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sábado, 11 de junho de 2016

Números ou No Deserto? Qual o mais importante? Bamidbar responde!



Parashah Bamidbar (No Deserto) Nm 1:1 a Nm 4:20 

Números tem esse nome obviamente por razão da contagem dos israelitas na caminhada do deserto. Cada um interpreta à sua maneira... mas o que seria mais importante? O número de pessoas que saiu, ou a caminhada longa pelo deserto?
Para os judeus, o mais importante é o bamidbar, no deserto.  Para goyim, números... pessoas se preocupam muito com números, de pessoas, de templos, de coisas... quando o mais importante é vencermos o deserto que nos está proposto. Porque no fim das contas, o que vale não é a quantidade de pessoas que partiu, mas quais delas entraram na terra prometida. 
Numa maratona, saem 10, 20 mil pessoas correndo, mas no fim, quantos cruzam a linha de chegada? Quem será lembrado no fim das contas?

Falando no deserto, a parashah de Bamidbar nos mostra que D-us requer de Seu povo organização. Um povo organizado serve de exemplo e inspiração para os demais. 
Dt 4: 5-8 Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?

Ao sair Israel do Egito, o Eterno fez questão de organizar a vida judaica, já logo na primeira oportunidade. Sabemos que levou um ano desde a saída até que o Mishkan fosse erguido, e essa parashah diz: “no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito...” (Nm 1:1)
A partir daí foi feita a contagem, e a organização do povo. E como estava organizado? 

Nm 2:1,2 E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: Os filhos de Israel assentarão as suas tendas, cada um debaixo da sua bandeira, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, defronte da tenda da congregação, assentarão as suas tendas.

A vida judaica, desde aquela época, era em torno da “Casa de Deus” Onde temos montado nossa tenda? Você se preocupa em quanto sua casa, sua vida, está distante da “tenda do testemunho”

Organização: Três tribos de cada lado, e os levitas em torno do tabernáculo. Foi isso que viu Bilam, ao desejar amaldiçoar Israel, mas só foi capaz de abençoá-los.
Nm 24:5,6 - Que boas são as tuas tendas, ó Jacó! Que boas são as tuas moradas, ó Israel! Como vales que se estendem, como jardins à beira dos rios, como árvores de sândalo que o SENHOR plantou, como cedros junto às águas.

O midrash diz que quando Bilam observou as tendas de Israel, viu que elas estavam dispostas de tal forma que ninguém observava a tenda do seu vizinho. 
A beleza de uma tenda também se revela no quanto há de discrição dentro dela e o quanto ela é aquecida pela coluna de fogo durante as noites do deserto e abrigada do calor sob a sombra da nuvem, que pairava sobre o Mishkan... quanto mais distante do mishkan, menor a possibilidade de ser alcançado pela sombra e pelo fogo que é proveniente do Eterno. 

Sl 84:10 10  Porque vale mais um dia nos teus átrios do que, em outra parte, mil. Preferiria estar à porta da Casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade.  Porque o SENHOR Deus é um sol e escudo; o SENHOR dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão. SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança.

Somos nós é quem escolhemos como e onde montaremos nossas tendas... e somos nós é quem escolhemos se chamamos o livro de bamidbar ou números. Vale a quantidade ou vale vencer o deserto... cada um decide. 
Se optarmos por uma vida junto ao mishkan, mesmo Bilam irá dizer: “Quão belas são tuas tendas, ó Jaco! Teus tabernáculos, Israel!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Parashah Matot / Massei: Tamu Junto? Será verdade mesmo?



Nm 32:6 - Porém Moisés disse ao filhos de Gade e aos filhos de Rúben: Irão vossos irmãos à guerra, e ficareis vós aqui?

Ao chegarmos em mais essa porção e concluirmos o livro de Bamidbar, vemos duas parashot juntas (Mechubarot). Matot e Massei (Tribos e Jornadas) O próprio nome das parashot já nos ensina muita coisa.

O midrash diz que quando Moshê abriu o Mar para o povo passar, na saída do Egito, o mar não se abriu em dois, e todos passaram juntos, mas que o mar teria se aberto em doze túneis e as tribos passaram em separado, cada qual em seu túnel; alguns dizem que pode ser para preservar cada tribo em seu lugar, outros dizem que é porque elas não conseguiam viver unidas e brigariam. Enfim, seja apenas um midrash ou seja correto, o fato é que hoje, ao ler o relato, vemos que de fato, na maioria das vezes, pessoas buscam seu proprio interesse.

Vejamos o que ocorreu:
Nas primeiras aliot desse ciclo trienal lemos que as tribos de Ruben e Gade pediram pra ficar nas terras de Gielade, antes de cruzarem o Jordão. O verso inicial diz: “Viram que a terra de  Jazer e de Gileade era lugar de gado.” (Nm 32:1)
Como eles possuiam gado, achaaram a terra boa pra eles e pronto, já queriam ficar por ali. Resultado: Levaram uma sonora bronca de Moshê.

É engraçado como para algumas pessoas, a atitude inicial de Ruben e Gade são semelhantes... ou seja, estamos juntos até a hora que atingirmos nossos objetivos (pessoais) e daí em diante, vocês que sigam sozinhos. Estamos na sociedade, na congregação, até o momento em que comprarmos (todos juntos) o nosso imóvel, ajeitarmos nossa congregação e aí; bom aí, já tá tudo certo pra nós... vocês que se virem, vamos ficar aqui desse lado do Jordão. 

Isso é típico de pessoas egoístas, que entram no grupo até que eles se sintam beneficiados, daí caem fora. Bom, já temos a nossa Beit (comprada por exemplo com dinheiro de todas as kehilot unidas) e podemos seguir nosso rumo sozinhos. Que decepção!

Moshe diz: “Irão vossos irmãos à guerra, e ficareis vós aqui? Por que, pois, desanimais o coração dos filhos de Israel, para que não passem à terra que o SENHOR lhes deu?” 
A atitude egoísta deles faria com que os demais irmãos, as demais tribos se desanimassem. 

E o discurso de Moshê aos Rubenitas e Gaditas conclui-se com: “Eis que vós, raça de homens pecadores, vos levantastes em lugar de vossos pais, para aumentardes ainda o furor da ira do SENHOR contra Israel. Se não quiserdes segui-lo, também ele deixará todo o povo, novamente, no deserto, e sereis a sua ruína.” (Nm 32:14-15)
Moshê chama as duas tribos de pecadores, causadores da ira do Eterno, e responsáveis pela queda e destruição DE TODO O POVO. 

Eles, assim como todos podem ter gestos egoístas, viram a oportunidade de  se beneficiar, acharam a terra boa para seu rebanho e pronto. Falando abertamente: E as demais tribos? “Dane-se todos!”
A diferença de Ruben, Gade e os causadores de divisão hoje reside no fato de que Ruben e Gade deram ouvidos a Moisés. Eles ficariam com aquela terra, porque era boa para eles, mas continuariam juntos às demais tribos, nas guerras, nas conquistas, até que todas tivessem estabelecidas em seus devidos lugares. 

Uma frase comum hoje é: “TAMU JUNTO”  mas será mesmo?

Antigamente as tribos eram definidas por familiares, pelos clãs, então tinhamos os rubenitas, gaditas, levitas,... hoje, tribos modernas se unem por seus interesses comuns, então temos as tribos dos skatistas, dos góticos, dos nerds, dos gamers, enfim, temos vários grupos de pessoas que se unem e formam uma “tribo”. 
Há pessoas honestas, que preservam sua fidelidade às crenças, e respeitam os demais grupos que estão caminhando lado a lado. Tem certas coisas que só funcionam se todos forem fiéis. Os infiéis são aqueles que se aproveitam, ficam “JUNTOS” até o dia do benefício próprio. Aí mostram seu caráter e falta de responsabilidade.

Em suma: dizer TAMU JUNTO é fácil, o difícil é ser como Ruben e Gade, ouvirem o conselho de Moshê e, deixando o egoísmo de lado, seguir ao lado dos irmãos e não ser causadores DA DESTRUIÇÃO DO POVO. 

A propósito: o correto é ESTAMOS JUNTOS, e preservar nossa língua é bom. 
Que o Eterno nos permita não apenas estarmos juntos, mas sermos um, sempre!

terça-feira, 30 de junho de 2015

Parashah Balak e será que estamos entendendo?


A parashah dessa semana Balak compreende o texto da Torah em Nm 22:2 a Nm 25:9 e, como sempre, traz ensinos maravilhosos.

Sl 92:6-8 - O inepto não compreende, e o estulto não percebe isto: ainda que os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniqüidade, nada obstante, serão destruídos para sempre; tu, porém, SENHOR, és o Altíssimo eternamente.

A nossa visão muitas vezes nos engana, no que é chamado de ilusão de ótica, assim como as palavras muitas vezes conduzem ao engano quando são mal interpretadas. 
Para falar da parashah de Balak, cujo personagem principal é Bilam, esse é um detalhe importante. O que você vê? Como você julga? De que forma entendemos os desígnios de D-us?

O texto inicial de Salmos 92 nos mostra que “o inepto não compreende” e o que é inepto? 
De acordo com o dicionário, inepto é aquele que não é inteligente, que é incapaz. 
Da mesma forma o estulto, insensato, ignorante não é capaz de perceber as coisas. Ambos se assustam ao ver o ímpio florescendo, os iníquos “parecendo levar vantagem” e aí interpreta de forma errônea e por vezes é tentado a ficar do lado dos tais, afinal “tudo está tão evidente”. O texto diz: “nada obstante, serão destruídos para sempre. Tu, porém, Senhor, és o Altíssimo eternamente.”

O mundo está cheio de pessoas assim, que julgam, condenam, defendem aqueles que não merecem crédito, e depois, acabam envergonhados. Mas o que isso tem a ver com a parashah de Balak? Vejamos: 

Nm 22:2,3 - Viu, pois, Balaque, filho de Zipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus;Moabe teve grande medo deste povo, porque era muito; e andava angustiado por causa dos filhos de Israel;
Israel havia aniquilado os amorreus, e isso fez com que Balaque e os moabitas ficassem com medo, angustiados. O texto diz que Balak VIU. Nem sempre VER é ENTENDER. Primeiro, o que ele viu? Israel aniquilar com os amorreus! E baseado nisso ele tirou todas as conclusões precipitadas. 

Por qual motivo Israel destruiu os amorreus? 
Nm 21:21-24. Israel só queria passar pelo lugar onde habitava os amorreus. Foram os amorreus e seu rei Seom que se recusaram a prestar um favor, permitindo-os passar, preferiram ser maus e por isso acabaram sendo derrotados.
Balak e os moabitas não tinham o que temer, era só permitir que Israel passasse, quem sabe oferecendo ajuda, pouso... mas Balak VIU Israel destruir os amorreus.

Quantas vezes “vemos” coisas, já fazemos julgamento, ficamos com medo, acusamos, sem sequer saber ao certo o que acontece? Quantas vezes nos angustiamos com algo que não tem sentido? 
Nm 22:4... Agora, lamberá esta multidão tudo quando houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo.
Era intenção de Israel destruir tudo? devorar e consumir tudo que estivesse em torno deles? Claro que não... Israel caminhava em busca de uma terra prometida, e não era Moabe. 

Balak faz o que a maioria faz: junta-se com alguém para “amaldiçoar” o inimigo. (Nm 22:5-6) Não dá pra pensar que é correta uma pessoa que se une a outros para “destruir”. 
Há tantos bons caminhos, o da generosidade é o melhor deles. Balak podia ter sido generoso com Israel. Faria um aliado do bem, teria um amigo em momentos de crise. Quando estendemos a mão para ajudar pessoas (especialmente quando não temos interesses pessoais nisso), elas tornam-se nossas amigas. 
Balak contratou alguém para amaldiçoar Israel. Como pode alguém ser bom, querendo amaldiçoar? Ao escolher amigos, devemos observar se esta pessoa visa o bem geral, se não se dedica a destruir vidas, com seus objetivos escusos. 

Há um outro aspecto nessa história de Balak e Balaão:  veja o que Balaão disse a Balak:
Nm 23: 8 “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem o SENHOR não denunciou?”
Falar mal de Israel, do povo de Deus não é uma boa idéia, desde os tempos de Moisés.
Números 23:23  Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!
 (Rm 11:1-5) As pessoas não se dão conta quando falam contra Israel, pois o próprio Shaul diz que Deus NÃO rejeitou Seu povo.
Em Nm 24, temos a prece do Ma Tovu, e o capítulo começa com “vendo Balaão que bem parecia aos olhos do Senhor que abençoasse a Israel...” Nós sabemos o que parece bem aos olhos do Senhor (não aos nossos olhos) e porque não fazer? 

Nm 24: 5-9 - Quão belas são tuas tendas, oh Jacó! Tuas moradas Israel.
Nm 24:9 - Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem.

Desejo a você boas escolhas, boas decisões e bons amigos. Associar-se com quem visa amaldiçoar Israel nunca foi boa idéia. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Chukat e o privilégio de enxergar



Nm 20:5 - E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?

Na parashah de chukat, segue o povo contendendo contra seu líder Moshe, a triste sina de quem só sabe reclamar da vida e não consegue ser capaz de visualizar as coisas boas, os avanços, e ser grato por isso. 

Só para recordar:
• Israel havia sido feito escravo de faraó no Egito, daí pediram por um libertador, e o Eterno os enviou Moisés.  Isso me faz lembrar as pessoas que pedem algo a D-us e depois que recebem, reclamam: “ah! não era bem isso que eu queria” como por exemplo, pedem um emprego, pedem um casamento, pedem um filho, pedem pra conhecer a verdade, pedem um líder... mas as coisas do Eterno não são exatamente aquilo que queremos, mas o que é melhor para nós.

• Israel presenciou dez sinais sobre o Egito, antes da libertação chegar. Isso me faz ver que não importa a quantidade de sinais que D-us opere através de seu líder, sempre haverá pessoas de memória curta e que julgarão como irrelevantes tais atos; normalmente essas pessoas acreditam que são capazes de fazer aquilo, mas não. Depois que algo é feito, todo mundo acha fácil; o díficil é ser o que fez. Dificil é abrir o mar com seu cajado; atravessar, e depois de estar do outro lado, em segurança, achar que seria capaz de fazer melhor é fácil.

• Israel sentiu fome e recebeu o maná durante toda a caminhada do deserto. Aqui, nessa parashah de chukat, Israel estava ainda se alimentando do maná, mas não era capaz de ser grato pelo pão que aparecia milagrosamente à porta de suas tendas a cada dia. Lembrando que em Nm 11, eles dizem: “Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.” (Nm 11:6)

Isso só para darmos alguns exemplos, mas sigamos no texto dessa semana; observe o verso inicial: “E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?” (Nm 20:5)

Porque é importante enxergar as coisas como elas são? Olha o que o povo dizia, para onde Moshe os estava levando, para um MAU lugar, que não era de CEREAIS, FIGOS, VIDES, ROMÃS. Que lição podemos tirar disso?

Israel é justamente conhecido pelos seus sete frutos, as sete espécies, então vejamos quais são:
- TRIGO, CEVADA (cereais) FIGO, UVA, ROMÃ, AZEITONA e TÂMARAS.
Em pleno knesset, o parlamento de Israel, há uma menorah  onde os sete braços são representados nas sete espécies, pra lembrar o povo disso. Israel, a terra prometida, é sim uma terra boa, mas o povo insistia em reclamar.
A Terra Prometida não simplesmente tinha estes frutos dos quais o povo reclamava, mas vejamos como eram: “Depois, vieram até ao vale de Escol e dali cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas, o qual trouxeram dois homens numa vara, como também romãs e figos.” (Nm 13:23)
Ora, para quem estava no deserto, ver um cacho de uvas em que era necessário dois homens para carregar, naturalmente não seria uma imagem tão fácil de ser esquecida. Além das uvas, os espias trouxeram também romãs e figos. 

Você pode estar no deserto, mas é preciso ter os olhos abertos para enxergar direito. A Terra Prometida pode estar logo ali na frente, mas ficar reclamando de tudo pode fazer a terra parecer distante. Queixar-se de Moisés era apenas uma forma de desviar o foco, e por isso padeceram. 

Quando a gente desvia nossos olhos do objetivo, não adianta nos mostrarem grandes  cachos de uva, pois diremos sempre: “você nos trouxe para um mau lugar, onde não tem uva.

E pra não dizer que não falei de Mashiach, certa vez Yeshua estava numa cidade chamada Jericó, e um cego que lá havia ficou sabendo que o Mestre passaria por ali, e então, quando se encontraram, Yeshua perguntou: “Que você quer que eu faça?” e ele respondeu: “Que eu veja!” E ouviu: “então vê!” 

Na sua próxima oração, se tiver que pedir algo ao Eterno, pede pra ver, enxergar a realidade, que Ele abra seus olhos para ver. Porque enxergar faz toda a diferença na hora de escolhermos os caminhos que trilharemos nessa vida. 
Quem sabe aí, enxerguemos uvas, figos, romãs, tâmaras, trigo e cevada, e a boa terra que o Eterno separou para nós ao fim da caminhada no nosso deserto. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lição da vara que floresce


Parashah de Corach, Nm 16:1 a Nm 18:32

Nm 17:10 Então, o SENHOR disse a Moisés: Torna a pôr a vara de Arão perante o Testemunho, para que se guarde por sinal para os filhos rebeldes; assim, farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão.

É interessante observar o comportamento de Moshê e Aharon com relação aos que questionavam sua autoridade, mesmo logo após terem morrido os homens de Coré, que acabara de levantar uma rebelião contra Moshê. Isso nos traz grandes ensinamentos.

Primeiro: não importa os sinais, sempre haverá quem questione a autoridade do líder. Miriam e Arão haviam questionado Moshe e ela ficou imediatamente leprosa. Isso não assustou ninguém... pois logo em seguida Coré se levanta, com 250 homens. 

Segundo: quem questiona quase sempre não tem nenhuma obra digna de ser apresentada em seu próprio mérito. Analise: O que de bom Coré, Datã e Abirão haviam feito em favor do povo? 

Terceiro: um líder não deve esperar reconhecimento por parte dos seus liderados. Por isso mesmo, levantar-se diante de um zaken não é sinal de reconhecimento, mas apenas cumprir uma mitsva, e de certa forma, muita gente o faz apenas para não ser mal visto diante da congregação.

Quarto: Um líder de verdade se preocupa com as consequências de seu povo, ainda que eles não mereçam e que ele possa ser prejudicado. 
Nm 16:44-50 Então, falou o SENHOR a Moisés, dizendo:  Levantai-vos do meio desta congregação, e a consumirei como num momento; então, se prostraram sobre o seu rosto, e disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, e põe nele fogo do altar, e deita incenso sobre ele, e vai depressa à congregação, e faze expiação por eles; porque grande indignação saiu de diante do SENHOR; já começou a praga. E tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitou incenso nele e fez expiação pelo povo. E estava em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga. E os que morreram daquela praga foram catorze mil e setecentos, fora os que morreram por causa de Corá. E voltou Arão a Moisés à porta da tenda da congregação; e cessou a praga.

Quem em sã consciência no meio de uma praga, morrendo gente, tendo recebido uma ordem do Eterno para sair do meio do povo, ousaria desobedecer e correr, buscando expiar o pecado do povo? MOISÉS e ARÃO.

Arão correu, ficou parado no meio do povo, entre os vivos e os mortos. Imagine-se você no lugar dele. Tendo sido perseguido minutos atrás por aquelas mesmas pessoas, ele saiu diante do Eterno para expiar o pecado deles. 

Lá se foram 14700 pessoas, mas morreriam TODOS. A praga só cessou diante do precioso ato de grandeza dos líderes do povo. Um líder tem que ter grandeza. Por isso mesmo, Yeshua ben David, nosso Mestre, disse:
Mt 20:26-28 - quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Mas o que tudo isso tem a ver com o versículo inicial de Nm 17:10? 
A vara de Arão estaria ali como um sinal para os rebeldes. Sim, sempre teremos rebeldes em nosso meio. Mas de vez em quando, quem sabe eles possam dar uma olhada na direção da vara de Arão, aquela mesma que floresceu e deu frutos. 
Quem sabe os rebeldes se arrependam e a vara de Arão, aquela que floresce e dá frutos possa os livrar da morte.

Olhemos para o sinal, e mais uma vez a bondade de Moshê será capaz de livrar da morte os rebeldes. 

sábado, 1 de junho de 2013

Shelach Lecha e o poder do exemplo



Nm 14: 6,7 - Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa.

A parashah de Shelach Lecha (Nm 13:1 a 15:41) é muito rica e interessante e podemos extrair dezenas de lições, essencialmente sobre o episódio dos espias. 
Os dez espias que voltaram difamando a terra e com medo de seus moradores, acabaram causando sobre o povo todo um grande temor, tamanho que foram capazes de sentir o desejo levantar um líder que os levasse de volta para o Egito. Mas e qual a consequência da atitude deles e de Josué e Calebe?

Bom, a consequência deles foi o medo causado no povo e também o castigo dado pelo Eterno, em 40 anos de caminhada pelo deserto, como dito, um ano para cada dia em que espiaram a terra.

A atitude deles e também a de Josué se transforma em exemplo para gerações futuras. E exemplo é tudo!

Josué, ao lado de Calebe, falou bem da terra, exaltou e reforçou que sim, eles conquistariam a terra, não importa o tamanho do inimigo. Na haftarah dessa semana, quando Josué já era o líder dos israelitas e ordenou espias a verem Jericó, vejamos o que aconteceu:

Js 2:23,24 - Assim, os dois homens voltaram, e desceram do monte, e passaram, e vieram a Josué, filho de Num, e lhe contaram tudo quanto lhes acontecera;  e disseram a Josué: Certamente, o SENHOR nos deu toda esta terra nas nossas mãos, e todos os seus moradores estão desmaiados diante de nós.

Primeiro, ele já não mandou doze espias, apenas dois, talvez como um sinal de que só os dois que falavam bem da terra seria suficiente. E a resposta deles: “certamente o Eterno nos deu toda esta terra nas nossas mãos, e seus moradores TODOS estão desmaiados diante de nós.”

Se você é um líder otimista, isso incutirá nos seus liderados um espírito de otimismo. Por outro lado, se você inspira o povo a ser medroso, ele o será. 
Josué fez dos seus um povo que confiava no Eterno e buscava que eles vissem que sim, seriam vitoriosos. Seus espias tiveram o mesmo espírito, a mesma visão, e claro, os israelitas conquistaram a terra de Jericó. Para quem é como Josué, esses terão o benefício de ver as muralhas caindo. 

Pense que tipo de pai, mãe, líder, você tem sido, e se você quer que seus filhos, membros, liderados sejam dignos de verem as muralhas de Jericó caindo diante deles ou se desejarão se acovardar e regressar ao Egito. Boa liderança para você!!!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Você sabe a diferença entre carne e pepino?


Ao olhar essa imagem acima, o que vem à sua cabeça? Uma bela e suculenta picanha né?

Nessa parashah de Behaalotecha (Nm 8:1 a Nm 12:16) temos uma variedade de assuntos, mas dessa vez analisamos algo bem simples. A capacidade do povo de ser movido a sentir “necessidade” de algo que nem eles mesmo sabem dizer o que é.

Alguma vez você já sentiu vontade de comer algo bem gostoso, mas não sabia exatamente dizer o que era? A maioria das pessoas diria que sim. Pois é! Isso não é fome, é desejo. Veja o que diz a parashah:

Nm 11:4 diz: “os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer?” 
Lembremos que quando eles saíram do Egito (Ex 12:31-38) eles saíram com muitíssimos animais, grande rebanho, ou seja, tinham muita carne a comer. 
Mas que interessante é observar que eles pediam por CARNE, mas aí diziam: 
Nm 4:5,6 - Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.

Você pede carne, mas sente falta de PEPINOS? Não dá pra entender né?! Dá sim! 
Quando não estamos com fome, sentimos vontade de comer uma coisa gostosa, que não sabemos o que é, porque nesse caso, qualquer coisa que comemos não tem um gosto bom, mas já quando estamos famintos, basta um arroz, um ovo frito, uma salada que sentimos água na boca, pois tudo fica delicioso. 
Israel NÃO estava com fome de carne. Se estivessem, sentiriam saudades das carnes que comiam (será que comiam?) no Egito.

Muitas vezes agimos dessa forma, e tentamos ao Eterno, sendo ingratos por tudo que Ele nos proporciona. Vejamos:
Alguma vez você já abriu seu guarda-roupas e disse coisas como: 
- Mas eu não tenho roupas pra sair!
- Não tenho um calçado que preste!
- Porque que o fulano tem tal coisa e eu não consigo? etc...

Foi por isso que lá na frente, em Nm 11:22 foi dito: "Matar-se iam para eles rebanho de ovelhas e gado que lhes bastem?" Porque quem não está com fome, não faz diferença o tamanho do rebanho... eles Não precisavam de carne. 

Como crianças quando ficam pedindo aos pais por doces ou chocolate, a mãe ou o pai se irritam, acabam indo ao mercado e compram uma enormidade de chocolate e dizem: "Agora come, mas come tudo, come até sair pelo nariz" ... foi isso que o Eterno fez: mandou codornizes para que eles comessem, não por um dia, nem cinco, nem dez, mas por um mês inteiro, até se enfastiarem, até sair pelo nariz." Isso para aprender....

Israel tinha recém-saido da escravidão rumo à liberdade na terra prometida, mas isso não lhes foi suficiente. Hoje da mesma forma, podemos sair do Egito, e logo ali na frente diremos: Quem nos dará carne a comer? No Egito tinhamos pepino! 

Primeiro entenda a diferença entre o que é carne e o que é pepino, para daí então ser capaz de dizer algo mais coerente. Quem nos dará pepino a comer? 

Quando formos capazes de diferenciar as coisas, talvez aí sejamos capazes de perceber que não temos de que reclamar do Eterno, pois Baruch HaShem, Ele supre todas as nossas necessidades.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nassó e o sacerdote. Em que nível está seu respeito pelo representante do Eterno?




A parashah de Nassó vai de Nm 4:21 a Nm 7:89 e claro, nos traz muito boas lições:

Nm 5:16 - O sacerdote a fará chegar e a colocará perante o SENHOR.
O capítulo 5 de Bamidbar nos traz o relato do homem que ficava com o espírito enciumado, desconfiando da sua esposa. Interessante observar como ele deveria agir.

Em primeiro lugar, o texto diz: “esse homem trará a sua mulher perante o sacerdote e juntamente trará a sua oferta por ela...” (Nm 5:15) Isso nos ensina que o marido tem duas obrigações, quando está desconfiado: 
- Não deve sair falando, alardeando sua desconfiança, mas levá-la ao sacerdote. 
- Confiar que o Eterno dará a resposta que o tranquilizará através daquilo que o  sacerdote lhes determinar.
Não dá pra alguém pedir orientação, conselhos ao seu líder se a pessoa não confiar que aquilo que o líder lhe disser é da parte do Eterno. Se você não acredita que o seu líder representa ao Eterno, você não terá por ele o respeito que D-us requer de ti. 

Nesse caso em específico, o marido traria a mulher ao cohen, e aguardaria por sua resposta. O cohen usaria a “água santa” misturada com o pó do chão do Tabernáculo, e a mulher beberia. Isso causaria nela os sinais que seriam como a resposta divina. Se tivesse pecado, ela receberia a maldição, com o ventre inchado e as coxas descaídas, mas se não houvesse pecado, isso traria sobre ela a bênção de bons partos. 

Agora imagine se o caso fosse “divulgado antecipadamente” pelo marido e os fofoqueiros de plantão! Não precisa ter muita sabedoria para imaginar o que normalmente ocorre: todo mundo a veria como “culpada”, tenha ou não provas, pois “onde há fumaça, há fogo”! 
Para isso que serve o sacerdote. Ele tem a resposta divina para nossas inquietudes. Mas é preciso confiar nele. Confiar em D-us!

Na Brit Chadashah há um outro exemplo que nos ilustra bem como é perigoso quando pessoas não levam a sério o que fazem diante de um “homem de D-us”. Todos conhecemos o caso de Ananias e Safira, mas o compreendemos?
At 5:3,4 - Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus... E sobreveio grande temor a toda a Kehilah e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos.

Basta ler o contexto e percebemos que ambos cometeram o erro de roubar, mas o erro maior foi de, ao mentirem para o apóstolo,  terem mentido para Deus. Resultado: morte de ambos!

A nossa relação com os líderes pode ser de amizade, coleguismo ou uma relação mais distante, mas NUNCA deve ser desrespeitosa. 

No caso do homem que desconfiava da esposa, o sacerdote traria a ele um alívio, o fim das desconfianças. No caso de Ananias e Safira, Kefah seria aquele que tão somente receberia a oferta deles. Mas em ambos os casos, eles representavam a Deus. 
Um sacerdote não deve ser respeitado apenas quando lhe diz coisas boas, agradáveis, mas também quando os corrige. 
Hb 13:17 diz: Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.

1 Tm 5:17 diz: Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina.

Quem define se um zaken governa bem? Pessoas elogiam seus líderes quando estes corrigem “aos outros, os pecadores”, mas em boa parte das vezes, os criticam quando são por eles repreendidos.   Até porque a Torah declara: 
Lv 19:32 - Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.
Em que nível está seu respeito pelos líderes? No nível de se levantar quando o líder entra? Se for só isso, está ruim! Porque respeito vai muito além de se levantar. Devemos ter o cuidado de não estarmos sendo hipócritas, nos levantando, mas por trás, desrepeitando, falando mal e nos lembrando do líder apenas quando dele necessitamos. Pense nisso!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pinechas e o vestibular mais importante





Nessa parashah tem novamente o relato da contagem dos israelitas. Existem dois aspectos importantes nessa nova contagem que precisam ser analisados. A quantidade de pessoas e quem eram elas.

Primeiro analisemos a quantidade: Em Nm 26:51, temos: “São estes os contados dos filhos de Israel: seiscentos e um mil setecentos e trinta.” Esse é praticamente o mesmo número daqueles que foram contados tão logo os israelitas saíram do Egito: Em Nm 1:46 (um ano depois da saída do Egito) temos: “todos os contados foram seiscentos e três mil quinhentos e cinqüenta.”
Bom, aí alguém pode pensar que depois que os Israelitas saíram do Egito, morreram poucos, pois a diferença entre os que saíram e os que estavam por entrar na terra prometida, após quase quarenta anos de caminhada, é de exatos 1820 pessoas. Como pode ser essa contagem? E os que morreram nas pragas (só em Coré, foram 14700 homens e na praga por causa de Peor foram mais 24000).

Moshê nos traz a resposta, quando ele já contava os israelitas que entrariam na terra, já discutia a divisão das terras entre as tribos, e aí diz:
Nm 26:64-65 - Entre estes, porém, nenhum houve dos que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão, quando levantaram o censo dos filhos de Israel no deserto do Sinai. Porque o SENHOR dissera deles que morreriam no deserto; e nenhum deles ficou, senão Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
Os que saíram do Egito são como aqueles que entram no ensino fundamental... todos têm um objetivo final: Passar no vestibular! No caso deles, entrar na terra prometida.
E como eles passaram, assim é a nossa vida. Entramos no pré, depois nove anos de ensino fundamental, depois mais três de segundo grau e aí vem o temido vestibular: Você estuda, estuda, estuda e quer ver seu trabalho coroado com seu nome na lista dos aprovado não é?

No vestibular da Terra Prometida, que foi muito mais difícil, dos 603.550 alunos, só 2 foram aprovados. Todos os demais que entraram, eram de uma nova geração de alunos.
Nossa teshuvah pessoal representa o mesmo processo, onde todos partem em rumo de um objetivo, chamado Olam Habah. No deserto, muitos já caíram, outros cairão, mas quem estará de pé ao fim da jornada? Só os Josués e os Calebes, que perseveraram o tempo todo, no caminho certo. Pense nisso! Quer ver seu nome na lista de aprovados do Mundo Vindouro? Então se prepare hoje. Não perca seu tempo precioso em coisas que só tirarão seus olhos do objetivo final. Dedique-se porque não há nada mais gratificante do que olhar seu nome na lista dos aprovados, de preferência com louvor!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Nassó - A oferta que é aceita



Nm 7 fala das ofertas dos príncipes dos povos, quando Mosheh ungiu e santificou os utensílios do Tabernáculo. Eles trouxeram seis carros cobertos e doze bois; um carro para cada dois príncipes e um boi para cada príncipe (Nm 7:3) Mosheh recebeu as ofertas.

A seguir, cada príncipe traria sua própria oferta para a estréia do altar, um por dia,durante os doze primeiros dias... mas se formos atentos perceberemos que cada um, desde Aminadab, da tribo de Judá, até Achirá, da tribo de Naftali, todos trouxeram a mesma oferta:
1 prato de prata de 130 siclos.
1 bacia de prata de 70 siclos, com flor de farinha
1 taça de 10 siclos de ouro, com incenso
1 novinho, 1 carneiro, 1 cordeiro (os três com um ano)
1 cabrito para oferta de pecado
Para oferta de pazes
2 touros, 5 carneiros, 5 bodes, 5 cordeiros de um ano

Então porque a Torah leva 70 versos para ficar repetindo a mesma oferta? Não seria mais fácil colocar que todos os príncipes trouxeram suas ofertas, tal e tal... num total de doze pratos, doze bacias, etc...
A oferta de cada um tem sua importância, formando um todo. Ainda que todos tenham doado exatamente o mesmo, era importante mostrar que cada um deu sua oferta especial. Foram os doze primeiros dias da "inauguração do Mishkan."
1 Cr 29:17 Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade de meu coração, dei voluntariamente todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo, que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente.


Ofertas que tem valor são aquelas que são sinceras, voluntárias e que procuram agradar ao Criador. Foi isso que ocorreu com os que doaram ofertas para o Templo, nos dias do rei Davi.Por isso, Davi disse:


1 Cr 29:18 Senhor, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva isso para sempre no intento dos pensamentos do coração de teu povo; e encaminha o seu coração para ti.

Que esse espírito seja sempre conservado dentro de nós, com coração voltado para o Eterno, e nossas ofertas sejam recebidas por Ele como algo sincero e de coração voluntário, tal qual cada uma (digna de ser citada na Torah) das ofertas dos príncipes das tribos de Israel, na inauguração do Mishkan.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Massei - Arão e questões na hora da morte



A parashah de Massei encerra o livro de Bamidbar, e vai de Nm 33:1 a Nm 36:13. Dentre os assuntos, especialmente no começo quando são relatadas as caminhadas do povo pelo deserto, há uma interrupção pra falar sobre a morte de Arão.

Nm 33:38-39. - Então, Arão, o sacerdote, subiu ao monte Hor, segundo o mandado do SENHOR; e morreu ali, no quinto mês do ano quadragésimo da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia do mês. Era Arão da idade de cento e vinte e três anos, quando morreu no monte Hor.

Mas o que teve de tão importante Arão?
Se lermos o relato da morte dele em Nm 20:23-29 - assim como Moshê, Arão sabia que iria morrer, mas antes o Eterno o relembrou, (você vai morrer porque foi rebelde) e teve que subir num monte, se despir, passar as roupas de sacerdote para Eleazar, seu filho e então morrer. Aí o povo chorou por trinta dias. Aí dá pra tirar várias lições.
- Arão esteve tão perto da terra prometida, caminhou por 39 anos e cinco meses, e acabou morrendo no deserto? Porque? Será que valeu a pena a caminhada?
Tem coisas que só nos damos conta no momento da morte. Por exemplo: ao longo da vida a gente vai deixando pendências e só no leito de morte a gente pensa em resolver todas elas de uma vez, mas aí é tarde. Uma mágoa por exemplo, a pessoa passa anos sem conversar com outra por causa de um problema, e quando fica doente, perto da morte, então ambas são tomadas de um súbito desejo de relevar tudo, perdoar, buscar perdão, só para morrer em paz.
Outros, conhecem a Bíblia e passam a vida inteira sem decidir passar pela tevilah, e daí na hora da morte tomam essa decisão. Será que foi conversão verdadeira ou puro medo de morrer sem salvação?

- Porque Arão foi rebelde? Porque ele desobedeceu a Deus, fazendo o bezerro de ouro?

Rebeldia é e sempre será cobrada pelo Eterno. Quando lemos em Samuel, vemos: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (1 Sm 15:23) Esse caso é quando Saul não obedeceu ao mandado do Eterno, e quis fazer diferente. O que muitos não se dão conta é que o verso fala que a REBELDIA é como a FEITIÇARIA.

Tem coisas que a gente só se arrepende na hora da morte e não deve ser assim. Arão caminhou mais de 39 anos pelo deserto, e no fim, não entrou na terra prometida. Será que vale a pena?

Antes da velhice, antes da enfermidade, enfim, antes do seu leito de morte, tome a decisão de ser correto, de corrigir os erros do passado, de firmar sua aliança com o Eterno. Nada de ficar postergando, pois não viveremos para sempre. Agindo assim, você irá dormir sempre em paz, pois não terá nenhum peso extra em sua consciência.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Você sabe votar? Matot.




Esta é a 42ª porção da Torah, e normalmente ela é estudada junto com a parashá de Masse (Jornadas), quando então denominamos Mechubarot (juntas). Esse ano elas são estudadas separadamente, o que nos permite nos aprofundarmos mais (pois a porção fica menor) em função de ser um dos anos em que temos, no calendário judaico, duas vezes o mês de Adar.
Matot significa tribos e começa no capítulo 30 de Bamidbar. Já na primeira Aliah, que vai de Nm 30:2-17, podemos aprender muitas lições, especialmente no que concerne ao fato do homem se comprometer com algumas coisas.

Nm 30:2 - Quando um homem fizer voto ao SENHOR ou juramento para obrigar-se a alguma abstinência, não violará a sua palavra; segundo tudo o que prometeu, fará.
Começando a falar sobre os votos, vemos que:
* Os homens são obrigados a cumprir aquilo que prometeram ao Eterno, o voto que fizer, seja qual for, deve ser cumprido. Isso nos leva a refletir, antes de votar. Refletir é algo que as pessoas não fazem muito, precisamos aprender a não ficar abrindo a boca tão facilmente, falando que vai fazer tal coisa, que se compromete em estar em tal lugar, tal hora... quando não será capaz de cumprir.


Vejamos alguns textos:
Dt 23:21-23 - Quando fizeres algum voto ao SENHOR, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o SENHOR, teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado. Porém, abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti. O que proferiram os teus lábios, isso guardarás e o farás, porque votaste livremente ao SENHOR, teu Deus, o que falaste com a tua boca.
Ec 5:4-7 - Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.


Interessante lendo estes textos acima que ninguém é obrigado a fazer votos, mas as pessoas vivem falando coisas desnecessárias, assumindo compromissos, que mais tarde não cumprirão, e isso é pecado. Se ficassem calados, não pecariam.


Isso é o que diz Pv 20:25: Laço é para o homem o dizer precipitadamente: É santo! E só refletir depois de fazer o voto.
Tiago 5:12 também fala disso e Yeshua disse em Mt 5:37 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.


Agora pense um pouco. Quantas coisas a gente promete e não cumpre. Assina contratos e depois quer voltar atrás. Assina uma ficha de Tevilah, se comprometendo a ser fiel, honrar o ministério, obedecer, mas na hora que é exigido isso, a pessoa sempre dá um jeito de fugir à responsabilidade. Se todos cumprissem os votos, os casamentos seriam bons, as mulheres se comprometeriam a ser submissas e realmente seriam... os maridos se comprometeriam a suprir todas as necessidades da esposa e supririam... e tudo seria realmente melhor.

sábado, 16 de julho de 2011

5 Filhas e 1 Problema sem resposta

Na parashah de Pinechas (Nm 25:10 a Nm 30:1) temos muitas lições, mas dentre elas, temos a história de um homem chamado Tselofechad; o tal homem tinha cinco filhas e nenhum filho. Ele já havia falecido e como ficaria a sua herança na hora da divisão das terras, uma vez que as terras seriam repartidas entre os filhos homens.
O relato delas está em Nm 27, e conta que elas foram até Moshê e os anciãos para questionar como ficaria o caso dessa família. E agora? Como resolver uma situação que não havia sido prevista anteriormente?
A grande lição desse caso está mais uma vez na atitude de Moshê, nosso mestre, que foi consultar o Eterno sobre como deveria proceder. Ora, Moshê era a instância superior sempre, mas isso não significava que ele tinha resposta para tudo.
Quando Jetro o aconselhara lá em Exodo 18:21,22, dizia: “procura homens capazes, tementes a Deus, e coloca sobre o povo...Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo.”
Uma coisa é ajudar a levar a carga, outra é se achar tão capaz como Moshê, se julgar apto para resolver não apenas as coisas pequenas, como as grandes. Esse é o erro de muitos homens hoje. Se achar! Se acham demais! Se julgam preparados, no mesmo nível. O homem sábio é aquele que conhece suas limitações e que está disposto a ser um ajudante, na hora de carregar as cargas. Se perceber algo difícil, além de sua capacidade, leva para Moshê! Essa é a sabedoria.
Essa é alição que nosso líder nos deixou. Quando chegou uma situação em que ele, Moshê, não se sentia apto para resolver, ele foi consultar a instância superior. Não havia um homem que estivesse acima dele, então ele foi ouvir o que o Eterno ordenaria.
Se existe alguém mais preparado que você, tenha sempre a humildade de consultar, se aconselhar, e de seguir o que essa instância te ordenar fazer. Isso não torna ninguém maior ou menor... Apenas mostra que uma pessoa humilde segue conselhos. Moisés fez assim...
Ninguém é obrigado a ter respostas para tudo, pense nisso! Não seja como os tolos que respondem a toda situação, não importa se respondam certo ou errado, o que vale é fingir que sabe.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Diga-me com quem andas... Balak

A parashah de Balak (Nm 22:2 a Nm 25:9) fala de um personagem principal Bilam, e porque a parashah não se chama BILAM então?

Embora Bilam seja o que estava mais aparente, BALAK estava por trás do intento demonstrado por BILAM. E o texto nos faz lembrar sobre quem são as nossas companhias. Antes de você se relacionar com as pessoas, desenvolver amizades, você se pergunta: quem são essas pessoas?

Esse foi o recado do Eterno a Bilam.
Nm 22:8-9: Balaão lhes disse: Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o SENHOR me falar; então, os príncipes dos moabitas ficaram com Balaão.Veio Deus a Balaão e disse: Quem são estes homens contigo?
No caso de Bilam, os homens a quem ele recebeu eram pessoas que vieram trazer dinheiro para que ele amaldiçoasse a outro, nesse caso, o povo de Israel.

O salmista dizia: Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos. (Sl 119:63)

O Rei Davi sabia de quem era companheiro:
Sl 26: 4,5 Não me tenho assentado com homens falsos e com os dissimuladores não me associo. Aborreço a súcia de malfeitores e com os ímpios não me assento.

Ele não era uma pessoa facilmente influenciável. Um bom exemplo é quando ele teve a oportunidade de matar o rei Saul, e as pessoas o incentivavam a isso, ele nao se deixou influenciar para fazer o mal... matando o rei.
Analisemos 1 Sm 24:1-11
24:1-3 - Saul tomou 3 mil homens e foi perseguir Davi.
24:4- Os que estavam com Davi o aconselham, falam que o Eterno entregou o inimigo em suas maos.
24:4-7 - Davi age diferente do aconselhado, não mata o rei, pelo contrário, sente dor em cortar o tsitsit de Saul. Com essa atitude, ele conteve seus homens de fazer o mal.
24:8- Davi presta reverência ao rei.
24:9- Davi questiona a Saul: Porque você dá ouvidos às palavras dos homens que dizem que eu quero te fazer mal?
Cuidado com as companhias... cuidado com o que dizem...
24:10-11 - Davi fala ao rei: veja minha atitude e reconheça que não há mal em mim, não quero te fazer mal, ainda que você queira me matar.
24:16,17- Saul chora, e diz que Davi é mais justo do que ele.

Seus companheiros podem te influenciar, mas é como diz o ditado: Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és! O Eterno te pergunta: Quem são essas pessoas contigo?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Chukat e a morte de pessoas importantes




Na parashah dessa semana, chamada Chukat (Nm 19:1 a Nm 22:1) temos a morte de dois personagens muito importantes para o povo de Israel. Miriã e Arão, os irmãos mais velhos do caçula Moshê. Em Nm 20:1 fala: “Chegando os filhos de Israel ao deserto de Zim, ali morreu Miriã, e ali foi sepultada.” Nada além disso.
Depois, em Nm 20:22-29 fala da morte de Arão, num contexto bem maior e conclui dizendo que: “vendo, pois, toda a congregação que Arão era morto, choraram por Arão trinta dias, isto é, toda a casa de Israel.”

Falar de morte é sempre algo chato, mas também inevitável. A questão é: Como você será lembrado depois de sua morte? No Brasil existe a tradição de que todo mundo é bonzinho quando morre. Na cerimônia de sepultamento sempre tem pessoas falando sobre o quanto o falecido era especial, fazia o bem, etc... mas será mesmo? No dia seguinte, todo mundo se esquece daquela pessoa e pronto, a vida segue.

Dias atrás o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez 80 anos, e no seu discurso ele falou disso. Dizia ele algo assim: “Puxa vida, até parece que estou morto, até a oposição está me elogiando, e normalmente só recebemos elogios depois da morte.”

Todos devemos viver como alguém que está preparado para o dia da morte. Ninguém sabe quando irá morrer; talvez por isso os jovens vivam de forma que acreditam que ainda irão viver muito, que só os velhos morrem, e acabam não medindo as consequencias de seus atos. Isso é um erro.

Nosso objetivo deve ser de buscar o aperfeiçoamento de nosso caráter, alcançar o respeito das pessoas através de nossos bons atos.

O talmude fala, em Pirkei Avot, para procurarmos ser como os discípulos de Arão, que amam a paz, trabalham e buscam a paz. Certamente por ser uma pessoa boa, que buscou a paz e o bem do povo de Israel o tempo todo, Arão foi digno de ver toda a casa de Israel prantear sua morte por trinta dias.

No fim desse livro de Bamidbar, em Nm 33, quando fala de todas as caminhadas do povo de Israel pelo deserto, o texto vai citando cada lugar onde eles acamparam, e só há uma interrupção nessas citações, entre os versos 38 e 40, pra citar justamente a morte de Arão. Tudo que ocorreu durante as mais de quarenta jornadas era importante, mas não havia sido citado, a não ser a morte desse tsadik. Pense nisso!

Tomara que possamos viver uma vida digna de homenagens (recebidas ainda em vida) e quem sabe nossa morte seja lembrada como um dia triste, onde faleceu alguém importante para a história de nosso povo. Viva de modo a fazer a diferença no mundo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Faça sua vara florescer...

Na parashah dessa semana, é impossível não falar da rebelião de Coré, Datã e Abirão contra Moshê. O próprio título da parashah é Corach (Nm 16:1 a Nm 18:32), mas a minha reflexão nessa semana (aproveitando que estamos no meio de uma reunião de liderança) é com relação àquilo que estamos produzindo. O Eterno diz: “E será que a vara do homem que eu tiver escolhido florescerá; assim, farei cessar as murmurações dos filhos de Israel contra mim, com que murmuram contra vós.” (Nm 17:5)


Pessoas escolhidas pelo Eterno, habilitadas para liderar, que busquem fazer algo a mais pela congregação, são essas que farão florescer suas varas. Ou a gente faz mais, ou nosso cajado não produzirá frutos. Yeshua disse: “Pelos frutos conhecereis” quer dizer que devemos produzir mais sempre, mas bons frutos. Essa é uma curta meditação, mas de extrema importância àqueles que professam uma fé no D-us de Israel. Faça sua vara florescer... de bons frutos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que você vê, espia?

Existem algumas porções da Torah que parecem não precisar de uma reflexão mais profunda, uma vez que o assunto já foi falado por muitas vezes, como o que ocorre na parashah dessa semana: Shelach Lecha (Nm 13:1 a Nm 15:41) Basta abrir no texto e todos já se lembram dos espias que foram enviados por Moshê para conhecerem a terra de Canaã. Ficaram lá por quarenta dias e voltaram com medo, difamando a terra, falando dos gigantes e amedrontando os israelitas. Dos doze espias, só Josué e Calev entraram na terra e esses quarenta dias serviram para o Eterno transformar em quarenta anos de caminhada pelo deserto, até que morressem todos daquela geração, como castigo e entrassem apenas os dois citados.

Uma coisa que sempre medito é em que imagem (que nome) vamos deixar para a história. Será que seremos lembrados ou nossos nomes serão esquecidos num futuro não muito distante. Apenas como exercício do que digo, tente se lembrar do nome dos dez espias que infamaram a terra. Ninguém se lembra! Ou você já conheceu alguém chamado Palti, Amiel, Setur? Mas certamente você ja se encontrou com algum Josué pelo caminho, ou mesmo um Calev.

Essas coisas dependem muito da nossa capacidade de enxergar as coisas sob o prisma correto. Esses dez espias viram tudo: terra boa, frutos enormes, gigantes, etc... nada que Josué e Calev não tivessem também visto. O problema está na forma como vemos. O que superlativamos? O que não consideramos como importante. Sim, Josué e Calev viram os gigantes, mas pensaram: quer saber? Deus sabia que esses gigantes estariam ali, e ainda assim nos ordenou que conquistemos a terra, então Ele nos dará a vitória... porque o que vale é a terra que alcançaremos. Os demais espias, bom, esses viram que seria impossível vencer os gigantes.

A Teshuvah nos ensina da mesma forma: há os que olham para as dificuldades e pensam: nunca aprenderemos o hebraico, nunca faremos tal coisa, nunca iremos para Israel, nunca seremos reconhecidos... eu prefiro ser gentio, prefiro ficar no Egito mesmo... esses, esses são os que serão esquecidos. Mas há outros que decidiram acreditar no Eterno, deixar o Egito para trás e avançar. Para esses, a Teshuvah só traz alegrias, as dificuldades existem para serem vencidas, nada mais.

Por causa dessas coisas que quando os espias quiseram levantar um capitão que os levasse de volta ao Egito, Moisés, Arão, Josué e Calev caíram com o rosto em terra, se humilharam, rasgaram suas vestes diante do Eterno. Esses são os que serão lembrados para sempre. Aqueles que quiseram levantar líderes para voltar atrás, esses foram todos esquecidos; absolutamente todos.

E então, quando uma dificuldade se apresenta a você, o que você vê? O gigante, ou a terra prometida? Espero que veja a terra!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Behaalotecha... largue sua muleta.




Quando eu era criança minha mãe dizia: “a desculpa do aleijado é a muleta!” fazendo referência às muitas coisas que ela mandava a gente fazer e nós (os filhos) nunca conseguíamos e sempre tínhamos uma desculpa para dar. A parashah de Behaalotecha (Nm 9:1 a Nm 12:16) me fez lembrar disso.


Era o segundo ano da partida dos israelita do Egito, rumo à terra Prometida, mas a parashah já começa com o Eterno relembrando a eles que era tempo de celebrarem Pessach. (Aqui a primeira desculpa das pessoas: Ah! eu esqueci que tinha que tirar o fermento... esqueci que tinha que guardar o shabat, esqueci de preparar matzah, esqueci....)


Mas se você não tem a desculpa do esquecimento, você tem a desculpa de poder colocar a culpa de seus erros nos outros. E como é bom saber que a culpa está sempre nos outros!


Faltou pão (porque ninguém quer preparar) vamos colocar a culpa em Moisés, afinal foi ele quem nos tirou do Egito. Lá tinha pãozinho pra gente todo dia....


Faltou carne (nunca me esqueço que os israelitas tinham rebanho no deserto, era só matar um animal e comer) adivinha? Moisés era o culpado. Nm 11:4-6 “E agora, quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos dos peixes, que no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, melões, cebolas, alhos... mas agora, nossa alma se seca, coisa nenhuma há senão esse maná.”


Será que o povo não tem mais o que fazer do que colocar a culpa no líder?


Já passei por algumas congregações nestes anos, e eu sou o mesmo líder, e como as pessoas são diferentes, reagem de maneira diferente a cada mensagem. Numa congregação todos trabalham e se esforçam, buscam o bem comum. Em outra, metade trabalha, metade reclama; Noutra, 99 reclamam, um trabalha (Rosh). Era assim no deserto... reclamavam, reclamavam e ninguém se levanta para fazer algo de bom. É sempre mais fácil acusar o rosh (Moisés foi o maior líder da história de Israel e ainda assim, era sempre alvo de críticas.


Está na hora Israel, de largar a muleta, de parar de dar desculpas e de trabalhar. Quem trabalha não encontra tempo para ficar murmurando. Como disse Shaul HaShaliach: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como astros no mundo.” (Fp 2:14,15)


Vamos dar um tempo para Moshê e cada um, de maneira irrepreensível, procurar FAZER TUDO sem murmurar. Só assim você será capaz de dar adeus às suas muletas!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Você valoriza a bênção?


De vez em quando nos acostumamos a algumas coisas na vida e passamos a considerá-las como comuns, coisa corriqueira e não prestamos a devida atenção. Assim acontece com nossos filhos, quando os vemos todos os dias não nos damos conta de que eles crescem e quando vemos, eis que já estão grandes e não valorizamos cada minuto com eles... assim acontece com o dinheiro, pois trabalhamos incessantemente para recebê-lo e quando o recebemos, não o valorizamos, e gastamos em coisas que não valem muito a pena. E assim acontece com coisas espirituais também. Um exemplo? A birkat cohanin!


A parashah de Nassó (Nm 4:21 a Nm 7:89) traz um texto maravilhoso, que é a bênção sacerdotal. Em Nm 6: 23,24 diz: “Fala a Arão e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel e dir-lhes-eis: O Eterno te abençoe e te guarde;... ” Muitas reflexões podemos tirar disso, como por exemplo o fato de essa bênção ser apenas e tão somente PARA OS FILHOS DE ISRAEL. Apesar de muito lida e usada no meio religioso, HaShem ordenou que Arão e seus filhos cohanin a usassem somente com o Seu povo. Que alegria poder fazer parte de um povo que tem sua bênção exclusiva, determinada pelo próprio e único D-us!


As palavras da bênção devem ser valorizadas, saboreadas, recebidas com devocão, cada uma delas:


O Eterno (o único D-us verdadeiro, o Criador do universo, Adon Olan)


te abençoe (nossa bênção vem somente dEle, e vem desde o patriarca Avraham... quando HaShem diz: de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!)


e te guarde (Ele é quem nos guarda... eis que não dorme o Guarda de Israel, Israel confia no Eterno)


e por aí segue cada palavra da bênção aos filhos de Israel. Portanto, não torne o momento da birkat cohanin algo comum, faça dele um momento especial em sua vida a cada shabat, valorize as palavras de bênção do Eterno em sua vida. Mostre que você dá valor às palavras da Torah!