alcançados mais facilmente.
Aprenda a comemorar quando seus filhos entram na escola, aplauda cada nota boa tirada nas provas escolares, celebre quando são aprovados no fim do ano. Isso gerará neles um desejo de buscar mais... assim, um dia, ele passará num vestibular, se formará, etc...
De outro lado, celebre o bar mitsvá, comemore a primeira leitura da torah, cada vez que eles aprenderem a fazer uma brachah, o shemah, etc... quando seu filho buscar o casamenteiro, quando se casar sob uma chupah, etc...
Suas vitórias também são importantes. Você pode não saber hebraico, mas conhecer as letras do alefbet é o primeiro passo, primeira vitória. Depois as primeiras palavras, e por aí vai.
Não celebre só o fim, mas cada passo à vitória. Essa é a lição maior ensinada por Miriã que, simplesmente ao cruzar o mar, já saiu dançando. Dance, celebre as vitórias também.