quinta-feira, 12 de julho de 2012
Pinechas e o vestibular mais importante
Nessa parashah tem novamente o relato da contagem dos israelitas. Existem dois aspectos importantes nessa nova contagem que precisam ser analisados. A quantidade de pessoas e quem eram elas.
Primeiro analisemos a quantidade: Em Nm 26:51, temos: “São estes os contados dos filhos de Israel: seiscentos e um mil setecentos e trinta.” Esse é praticamente o mesmo número daqueles que foram contados tão logo os israelitas saíram do Egito: Em Nm 1:46 (um ano depois da saída do Egito) temos: “todos os contados foram seiscentos e três mil quinhentos e cinqüenta.”
Bom, aí alguém pode pensar que depois que os Israelitas saíram do Egito, morreram poucos, pois a diferença entre os que saíram e os que estavam por entrar na terra prometida, após quase quarenta anos de caminhada, é de exatos 1820 pessoas. Como pode ser essa contagem? E os que morreram nas pragas (só em Coré, foram 14700 homens e na praga por causa de Peor foram mais 24000).
Moshê nos traz a resposta, quando ele já contava os israelitas que entrariam na terra, já discutia a divisão das terras entre as tribos, e aí diz:
Nm 26:64-65 - Entre estes, porém, nenhum houve dos que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão, quando levantaram o censo dos filhos de Israel no deserto do Sinai. Porque o SENHOR dissera deles que morreriam no deserto; e nenhum deles ficou, senão Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
Os que saíram do Egito são como aqueles que entram no ensino fundamental... todos têm um objetivo final: Passar no vestibular! No caso deles, entrar na terra prometida.
E como eles passaram, assim é a nossa vida. Entramos no pré, depois nove anos de ensino fundamental, depois mais três de segundo grau e aí vem o temido vestibular: Você estuda, estuda, estuda e quer ver seu trabalho coroado com seu nome na lista dos aprovado não é?
No vestibular da Terra Prometida, que foi muito mais difícil, dos 603.550 alunos, só 2 foram aprovados. Todos os demais que entraram, eram de uma nova geração de alunos.
Nossa teshuvah pessoal representa o mesmo processo, onde todos partem em rumo de um objetivo, chamado Olam Habah. No deserto, muitos já caíram, outros cairão, mas quem estará de pé ao fim da jornada? Só os Josués e os Calebes, que perseveraram o tempo todo, no caminho certo. Pense nisso! Quer ver seu nome na lista de aprovados do Mundo Vindouro? Então se prepare hoje. Não perca seu tempo precioso em coisas que só tirarão seus olhos do objetivo final. Dedique-se porque não há nada mais gratificante do que olhar seu nome na lista dos aprovados, de preferência com louvor!
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Nassó - A oferta que é aceita
Nm 7 fala das ofertas dos príncipes dos povos, quando Mosheh ungiu e santificou os utensílios do Tabernáculo. Eles trouxeram seis carros cobertos e doze bois; um carro para cada dois príncipes e um boi para cada príncipe (Nm 7:3) Mosheh recebeu as ofertas.
A seguir, cada príncipe traria sua própria oferta para a estréia do altar, um por dia,durante os doze primeiros dias... mas se formos atentos perceberemos que cada um, desde Aminadab, da tribo de Judá, até Achirá, da tribo de Naftali, todos trouxeram a mesma oferta:
1 prato de prata de 130 siclos.
1 bacia de prata de 70 siclos, com flor de farinha
1 taça de 10 siclos de ouro, com incenso
1 novinho, 1 carneiro, 1 cordeiro (os três com um ano)
1 cabrito para oferta de pecado
Para oferta de pazes
2 touros, 5 carneiros, 5 bodes, 5 cordeiros de um ano
Então porque a Torah leva 70 versos para ficar repetindo a mesma oferta? Não seria mais fácil colocar que todos os príncipes trouxeram suas ofertas, tal e tal... num total de doze pratos, doze bacias, etc...
A oferta de cada um tem sua importância, formando um todo. Ainda que todos tenham doado exatamente o mesmo, era importante mostrar que cada um deu sua oferta especial. Foram os doze primeiros dias da "inauguração do Mishkan."
1 Cr 29:17 Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade de meu coração, dei voluntariamente todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo, que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente.
Ofertas que tem valor são aquelas que são sinceras, voluntárias e que procuram agradar ao Criador. Foi isso que ocorreu com os que doaram ofertas para o Templo, nos dias do rei Davi.Por isso, Davi disse:
1 Cr 29:18 Senhor, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva isso para sempre no intento dos pensamentos do coração de teu povo; e encaminha o seu coração para ti.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Dízimos, pego ou não pego? Eis a questão
O fim do livro de Vayikrah fala de votos que fazemos a HaShem, dizendo daquilo a que consagramos para o Eterno, coisas que passam a ser "santas" ao Senhor.
Uma das coisas mais claras que pertencem ao Senhor e que, portanto, não nos são permitidas ao uso, são os dízimos. Sabemos que há três tipos de dízimos:
1) O sacerdotal, que entregamos à Casa do Tesouro, usado para administrar as coisas santas, com o mantenimento dos sacerdotes.
2) O dízimo das festas, que funciona basicamente como uma poupança particular, em que nos preparamos para as festas. Quem guarda o segundo dízimo nunca, jamais precisará dizer que está sem dinheiro para celebrar alguma das festividades do Eterno.
3) O dízimo dos pobres, que era dado a cada três anos, e ajudava a suprir as carências dos pobres dentre o povo. Se você dá o dízimo do pobre, isso deve fazer de você alguém grato por tudo que recebe do Eterno, e que Ele, em Sua bondade, não permita nunca que necessitemos da ajuda alheia, mas que todas as nossas carências sejam supridas dentro de nosso povo.
O dízimo também nos ensina sobre a generosidade Divina, pois ficamos com 87% de tudo que recebemos, sendo que nesse caso o segundo dízimo pertence a nós mesmos. Além disso, devemos aprender uma grande lição: Não gastar além do que ganhamos, pra não necessitarmos usar daquilo que não nos pertence. Dito isso, vamos ao texto da Torah:
Lv 27:30-32 Também todas as dízimas da terra, tanto dos cereais do campo como dos frutos das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR. Se alguém, das suas dízimas, quiser resgatar alguma coisa, acrescentará a sua quinta parte sobre ela. No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo do bordão do pastor, o dízimo será santo ao SENHOR.Às vezes não compreendo a dificuldade que as pessoas encontram pra compreender que o dízimo é do Eterno, pois o verso é claro: "Todas as dízimas, são do Senhor, santas são ao Senhor."
Certo, são do Eterno, mas e se eu precisar gastar? Posso? Aí entra outra questão, pegar ou não pegar... Se você usar o dízimo todo ou em parte, terá que "pagar uma multa" de 20% sobre o valor que pegar. Ou seja, é pra não compensar mesmo. Quando fazemos uso pessoal do dízimo, mais do que a multa, devemos ter a consciência de que aquele dinheiro NÃO É NOSSO. Assim como eu sei que se eu usar o dinheiro da conta de luz, água, etc... vai me trazer consequências, o dízimo também o trará, e muitas vezes é pior do que um corte de energia ou no fornecimento da água.
O verso 32 diz: "de tudo o que passar debaixo do bordão do pastor..." e isso nos ensina outra coisa importante. De vez em quando alguém pergunta: Tenho que dar o dízimo de tal coisa? Vendi minha casa, preciso dar o dizimo? Fiz um servicinho extra, meu patrão me deu um abono, por eu ser bom funcionário, etc... e o versículo é muito claro. DE TUDO!
Isso não é uma questão de aprender, mas de consciência. Quando tivermos plena consciência de que só o que HaShem pede de nós é a décima parte de tudo que Ele mesmo nos concede, nunca mais enfrentaremos este tipo de dúvidas. Nem tampouco faremos uso do dízimo para outros fins, ainda que saibamos que nos é permitido, mas tem a multa de 20%. Assim, compreenderemos que não DAMOS o dízimo, mas DEVOLVEMOS Àquele que é o legítimo dono.
Nunca aconteça conosco o que aconteceu com Israel nos tempos de Malaquias, no conhecido texto:
"Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida. Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos." (Ml 3:8-12)
Façamos a nossa parte e deixemos que HaShem repreenda o devorador, e dessa forma, nunca teremos falta de coisa alguma, mas saberemos que HaShem suprirá todas as nossas necessidades, e as nações verão isso e nos chamarão de felizes, porque verdadeiramente o somos.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Emor: O lugar do sacerdote!
O capítulo 21 de Levítico fala dos sacerdotes, mas um versículo em especial me chamou a atenção.
Lv 21:12 - Não sairá do santuário, nem profanará o santuário do seu Deus, pois a consagração do óleo da unção do seu Deus está sobre ele. Eu sou o SENHOR.
Somos todos homens, seja um cohen, um rabino, um líder religioso carrega o peso de servir de exemplo para o rebanho. Ao ir para Israel, dias atrás, tive breves momentos de conversas com dois rabinos, um numa sinagoga, outro numa Yeshiva, e isso me tocou de uma maneira especial, pois há dias, eu orava ao Eterno para que Ele me mostrasse algumas coisas, e entre essas coisas, que eu pudesse ver como eu deveria seguir minha carreira de líder religioso e gostaria de compartilhar hoje aqui.
Sei que todos somos homens, sujeitos às mesmas paixões e erros, mas o Eterno requer coisas de Seus líderes que estão além, muito além dos demais. Por exemplo, todo mundo pode ficar nervoso, brigar, se exaltar, gritar, ofender, magoar... mas o líder do Eterno precisa ser manso.
Nm 12:3 Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.
1 Tm 3:2 É necessário, portanto, que o líder seja irrepreensível, ... temperante, sóbrio.
Todos os "humanos normais" choram, lamentam seus mortos, mas o homem de D-us, esse não poderia sequer lamentar seus mortos. Quando Arão perdeu de uma só vez seus dois filhos, Nadabe e Abiu, a Torah declara:
Lv 10:6,7 - Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes, para que não morrais, nem venha grande ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem o incêndio que o SENHOR suscitou. Não saireis da porta da tenda da congregação, para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do SENHOR. E fizeram conforme a palavra de Moisés.
O homem pode casar-se com a mulher que bem entender, pode ser ela virgem ou não, viúva, divorciada, ex prostituta, mas imagina se um sacerdote do Eterno pode casar-se com qualquer uma? Claro que não. Esse é o contexto do início da parashah.
Mas o que o Eterno quer de nós, líderes? Que sejamos extra-terrestres, inatingíveis pelos demais "mortais"?
Não, Ele quer que sejamos EXEMPLO EM TUDO.
Tt 2:7,8 - Em tudo, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina,
mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós.
Quando, na parashah, Ele diz:
Não sairá do santuário, nem profanará o santuário do seu Deus, pois a consagração do óleo da unção do seu Deus está sobre ele. Eu sou o SENHOR. Entendi como um recado para mim, particularmente, que eu não tenho nada com a vida de outros, mas como líder do Eterno, que eu:
- não devo sair do santuário. É imprescindível ter em mente que eu preciso estar sempre diante do Eterno. Onde estiver, eu preciso me lembrar disso, pois se eu me esquecer, vem o segundo ponto...
- não profanar o santuário do Eterno. Quando nos afastamos do Santuário, da Shechinah, corremos o risco de profanar o Sagrado. Devo ser o mesmo, seja no Kotel, em Jerusalém, seja na minha casa, seja na Kehilah, no shopping, ou no parque... NÃO SE AFASTE DO SANTUÁRIO. Esteja sempre junto do Eterno. Mas porque?
- porque a consagração do óleo da unção está sobre mim.
Seja como for, onde for, e o que ocorrer, um líder do Eterno deve ser sempre (em qualquer lugar) um homem de D-us. Só assim, seremos verdadeiramente exemplos para o rebanho do Senhor, porque?
Sl 84:10 - Porque vale mais um dia nos teus átrios do que, em outra parte, mil. Preferiria estar à porta da Casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Acharei Mot e Kedoshim... Patrão, chefe Tsadik?
Acharei Mot e Kedoshim (Lv 16:1 a Lv 20:27 ) nos fala de santidade, de sermos pessoas santas, e os SANTOS possuem atitudes diferentes dos demais homens.
Santos são pessoas separadas das demais, mas separado de que maneira? Seria viver isoladas? Não creio! Acredito que nosso proceder nos conduz a isso. Quanto mais queremos parecer com o mundo, menos parecidos com HaShem, menos próximos de Sua vontade estamos e consequentemente, mais próximos das gentes.
Essas porções estudadas juntas nos apresentam uma série de mandamentos, desde o shabat e a obediência ao pais, até relações sexuais proibidas.
Dentre os mandamentos quero hoje refletir sobre algo que li ainda esses dias no facebook de uma pessoa no facebook, onde ela fazia uma citação do livro "Caçador de Pipas", dizendo mais ou menos assim: "Só há um pecado: o de roubar! Quando você mata alguém, você rouba a vida de uma pessoa, rouba os sonhos de seus familiares, etc..."
Partindo dessa premissa, lemos agora o texto da Torah:
O texto começa falando de oprimir o próximo, mas está falando do jornaleiro, quer dizer, do seu funcionário, que você não pode reter o salário, etc...
Para quem é chefe, patrão, ou direciona a vida de alguém em seu trabalho, quando você não paga o salário em dia, está roubando seu funcionário. Essa não é uma atitude de um Tsadik, um santo, justo. Mas tem mais.
Quando você oprime o funcionário, está roubando seu sonho, suas perspectivas de se desenvolver no trabalho. Quando você maltrata um funcionário, rouba dele a possibilidade de evoluir, pois imporá medo sobre a pessoa. E como um tsadik age então? O Tsadik age com justiça, e tenta pacientemente ensinar o seu "jornaleiro" a fazer o serviço. Se ele nunca se desenvolve, apesar de seus esforços, o tsadik pode até mandá-lo embora, mas nunca, jamais o fará de forma autoritária e cruel, desrespeitando, roubando e destruindo os sonhos de alguém.
Não amaldiçoar o surdo, nem sempre é literal, faz referência também àquele que não consegue compreender o que você fala. Como patrão, chefe, você precisa saber falar com seus funcionários, e NÃO OS AMALDIÇOAR, não ficar chamando de burro, de incompetente, ou coisas ofensivas de igual ou pior teor. Colocar tropeço também é atribuir responsabilidades nas quais você sabe que o funcionário não está apto a executar. Tema a Deus, amigo. Seja um patrão tsadik! Não pense que sendo honesto, generoso e respeitoso com seus funcionários, você estará sendo passado para trás. Estará sim conquistando respeito e admiração de seus subordinados.
Julgar com justiça é acreditar que nem sempre o seu gerente é o certo e o funcionário é o burro. Eventualmente, seu gerente e você mesmo, como patrão, dono, seja lá o que for, pode ser o errado da história. Seja justo, considere a possibilidade de o erro estar no alto escalão e não no clero. Saber reconhecer os próprios erros é agir como um Tsadik.
Como patrão, gerente, rosh, superior imediato, você deve saber que há limites, e não deve ficar fuxicando a vida alheia. Atenta contra a vida do próximo aquele que fica só fuxicando, fazendo mexericos na vida alheia, e observe que aquele que faz isso é incapaz de ver coisas boas no próximo. Só consegue ver defeitos. Quando vê algo de bom, é logo suprimido e minimizado por alguma tentativa de diminuir os esforços e qualidades alheias. Quem age assim, só vê talento e capacidade em si próprio.
Por fim, NÃO ABORREÇA TEU IRMÃO NO TEU ÍNTIMO. Fale COM ELE o que acha errado. Não fique falando aos outros, corrija se for o caso, mas não fique divulgando má fama das pessoas. Se você falar COM ELE, não há pecado em ti, mas se você falar COM OUTROS, considere-se um pecador, nunca um tsadik, um justo, um santo.
Kedoshim é para todos nós. Um pouco de santidade de cada vez não faz mal a ninguém.
Acreditar, ainda que por um instante, e admitir que talvez o errado seja você mesmo pode ser a diferença essencial entre um tsadik e um tolo. Seja o TSADIK.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Shemini e a síndrome de Robin Hood

Parashah Shemini (Oitavo)
Lv 9:1 a Lv 11:47
Depois da consagração de Arão e seus filhos, um processo que durou sete dias, Arão finalmente estava apto e oferece sacrifício, primeiro por si, depois pelo povo.
Em Lv 9:6 lemos: “Disse Moisés: Esta coisa que o SENHOR ordenou fareis; e a glória do SENHOR vos aparecerá.”
Não raras vezes vemos pessoas que querem sentir a presença do Eterno, ver a glória de D-us, ter uma experiência com Ele, serem usadas por Ruach HaKodesh, etc... mas de que jeito? Como fazer para conseguir tal prodígio?
Moshê e a Torah nos dão a receita no versículo acima. FAZER O QUE ORDENOU O ETERNO.
Nós, seres humanos, temos o mal costume de justificar os nossos erros, e isso vem desde Adam que, ao errar, colocou a culpa na “mulher que Tu me deste”, e Eva, colocando a culpa na serpente e assim aprendemos a colocar a culpa de nossos erros em fatores “alheios à nossa vontade.”
A coisa é simples assim, e se a complicamos é por falha nossa mesmo. FAÇA O QUE HASHEM ORDENA E VERÁS A GLÓRIA DO ETERNO.
Há outro aspecto que muitos dizem: “Fiz o que achei que era certo, tive a melhor das intenções.” Devemos aprender que mesmo a melhor das intenções pode nos trazer consequências negativas, pois pra fazermos algo bom, não precisamos fazer coisa errada.
Para ilustrar, tomemos um exemplo bem ridículo:
Você acha que é uma coisa boa fazer tsedakah, ajudar aos pobres? Bom, todo mundo diria que sim, é claro!
Mas, o que dizer então do traficante, que “ajuda a comunidade”? Do político, “que rouba, mas faz”, ou ainda do Robin Hood, que rouba dos ricos para dar aos pobres? Ajudar os pobres é ótimo, mas fazer isso com fruto de roubo, de desonestidade, de morte de pessoas inocentes, etc... não dá pra aceitar. É o mesmo que alguém que tem as melhores intenções, mas age errado.
Agora, vamos a um exemplo bíblico, que consta da Haftarah dessa semana, em 2 Sm 6:1 a 7:17.
Quando os homens de Davi levavam a Arca (que representa a Presença Divina) da casa de Abinadab para Jerusalém, estava uma festa total. Davi, o grande rei, estava junto se alegrava com o povo com danças, músicas, até que o carro de bois que levava a Arca deu uma balançada. Uzá, cheio de boa intenção, estendeu a sua mão, até como um reflexo, para evitar que a Arca caísse ao chão. Resultado: “acendeu-se a ira do Eterno contra Uzá e Deus o feriu pelo seu erro, e morreu ali junto à arca de Deus.” (2 Sm 6:7)
Ora, precisava Uzá ser morto? Ele quis fazer uma coisa boa! Será que o Eterno não é justo? Nunca nos esqueçamos que ter tocado a arca foi um erro. Nada justifica um erro!
Se a gente quer ser abençoado e sentir a HaShem, precisamos OBEDECER, e não arrumar desculpas e nem justificativas para nossas “boas intenções que não deram certo!”
Não tenhamos a síndrome de Robin Hood, de querer fazer o certo (ajudar aos pobres) por meios errados. Quer fazer o certo, faça! Assim, não ouviremos ninguém dizer coisas como: “eu trabalho sábado, mas Deus sabe que tenho a intenção boa de parar de trabalhar, mas Ele vai entender que preciso disso!”
Não, quer fazer o certo, faça! Quer fazer errado? Continue se especializando em arrumar desculpas.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Shabat de Pessach

Nesse ano tivemos o privilégio de Pessach cair num shabat e isso é a oportunidade de estarmos juntos desde o cabalat, nos lembrando da saída do Egito, da liberdade, etc... No shacharit de Pessach, a leitura da Torah está em Êx 12:21 a 51, com o Maftir em Nm 28 e a Haftará em Josué. Todos os textos nos trazem grandes lições relacionadas à celebração de Pessach e à nossa vida.
A Torah declara: “Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai a verga da porta e suas ombreiras com o sangue que estiver na bacia; nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã. Porque o SENHOR passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o SENHOR aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir.” (Ex 12:22,23)
Com isso vemos que HaShem deu instruções claras a Moshê Rabenu e ele as passou ao povo.
- Pegar do sangue do cordeiro.
- Marcar nos umbrais da porta de casa
- Não sair de casa até pela manhã
Assim os israelitas escapariam da morte dos primogênitos, que veio sobre os lares de todos os egípcios, e não havia um lar sequer onde não houvesse pelo menos um morto. Mas sobre os israelitas, nenhum deles morreu. Que aprendemos com isso?
Não apenas com isso, mas com cada uma das pragas que, como um bom pai, o Eterno provê condições a seus filhos de alcançarem a bênção. Ele fez com que todo o Egito sofresse para que Israel saísse livre. Nós, como pais, muitas vezes fazemos o mesmo, pagamos boas escolas aos nossos filhos, damos roupa, alimento, e condições e dizemos: 'Eu te dou tudo meu filho, só falta você fazer sua pequena parte', e ficamos bravos quando eles nem sequer tiram notas boas na escola. Temos as condições, só não passa o sangue no umbral quem não quer, e depois não adianta reclamar da morte do primogênito.
E o Eterno? Ele nos provê condições boas para tudo, e ainda assim fazemos coisas erradas. Vejamos nosso povo; mal sairam do Egito já começaram a reclamar, querendo voltar. Reclamar da falta de comida, de carne, do calor, do frio, de Moshê, fizeram bezerro de ouro, etc...
Quando foram espiar a terra prometida, voltaram reclamando, e só Josué e Calev, ousaram confiar em HaShem. Resultado? Toda aquela geração de israelitas morreu no deserto. Aí vamos na Haftará em Josué 5:4-7 onde diz que toda aquela geração pereceu sem ter entrado na terra prometida porque não obedeceram à voz do Senhor, aos quais o Senhor tinha jurado que lhes não havia de deixar ver a terra que o Senhor jurara a seus pais dar-nos, terra que mana leite e mel. Porém, eu seu lugar, pôs a seus filhos, que estavam incircuncisos. Ali, ele os circuncidou, e celebraram o Pessach.
Falando sobre isso, lembro-me dos que começaram o processo de teshuvah, e logo no início, abandonaram, preferindo voltar ao Egito. Com o passar do tempo, outros foram saindo, enquanto novos foram "nascendo", e esses são os que entrarão na terra prometida, e celebrarão o Pessach do Eterno.
É amigos, a terra que mana leite e mel está ao alcance de todos. O Eternos nos provê condições de alcançarmos o Olam Habah, mas pra isso, no Olam Hazeh, precisamos fazer a vontade do Eterno. Ou a gente faz, ou vai ficar chorando a morte dos primogênitos ou morrer de uma praga qualquer. Cabe a nós escolher, valorizar tudo que HaShem nos dá.
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