quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Bereshit e os homônimos. Cada um é cada um!



Gn 5: 18  Jarede viveu cento e sessenta e dois anos e gerou a Enoque.

Ao ler essa parashah nos deparamos com uma genealogia, mostrando as gerações a partir de Adam. Se lermos atentamente já a partir do capítulo quatro, veremos que a maioria dos homens gerou filhos e filhas, mas é evidente que nem todos foram citados nominalmente (nem a quantidade de filhos).

Na quarta Aliah de acordo com o ciclo trienal (Gn 5:15-20) temos a geração de Jarede, descendente de Shet. O que a citação de genealogia pode nos ensinar? Muita coisa!

1) Todos temos pai e mãe. É bom saber de onde viemos, e reconhecer e respeitar (porque o mandamento diz que devemos honrar pai e mãe para que tenhamos longos dias)
2) Ainda que nossos pais são responsáveis por nossa criação, nem todos seguimos o caminho por eles idealizado.
3) Nesse caso especifico, a genealogia mostra que as gerações que sucederam à primeira foram tendo sua vida encurtada, à medida que se afastavam do fruto da vida, e do espírito e da presença do Senhor.
4) Nomes, muitos nomes, e nem sempre o nome que carregamos retrata aquilo que nós somos. E é aqui que quero fazer o breve comentário de hoje...

Jarede gerou a Enoque. Enoque já viveu trezentos e sessenta e cinco anos. Seu filho Matusalém foi o que viveu mais, alcançando 969 anos de vida.

De acordo com alguns dicionários de nomes, Enoque significa literalmente: “o Iniciado, dedicado, consagrado”. Está associado à hanakh “ele dedicou, ele consagrou” e hannukkah “dedicação, consagração”.

Pode-se dizer que esse Enoque cumpriu o que seu nome diz, pois a Torah declara que ele andava com Deus. A bíblia até traz uma citação diferente a seu respeito ao dizer: “E andou Enoque com Deus; e não se viu mais, porquanto Deus para si o tomou.” (Gn 5:24) 

Aqui cabe citar que de acordo com alguns, baseado nesse verso, Enoque não morreu, estando vivo até hoje, no céu...
O livro da Torah, editora Sefer, diz em seu comentário que ele MORREU. Já o livro Torati, na página 19, diz que ele NÃO MORREU, mas no comentário diz: “Quando uma pessoa vive andando com Deus, isto é, obedecendo a Seus Mandamentos e imitando Sua Conduta, ao educar seus filhos ele transfere conhecimentos de validade eterna, sendo lembrada por gerações e gerações, o que a torna “imortal”. 

Cabe ressaltar que Hebreus, na Brit Chadashah cita Enoque entre os “heróis da fé” ao dizer: “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque Deus o trasladara, visto como, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus.... Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; ...” (Hb 11:5,13) Enoque morreu! 

Mas voltando à genealogia, o tema aqui não é se ele morreu ou não, é o nome dele, de ser consagrado... nem todo mundo se dá conta de que antes dele houve um outro Enoque, filho de Caim...
Gn 4:17-18 - E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu e teve a Enoque; e ele edificou uma cidade e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoque. E a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael, e Metusael gerou a Lameque.

Se observarmos bem, Enoque, filho de Caim, teve um tataraneto chamado Lameque. Esse Lameque foi o primeiro que consta ter duas esposas na Bíblia. E esse Lameque nada tem a ver com o outro Lameque, que foi o pai de Noé. (Gn 5:28,29) O pai de Noé veio da descendência de Shet. 

Embora ambos os Lameques tivessem nomes iguais, eles tiveram postura de vida diferentes. O mesmo ocorreu com os Enoques. 
É evidente que quando escolhemos o nome de nossos filhos, escolhemos nomes “positivos” (Quantas vezes você conheceu alguém chamado Caim? Mas quantos Abel existem?) Mas não basta dar um nome bonito, temos que educá-los com boa educação, chinuch, transmitir a eles bons principios. Isso garante um bom futuro? Que ele será uma boa pessoa? Não!

Seja como for, são nossos filhos que escolherão o caminho por onde irão trilhar, e da mesma forma, após a conversão, ao recebermos um novo nome, espera-se que também saibamos escolher um bom caminho e que o nosso nome nos inspire a seguir a vontade do Eterno.

Seja você um Enoque, Lameque, Yehoshua, Hannah ou Sarah, saiba que é você quem escolhe seus caminhos, e não, eles não são determinados pelo nome escolhido, mas por suas próprias escolhas durante a vida. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Bereshit e a vida de Shet ben Adam



Gn 5:6-8 - E viveu Sete cento e cinco anos e gerou a Enos. E viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Sete novecentos e doze anos; e morreu.

A segunda aliah desse ciclo trienal compreende os versos de Gn 5:6-8 e falam da vida de Shet, o filho de Adam. O que podemos aprender com a vida dele, relatada brevemente nestes três versos?

Primeiro lugar, há duas razões pelas quais o nome de Shet é citado, como descendente de Adam.
1) Em Gn 5:4 fala que Adam teve filhos e filhas, depois de ter gerado a Shet. Nossos sábios contam que só Shet foi citado porque dele veio a sequência que chegou a Avraham Avinu, portanto, de Shet vieram os filhos de Israel.
2) Em Gn 4:25 temos:”E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ela teve um filho e chamou o seu nome Sete; porque, disse ela, Deus me deu outra semente em lugar de Abel...”
Shet veio para “substituir” o filho Abel. 
A perda de um filho causa uma dor irreparável aos pais; cada filho é único, ele tem o dom de conquistar os pais, seja com pequenos gestos ou grandes atos; e não importa se um filho é excelente ou seja mau, todos os pais amam seus filhos. Por isso mesmo Abraão, nosso patriarca, sofreu ao dispensar Ishmael, porquanto este zombava de Isaque. Para Sarah, obviamente foi muito fácil, pois ela não era mãe de Ishmael. 
Temos uma facilidade enorme de criticar os filhos alheios, de apontar, dizer que merecem ser punidos, que deviam ser excluídos da comunidade,... mas só pais sabem a dor que isso causa. Lembremo-nos do caso do profeta Jonas, que queria que os ninivitas fossem destruidos, mas teve misericórdia da aboboreira. Isso explica como estamos distantes do atributo divino da misericórdia, da capacidade de nos compadecermos e de nos colocarmos no lugar dos outros. 

Enfim, Shet veio para ocupar o espaço deixado pela dor da perda de Abel. Ele nunca seria capaz de ser como Abel, mas ele podia preencher a lacuna, o vazio no coração dos pais. 
Nós, ao casarmos, devemos ter em mente a intenção de gerar FILHOS. Quem tem um único filho, corre o risco de, D-us nos livre, mais tarde ver o filho falecer e não ter mais condições de gerar um novo filho pra amenizar o vazio. Pensem nisso!

Abel foi aquele que apresentou uma oferta agradável diante do Eterno (e por isso foi morto pelo irmão Caim) e Shet teve a dificil missão de estar “no lugar” de Abel. Shet gerou a Enosh, e a Torah diz: “A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do SENHOR.”

Em Enosh, o neto de Adam, começou-se a buscar ao Eterno, a invocar o nome dEle. Pode-se dizer que a “religião, a fé” começou com Enosh, o descendente daquele que ocupou o espaço deixado pelo primeiro homem a agradar ao Eterno com sua oferenda.

Quando nascemos, fomos frutos de um sonho de nossos pais, que, invariavelmente, amam os filhos desde o ventre, fazem planos, sonham com um filho bom, brilhante, cheio de boas obras. Não consigo imaginar que possa haver pais que não desejem boas coisas e o bem ao filho e que não façam planos e sonhem com isso.

Adam gerou Shet, quando tinha 130 anos e viveu mais 800 anos depois disso. Shet gerou a Enosh, quando tinha 105 anos, então isso significa que Adam viu Enosh por 695 anos, e pôde ver seu neto invocando o nome do Eterno. E a história positiva (e negativa) seguindo...

Que esse breve relato da vida de Shet nos sirva de exemplo e aprendizado para que sejamos capazes de criar nossos filhos para o bem, e que eles estejam entre aqueles que “invocam o nome do Eterno.”

Shavuah Tov!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Bereshit e a semelhança com o Criador



Gn 5:1 - Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez;

Estamos reiniciando o ciclo de estudos da Torah, e após os vários dias festivos, é sempre bom o recomeço e nos inspiramos e renovamos, acreditando que esse ano será melhor e que aprenderemos mais e mais da Torah e da vontade do Eterno. 
Para nossa comunidade, esse é o início do terceiro ciclo da Torah, então, a porção de Bereshit compreende o texto de Gn 5:1 a 6:8. Como temos incentivado, procure nesse ano, estudar, ler a cada aliah em sua porção diária (hoje, compreendendo Gn 5:1 a Gn 5:5, apenas cinco versos)

O primeiro verso desse ciclo nos lembra que o Eterno criou o homem à semelhança de D-us. Como assim?
O primeiro homem, Adam, era semelhante ao Criador em suas características, seu caráter, sua personalidade, não em sua forma física. 
Se crermos que o Eterno é como nós, com braços, pernas, orelhas, nariz, estaremos indo contra o terceiro princípio da fé judaica, que diz: “Ani maamin beemuna shelema, shehaborê yitbarach shemo êno guf, velo iassigúhu massiguê, veên lo shum dim’ion kelal.” ou seja: “Eu creio, com fé completa, que o Criador, bendito seja Seu nome, não é corpo e não se pode assemelhar à matéria. E Ele não tem nenhuma comparação com qualquer coisa.” (Sidur, pagina 120)

Alguém pode perguntar, como ficam aqueles versos que falam que o Eterno tem braços, mãos (Eis que a mão do Senhor não está encolhida, nem surdo o seu ouvido...) nariz, olhos... etc...?  D-us, em Sua infinita sabedoria, nos propicia na Bíblia formas de entendermos a vida, e o uso de termos como as partes do nosso corpo nos dá a oportunidade de compreendermos um pouco mais acerca daquilo que Ele quer, da relação que D-us quer que construamos com Ele. 

Há várias interpretações rabínicas a respeito de que semelhanças o homem tinha com o Criador; alguns colocam o homem como semelhante na questão espiritual, outros no caráter, outros na capacidade de pensar, no domínio sobre a terra e os animais, no principio, assim como o Criador. 
Eu prefiro sempre o homem semelhante ao Criador no caráter, na capacidade de ser misericordioso, de pensar, perdoar, ajudar... tanto que quando alguém tem um gesto de generosidade, as pessoas logo atribuem isso dizendo que tal gesto “é divino” “só pode ser de Deus” ou algo semelhante.

Como estamos iniciando o ano, é tempo de renovar nossas esperanças de que o homem reencontre dentro de sí o caráter divino, essa semelhança com o Criador. Eu espero por isso, anseio por isso, e se realmente revelarmos dentro de cada um de nós esse caráter divino, seremos capazes de fazer o tão falado “Tikkun Olam”  a restauração do mundo, através do Mashiach Yeshua, que vive dentro de cada um de nós. 

Para concluir, hoje, enquanto saí do escritório para vir à sinagoga, minha carteira caiu de meu bolso e não percebi. De repente, meu celular tocou e era uma senhora dizendo que havia encontrado minha carteira na rua, próximo à CINA, e ela gostaria de me devolver. Prontamente fui até a casa dela e ela me entregou; eu tinha uns trocados e resolvi dar à ela vinte reais, como gratidão, e apesar de eu insistir, ela e o marido rejeitaram e disseram: “não fizemos nada demais, isso era nossa obrigação”. Agradeci e voltei pra sinagoga com as esperanças renovadas de que ainda há pessoas de bem, pessoas que, mesmo entre os gentios, mostram os traços de caráter divino dentro de si, ainda restando um pouquinho do Adam dentro delas, um pouquinho de semelhança com o Criador. 

Shavuah tov e bom estudo de parashah, bom ciclo, bom reencontro com o Sagrado nesse ano de 5776.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Parashah Matot / Massei: Tamu Junto? Será verdade mesmo?



Nm 32:6 - Porém Moisés disse ao filhos de Gade e aos filhos de Rúben: Irão vossos irmãos à guerra, e ficareis vós aqui?

Ao chegarmos em mais essa porção e concluirmos o livro de Bamidbar, vemos duas parashot juntas (Mechubarot). Matot e Massei (Tribos e Jornadas) O próprio nome das parashot já nos ensina muita coisa.

O midrash diz que quando Moshê abriu o Mar para o povo passar, na saída do Egito, o mar não se abriu em dois, e todos passaram juntos, mas que o mar teria se aberto em doze túneis e as tribos passaram em separado, cada qual em seu túnel; alguns dizem que pode ser para preservar cada tribo em seu lugar, outros dizem que é porque elas não conseguiam viver unidas e brigariam. Enfim, seja apenas um midrash ou seja correto, o fato é que hoje, ao ler o relato, vemos que de fato, na maioria das vezes, pessoas buscam seu proprio interesse.

Vejamos o que ocorreu:
Nas primeiras aliot desse ciclo trienal lemos que as tribos de Ruben e Gade pediram pra ficar nas terras de Gielade, antes de cruzarem o Jordão. O verso inicial diz: “Viram que a terra de  Jazer e de Gileade era lugar de gado.” (Nm 32:1)
Como eles possuiam gado, achaaram a terra boa pra eles e pronto, já queriam ficar por ali. Resultado: Levaram uma sonora bronca de Moshê.

É engraçado como para algumas pessoas, a atitude inicial de Ruben e Gade são semelhantes... ou seja, estamos juntos até a hora que atingirmos nossos objetivos (pessoais) e daí em diante, vocês que sigam sozinhos. Estamos na sociedade, na congregação, até o momento em que comprarmos (todos juntos) o nosso imóvel, ajeitarmos nossa congregação e aí; bom aí, já tá tudo certo pra nós... vocês que se virem, vamos ficar aqui desse lado do Jordão. 

Isso é típico de pessoas egoístas, que entram no grupo até que eles se sintam beneficiados, daí caem fora. Bom, já temos a nossa Beit (comprada por exemplo com dinheiro de todas as kehilot unidas) e podemos seguir nosso rumo sozinhos. Que decepção!

Moshe diz: “Irão vossos irmãos à guerra, e ficareis vós aqui? Por que, pois, desanimais o coração dos filhos de Israel, para que não passem à terra que o SENHOR lhes deu?” 
A atitude egoísta deles faria com que os demais irmãos, as demais tribos se desanimassem. 

E o discurso de Moshê aos Rubenitas e Gaditas conclui-se com: “Eis que vós, raça de homens pecadores, vos levantastes em lugar de vossos pais, para aumentardes ainda o furor da ira do SENHOR contra Israel. Se não quiserdes segui-lo, também ele deixará todo o povo, novamente, no deserto, e sereis a sua ruína.” (Nm 32:14-15)
Moshê chama as duas tribos de pecadores, causadores da ira do Eterno, e responsáveis pela queda e destruição DE TODO O POVO. 

Eles, assim como todos podem ter gestos egoístas, viram a oportunidade de  se beneficiar, acharam a terra boa para seu rebanho e pronto. Falando abertamente: E as demais tribos? “Dane-se todos!”
A diferença de Ruben, Gade e os causadores de divisão hoje reside no fato de que Ruben e Gade deram ouvidos a Moisés. Eles ficariam com aquela terra, porque era boa para eles, mas continuariam juntos às demais tribos, nas guerras, nas conquistas, até que todas tivessem estabelecidas em seus devidos lugares. 

Uma frase comum hoje é: “TAMU JUNTO”  mas será mesmo?

Antigamente as tribos eram definidas por familiares, pelos clãs, então tinhamos os rubenitas, gaditas, levitas,... hoje, tribos modernas se unem por seus interesses comuns, então temos as tribos dos skatistas, dos góticos, dos nerds, dos gamers, enfim, temos vários grupos de pessoas que se unem e formam uma “tribo”. 
Há pessoas honestas, que preservam sua fidelidade às crenças, e respeitam os demais grupos que estão caminhando lado a lado. Tem certas coisas que só funcionam se todos forem fiéis. Os infiéis são aqueles que se aproveitam, ficam “JUNTOS” até o dia do benefício próprio. Aí mostram seu caráter e falta de responsabilidade.

Em suma: dizer TAMU JUNTO é fácil, o difícil é ser como Ruben e Gade, ouvirem o conselho de Moshê e, deixando o egoísmo de lado, seguir ao lado dos irmãos e não ser causadores DA DESTRUIÇÃO DO POVO. 

A propósito: o correto é ESTAMOS JUNTOS, e preservar nossa língua é bom. 
Que o Eterno nos permita não apenas estarmos juntos, mas sermos um, sempre!

terça-feira, 30 de junho de 2015

Parashah Balak e será que estamos entendendo?


A parashah dessa semana Balak compreende o texto da Torah em Nm 22:2 a Nm 25:9 e, como sempre, traz ensinos maravilhosos.

Sl 92:6-8 - O inepto não compreende, e o estulto não percebe isto: ainda que os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniqüidade, nada obstante, serão destruídos para sempre; tu, porém, SENHOR, és o Altíssimo eternamente.

A nossa visão muitas vezes nos engana, no que é chamado de ilusão de ótica, assim como as palavras muitas vezes conduzem ao engano quando são mal interpretadas. 
Para falar da parashah de Balak, cujo personagem principal é Bilam, esse é um detalhe importante. O que você vê? Como você julga? De que forma entendemos os desígnios de D-us?

O texto inicial de Salmos 92 nos mostra que “o inepto não compreende” e o que é inepto? 
De acordo com o dicionário, inepto é aquele que não é inteligente, que é incapaz. 
Da mesma forma o estulto, insensato, ignorante não é capaz de perceber as coisas. Ambos se assustam ao ver o ímpio florescendo, os iníquos “parecendo levar vantagem” e aí interpreta de forma errônea e por vezes é tentado a ficar do lado dos tais, afinal “tudo está tão evidente”. O texto diz: “nada obstante, serão destruídos para sempre. Tu, porém, Senhor, és o Altíssimo eternamente.”

O mundo está cheio de pessoas assim, que julgam, condenam, defendem aqueles que não merecem crédito, e depois, acabam envergonhados. Mas o que isso tem a ver com a parashah de Balak? Vejamos: 

Nm 22:2,3 - Viu, pois, Balaque, filho de Zipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus;Moabe teve grande medo deste povo, porque era muito; e andava angustiado por causa dos filhos de Israel;
Israel havia aniquilado os amorreus, e isso fez com que Balaque e os moabitas ficassem com medo, angustiados. O texto diz que Balak VIU. Nem sempre VER é ENTENDER. Primeiro, o que ele viu? Israel aniquilar com os amorreus! E baseado nisso ele tirou todas as conclusões precipitadas. 

Por qual motivo Israel destruiu os amorreus? 
Nm 21:21-24. Israel só queria passar pelo lugar onde habitava os amorreus. Foram os amorreus e seu rei Seom que se recusaram a prestar um favor, permitindo-os passar, preferiram ser maus e por isso acabaram sendo derrotados.
Balak e os moabitas não tinham o que temer, era só permitir que Israel passasse, quem sabe oferecendo ajuda, pouso... mas Balak VIU Israel destruir os amorreus.

Quantas vezes “vemos” coisas, já fazemos julgamento, ficamos com medo, acusamos, sem sequer saber ao certo o que acontece? Quantas vezes nos angustiamos com algo que não tem sentido? 
Nm 22:4... Agora, lamberá esta multidão tudo quando houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo.
Era intenção de Israel destruir tudo? devorar e consumir tudo que estivesse em torno deles? Claro que não... Israel caminhava em busca de uma terra prometida, e não era Moabe. 

Balak faz o que a maioria faz: junta-se com alguém para “amaldiçoar” o inimigo. (Nm 22:5-6) Não dá pra pensar que é correta uma pessoa que se une a outros para “destruir”. 
Há tantos bons caminhos, o da generosidade é o melhor deles. Balak podia ter sido generoso com Israel. Faria um aliado do bem, teria um amigo em momentos de crise. Quando estendemos a mão para ajudar pessoas (especialmente quando não temos interesses pessoais nisso), elas tornam-se nossas amigas. 
Balak contratou alguém para amaldiçoar Israel. Como pode alguém ser bom, querendo amaldiçoar? Ao escolher amigos, devemos observar se esta pessoa visa o bem geral, se não se dedica a destruir vidas, com seus objetivos escusos. 

Há um outro aspecto nessa história de Balak e Balaão:  veja o que Balaão disse a Balak:
Nm 23: 8 “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem o SENHOR não denunciou?”
Falar mal de Israel, do povo de Deus não é uma boa idéia, desde os tempos de Moisés.
Números 23:23  Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!
 (Rm 11:1-5) As pessoas não se dão conta quando falam contra Israel, pois o próprio Shaul diz que Deus NÃO rejeitou Seu povo.
Em Nm 24, temos a prece do Ma Tovu, e o capítulo começa com “vendo Balaão que bem parecia aos olhos do Senhor que abençoasse a Israel...” Nós sabemos o que parece bem aos olhos do Senhor (não aos nossos olhos) e porque não fazer? 

Nm 24: 5-9 - Quão belas são tuas tendas, oh Jacó! Tuas moradas Israel.
Nm 24:9 - Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem.

Desejo a você boas escolhas, boas decisões e bons amigos. Associar-se com quem visa amaldiçoar Israel nunca foi boa idéia. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Chukat e o privilégio de enxergar



Nm 20:5 - E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?

Na parashah de chukat, segue o povo contendendo contra seu líder Moshe, a triste sina de quem só sabe reclamar da vida e não consegue ser capaz de visualizar as coisas boas, os avanços, e ser grato por isso. 

Só para recordar:
• Israel havia sido feito escravo de faraó no Egito, daí pediram por um libertador, e o Eterno os enviou Moisés.  Isso me faz lembrar as pessoas que pedem algo a D-us e depois que recebem, reclamam: “ah! não era bem isso que eu queria” como por exemplo, pedem um emprego, pedem um casamento, pedem um filho, pedem pra conhecer a verdade, pedem um líder... mas as coisas do Eterno não são exatamente aquilo que queremos, mas o que é melhor para nós.

• Israel presenciou dez sinais sobre o Egito, antes da libertação chegar. Isso me faz ver que não importa a quantidade de sinais que D-us opere através de seu líder, sempre haverá pessoas de memória curta e que julgarão como irrelevantes tais atos; normalmente essas pessoas acreditam que são capazes de fazer aquilo, mas não. Depois que algo é feito, todo mundo acha fácil; o díficil é ser o que fez. Dificil é abrir o mar com seu cajado; atravessar, e depois de estar do outro lado, em segurança, achar que seria capaz de fazer melhor é fácil.

• Israel sentiu fome e recebeu o maná durante toda a caminhada do deserto. Aqui, nessa parashah de chukat, Israel estava ainda se alimentando do maná, mas não era capaz de ser grato pelo pão que aparecia milagrosamente à porta de suas tendas a cada dia. Lembrando que em Nm 11, eles dizem: “Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.” (Nm 11:6)

Isso só para darmos alguns exemplos, mas sigamos no texto dessa semana; observe o verso inicial: “E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?” (Nm 20:5)

Porque é importante enxergar as coisas como elas são? Olha o que o povo dizia, para onde Moshe os estava levando, para um MAU lugar, que não era de CEREAIS, FIGOS, VIDES, ROMÃS. Que lição podemos tirar disso?

Israel é justamente conhecido pelos seus sete frutos, as sete espécies, então vejamos quais são:
- TRIGO, CEVADA (cereais) FIGO, UVA, ROMÃ, AZEITONA e TÂMARAS.
Em pleno knesset, o parlamento de Israel, há uma menorah  onde os sete braços são representados nas sete espécies, pra lembrar o povo disso. Israel, a terra prometida, é sim uma terra boa, mas o povo insistia em reclamar.
A Terra Prometida não simplesmente tinha estes frutos dos quais o povo reclamava, mas vejamos como eram: “Depois, vieram até ao vale de Escol e dali cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas, o qual trouxeram dois homens numa vara, como também romãs e figos.” (Nm 13:23)
Ora, para quem estava no deserto, ver um cacho de uvas em que era necessário dois homens para carregar, naturalmente não seria uma imagem tão fácil de ser esquecida. Além das uvas, os espias trouxeram também romãs e figos. 

Você pode estar no deserto, mas é preciso ter os olhos abertos para enxergar direito. A Terra Prometida pode estar logo ali na frente, mas ficar reclamando de tudo pode fazer a terra parecer distante. Queixar-se de Moisés era apenas uma forma de desviar o foco, e por isso padeceram. 

Quando a gente desvia nossos olhos do objetivo, não adianta nos mostrarem grandes  cachos de uva, pois diremos sempre: “você nos trouxe para um mau lugar, onde não tem uva.

E pra não dizer que não falei de Mashiach, certa vez Yeshua estava numa cidade chamada Jericó, e um cego que lá havia ficou sabendo que o Mestre passaria por ali, e então, quando se encontraram, Yeshua perguntou: “Que você quer que eu faça?” e ele respondeu: “Que eu veja!” E ouviu: “então vê!” 

Na sua próxima oração, se tiver que pedir algo ao Eterno, pede pra ver, enxergar a realidade, que Ele abra seus olhos para ver. Porque enxergar faz toda a diferença na hora de escolhermos os caminhos que trilharemos nessa vida. 
Quem sabe aí, enxerguemos uvas, figos, romãs, tâmaras, trigo e cevada, e a boa terra que o Eterno separou para nós ao fim da caminhada no nosso deserto. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Construindo Nosso Tabernáculo/Templo



Nesse ano estudaremos juntos as parashiot Vaiakhel e Pekudei... bom pra aprender mais sobre o Tabernáculo (Êx 37:17 a Êx 39:21)

Quando observamos o texto dessa parashah com o estudo nas parashiot Tetsavê e terumah, estudadas nas ultimas semanas, qual a diferença? O texto é basicamente o mesmo, observemos Êx 37:17-24 e Êx 25:31-39 falando da menorah... porque a Torah repetiu tudo? 
Porque em êxodo 25 fala: “e farás” e em Êx 37 diz: “e fizeram” isso mostra que uma coisa é conhecer a vontade do Eterno e outra, bem diferente é fazer. Muita gente lê a bíblia, mas não cumpre. Isso nos faz lembrar do rei Saul, quando foi-lhe dito para destruir os amalequitas e tudo que lhes pertencia, mas ele resolveu preservar o rei e parte dos animais (bons) para o sacrifício. Quando o profeta Samuel perguntou a ele, a resposta foi: “eu cumpri a vontade do Eterno” mas sabemos que isso não é verdade. Ele tentou “aperfeiçoar” o mandamento do Eterno. 
Há uma grande diferença entre cumprir uma ordem, e aperfeiçoar a ordem.... ao fazer isso, Saul dizia: “Deus mandou eu fazer isso, mas tenho uma idéia melhor.”

Mas porque então hoje devemos estudar sobre o Tabernáculo, e depois sobre o Templo, se já nem sequer existem mais e sua finalidade de sacrifícios tambem já se cumpriu? Porque os sacrificios nos trazem a expiação dos pecados, e isso nos conecta com Yeshua... e da mesma forma devemos observar cada detalhe do tabernaculo como uma forma de nos conectarmos com o Sagrado...

Pensando nisso, vamos entender um pouco mais de como a menorah, o incenso e o tabernáculo podem nos aproximar de D-us.
Porque o Eterno pediu que Israel fizesse o tabernaculo?
Êxodo 25:8  E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.

O tabernáculo no deserto e, mais tarde o templo, em Jerusalém, representavam a presença do Eterno no meio do povo. 
Quando Yeshua veio, e o véu do templo se rasgou e passamos a ter acesso direto ao Eterno, aquele templo deixou de existir, mas passou a existir dentro de nós, e por isso é tão importante entendermos seus significados. 
Quando Ele curou dez leprosos e apenas um “guer” (estrangeiro) voltou a agradecer, Yeshua disse: “não procurem o reino, ele não vem com aparência visível, mas está dentro de vocês...”(Lc 17:11-21)
Da mesma forma o templo, não é pra ser pensado como um lugar pra ir, ele está dentro de nós e em verdade, como disse Shaul, nós somos o templo do Espírito Santo. 
2 Coríntios 6:16  E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

Devemos construir dentro de cada um de nós esse templo. A nossa relação com o Eterno não depende de um lugar, mas de nossas atitudes, nosso amor, nosso coração. 
Partindo desse principio, pra que servia a menorah?
Eram sete lâmpadas, em que as de fora iluminavam em direção ao centro, à setima lâmpada, assim como os seis dias da semana apontam para o shabat... iluminando esse dia. 
Não devemos viver esperando que o shabat, o templo, a sinagoga, nos santifique, mas a nossa vida diária com Deus, ela que faz o shabat o momento mais sagrado. 

Êxodo 27:20  Tu, pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente.
É nosso dever manter a lâmpada acesa CONTINUAMENTE com o mais puro azeite... não dá pra construir uma relação com o sagrado se vivermos uma vida sem azeite puro, sem santidade, sem comunhão... e isso vem através do que?
Através de nossas orações! Um relacionamento só se desenvolve onde há conversa e comprometimento...

Ap 5:8-10  e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação  e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.

É assim que nossas orações devem ser recebidas, como incenso suave diante do Eterno, em taças de ouro, tão valiosas quanto as preces de um justo. 

As lideres da Kol HaNashi estao se unindo num proposito de buscarem ao Eterno nas madrugadas, rezando juntas, as três da manhã... e isso é um incenso... quantos querem apenas receber de Deus e poucos estão dispostos a desenvolverem essa conexão... Sem conexão, sem resposta, sem bênção...

Faça de sua semana uma menorah, trazendo luz para o shabat congregacional e faça da sua vida diária um altar de incenso, que sobe como um cheiro suave... pois é só assim que faremos de nossa vida um tabernáculo para que Deus habite no meio de nós. 

Chazak! Chazak! Venit Chazek! Força, força, que sejamos todos fortalecidos!