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sexta-feira, 13 de março de 2015

Construindo Nosso Tabernáculo/Templo



Nesse ano estudaremos juntos as parashiot Vaiakhel e Pekudei... bom pra aprender mais sobre o Tabernáculo (Êx 37:17 a Êx 39:21)

Quando observamos o texto dessa parashah com o estudo nas parashiot Tetsavê e terumah, estudadas nas ultimas semanas, qual a diferença? O texto é basicamente o mesmo, observemos Êx 37:17-24 e Êx 25:31-39 falando da menorah... porque a Torah repetiu tudo? 
Porque em êxodo 25 fala: “e farás” e em Êx 37 diz: “e fizeram” isso mostra que uma coisa é conhecer a vontade do Eterno e outra, bem diferente é fazer. Muita gente lê a bíblia, mas não cumpre. Isso nos faz lembrar do rei Saul, quando foi-lhe dito para destruir os amalequitas e tudo que lhes pertencia, mas ele resolveu preservar o rei e parte dos animais (bons) para o sacrifício. Quando o profeta Samuel perguntou a ele, a resposta foi: “eu cumpri a vontade do Eterno” mas sabemos que isso não é verdade. Ele tentou “aperfeiçoar” o mandamento do Eterno. 
Há uma grande diferença entre cumprir uma ordem, e aperfeiçoar a ordem.... ao fazer isso, Saul dizia: “Deus mandou eu fazer isso, mas tenho uma idéia melhor.”

Mas porque então hoje devemos estudar sobre o Tabernáculo, e depois sobre o Templo, se já nem sequer existem mais e sua finalidade de sacrifícios tambem já se cumpriu? Porque os sacrificios nos trazem a expiação dos pecados, e isso nos conecta com Yeshua... e da mesma forma devemos observar cada detalhe do tabernaculo como uma forma de nos conectarmos com o Sagrado...

Pensando nisso, vamos entender um pouco mais de como a menorah, o incenso e o tabernáculo podem nos aproximar de D-us.
Porque o Eterno pediu que Israel fizesse o tabernaculo?
Êxodo 25:8  E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.

O tabernáculo no deserto e, mais tarde o templo, em Jerusalém, representavam a presença do Eterno no meio do povo. 
Quando Yeshua veio, e o véu do templo se rasgou e passamos a ter acesso direto ao Eterno, aquele templo deixou de existir, mas passou a existir dentro de nós, e por isso é tão importante entendermos seus significados. 
Quando Ele curou dez leprosos e apenas um “guer” (estrangeiro) voltou a agradecer, Yeshua disse: “não procurem o reino, ele não vem com aparência visível, mas está dentro de vocês...”(Lc 17:11-21)
Da mesma forma o templo, não é pra ser pensado como um lugar pra ir, ele está dentro de nós e em verdade, como disse Shaul, nós somos o templo do Espírito Santo. 
2 Coríntios 6:16  E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

Devemos construir dentro de cada um de nós esse templo. A nossa relação com o Eterno não depende de um lugar, mas de nossas atitudes, nosso amor, nosso coração. 
Partindo desse principio, pra que servia a menorah?
Eram sete lâmpadas, em que as de fora iluminavam em direção ao centro, à setima lâmpada, assim como os seis dias da semana apontam para o shabat... iluminando esse dia. 
Não devemos viver esperando que o shabat, o templo, a sinagoga, nos santifique, mas a nossa vida diária com Deus, ela que faz o shabat o momento mais sagrado. 

Êxodo 27:20  Tu, pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente.
É nosso dever manter a lâmpada acesa CONTINUAMENTE com o mais puro azeite... não dá pra construir uma relação com o sagrado se vivermos uma vida sem azeite puro, sem santidade, sem comunhão... e isso vem através do que?
Através de nossas orações! Um relacionamento só se desenvolve onde há conversa e comprometimento...

Ap 5:8-10  e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação  e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.

É assim que nossas orações devem ser recebidas, como incenso suave diante do Eterno, em taças de ouro, tão valiosas quanto as preces de um justo. 

As lideres da Kol HaNashi estao se unindo num proposito de buscarem ao Eterno nas madrugadas, rezando juntas, as três da manhã... e isso é um incenso... quantos querem apenas receber de Deus e poucos estão dispostos a desenvolverem essa conexão... Sem conexão, sem resposta, sem bênção...

Faça de sua semana uma menorah, trazendo luz para o shabat congregacional e faça da sua vida diária um altar de incenso, que sobe como um cheiro suave... pois é só assim que faremos de nossa vida um tabernáculo para que Deus habite no meio de nós. 

Chazak! Chazak! Venit Chazek! Força, força, que sejamos todos fortalecidos!

terça-feira, 6 de março de 2012

Vaiakhel, Pekudei, vamos trabalhar e aprender juntos...


Agora que estamos finalizando o livro de Shemot, com duas porções JUNTAS, é propício meditarmos no fato de que podemos e devemos trabalhar JUNTOS. Essa é uma lição que nos ensinaram dois grandes mestres dos tempos de Moshê Rabeinu: Aoliabe e Bezalel.

A Torah declara: “Porque Moisés chamara a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem sábio de coração em cujo coração o SENHOR tinha dado sabedoria, isto é, a todo aquele a quem o seu coração movera que se chegasse à obra para fazê-la.” (Êx 36:2) Esses dois homens eram mestres, artistas, trabalhavam com vários tipos de materiais diferentes e tinham um grande dom. Junto com eles, vários outros homens sábios trabalhavam na construção e montagem do Mishkan.

Mesmo quando se tem mais “talento e capacidade” do que os outros, como era o caso desses dois homens, o sábio é aquele que consegue compartilhar as atividades, dividir as responsabilidades, embora tenha ciência de que a maior responsabilidade é dele.

Aoliabe e Bezalel eram os responsáveis, mas a diferença deles para muitos hoje é que: “Também lhe tem disposto o coração para ensinar a outros, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã.” (Êx 35:34)

Compartilhar de seu conhecimento, sabedoria com pessoas de menos capacidade (ou que não tiveram a oportunidade certa) é um privilégio. Ver a evolução das pessoas, a alegria delas em aprender é algo valioso e de forma alguma diminui o “status do profissional” que o ensina.

Há alguns anos atrás fiz parte de um projeto voluntário (que ainda existe) chamado CDI - Comitê para Democratização da Informática - em que fiz um curso para aprender a dar aulas para comunidades carentes. Foi pouco tempo, mas uma experiência fantástica e enriquecedora. Dei aulas para jovens órfãos, que viviam numa instituição que os abrigava. A alegria deles diante de um computador, aprendendo a digitar as primeiras palavras, lições de cidadania, fazia com que eles percebessem que eram respeitados, e que o "professor" não estava ali para os humilhar, mas para compartilhar de experiências e conhecimento. Todos deveriam gastar um pouco de tempo para ensinar os outros, sem se vangloriar, apenas pelo prazer de ser Aoliabe e Bezalel, que tinham o coração disposto para ensinar os outros.

Há muitas coisas para se fazer, você que toca instrumentos pode ensinar musica, você que canta, pode ensinar a cantar, montar um coral (ainda que todos sejam desafinados) e dar oportunidade aos outros, você que trabalha com computador, pode ensinar noções básicas, internet, enfim... sempre há pessoas que podem aprender, desde que você esteja com o coração de Aoliabe batendo no peito.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Parashah Pekudêi: obra pronta!


Esta é a porção da Torah que conclui o livro de Shemot (Êx 38:21 a 40:38) e ela apresenta uma grande lição para nós. FAÇA O TRABALHO DIREITO!

Mas de onde tiramos isso? De todo o contexto da parashah, pois basta um olhar um pouquinho mais atento para aprender como se trabalha.
A parashah começa com a enumeração (pekudêi) de tudo que foi gasto na construção do Mishkan e de todos os utensílios por Aoliabe e Bezalel, mostrando que devemos saber em que gastamos o recurso. Não dá pra falar: “Esse mês gastei além da conta, não sei no que que foi tanto dinheiro!” Também não dá pra ficar pedindo mais dinheiro “pra terminar a obra.” Devemos trabalhar dentro do estabelecido, sabendo exatamente com investimos o dinheiro. Organização é fundamental, seja na kehilah, seja na vida particular, dentro de casa. Quem não sabe onde está gastando e quanto está gastando, logo logo fica endividado e vai continuar sem saber “por onde está vazando o dinheiro.”

Aí a parashah segue e finalmente o tabernáculo é entregue a Moshe, com tudo pronto, e a Torah declara: “Conforme tudo o que o SENHOR ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel toda a obra. Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o SENHOR ordenara, assim a fizeram; então, Moisés os abençoou.” (Ex 39:42,43)

Fizeram tudo o que foi ordenado, mas não é só isso: o grande diferencial é que FIZERAM TUDO CONFORME FOI ORDENADO. Ninguém teve idéias brilhantes pelo meio do caminho, modificando o projeto inicial do Eterno... ninguém quis usar um material similar, mais barato... ninguém quis esbanjar material (afinal, o dinheiro não sai do meu bolso mesmo, posso gastar a vontade, pois o patrão é rico!!!) Eles fizeram exatamente o que foi determinado.

Qual o resultado de fazer exatamente o determinado? “Então, MOSHE OS ABENÇOOU.” Quem faz as coisas da maneira correta é abençoado. Só quem faz o certo!
Isso serve em todos os âmbitos, familiar, kehilah, secular, trabalho... Se você é bom funcionário, faz como foi determinado, não desperdiça material, presta contas corretamente de seu trabalho, certamente vai ser reconhecido, as vezes através de um aumento salarial, através de uma promoção, através de um benefício.
Pense nisso! Se você quer um aumento, quer ser reconhecido, faça a coisa certa!