sexta-feira, 8 de novembro de 2013

E viveram felizes para sempre... só em conto de fadas!


A parashah de Vayetze já deixa pra trás a história de Isaque e começa a narrar a vida de Jacó, que mais tarde teve seu nome mudado por D-us para Israel. E a história de Israel não é um conto de fadas, é uma história real. Vamos aprender um pouco com a história real, porque ela nos ensina verdades e nos traz de um mundo de ilusões para a realidade.
 
Nessa parashah (Gn 28:1 a 32:3) temos os casamentos de Jacó. E estórias de contos de fadas giram em torno de romances. Mas a história verdadeira fala de amor!
 
Antes de entrarmos no assunto, pergunte-se a si próprio: Por quê eu me casei? Valeu a pena ter casado com essa pessoa? Se eu pudesse me casar de novo hoje, eu me casaria de novo com a mesma pessoa?
Assim como na parashah da semana passada vimos sobre o fato de muitos terem filhos, mas nem sequer saberem o que os esperava e o que fazer, nessa semana aprendemos que muita gente se casa, mas nem sequer sabem o que é um casamento, vivem apenas e tão somente "um conto de fadas".

Gn 29:30 - E entrou também a Raquel e amou também a Raquel mais do que a Léia.

Estamos muito acostumados a filmes, desde pequenas, nossas meninas são estimuladas com contos de fadas, histórias de princesas. Mas a vida real é bem diferente!
Já perceberam que os contos de fada contam estórias que em geral vão até o casamento dos personagens e encerra dizendo: e foram felizes para sempre! Por quê não mostram o que vem depois? Porque o que vem depois não é “um conto de fadas”. É vida real!

Tanto homens quanto mulheres são atraídos pelo que vêem. Homens mais, mas que mulher aceitaria se casar com um homem feio? Veja o que aconteceu com Jacó:

Gn 29:17,18 - Lia tinha os olhos tenros, porém Raquel era formosa de porte e de semblante. Jacó amava a Raquel e disse: Sete anos te servirei por tua filha mais moça, Raquel.

Por quê ele escolheu Raquel? Por sua beleza, evidente! E por quê não atentou para Lia? Alguns dizem que ela era vesga, tinha olhos baços (sem brilho)... mas atente à tradução da Torah: olhos TENROS (delicado, suave, amável). Não sabemos escolher, não sabemos ver o que é melhor para nós. Vamos muito mais pela aparência das pessoas, coisas... e Jacó foi enganado por Labão, e veja o que a Torah diz:
Gn 29:30 - E entrou também a Raquel e amou também a Raquel mais do que a Léia.
Jacó amou Léia? Claro que sim! Amou mais a Raquel.

Agora vejamos um outro exemplo, o pai de Jacó, Isaque:
Gênesis 24:67 Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou; assim, foi Isaque consolado depois da morte de sua mãe.
Quando Isaque amou a Rebeca? Depois que se casou com ela. Da mesma forma que Jacó amou a Léia. O texto bíblico não diz que Isaque amou Rebeca imediatamente após se deitar com ela, nem que ele foi consolado pela morte da mãe imediatamente. Ao longo da sua vida de casado com Rebeca, ela substituiu a mãe e ele se consolou. Casamento não é apenas um dia, não é apenas relação sexual.

Voltando a Jacó, embora ele tenha amado Rebeca, notemos os versos que relatam o fim de sua história:

Gênesis 49:31 Ali, sepultaram Abraão e Sara, sua mulher; ali, sepultaram Isaque e Rebeca, sua mulher; e, ali, eu sepultei Léia.
No lugar onde estavam sepultados seus pais e avós, a esposa de Jacó que mereceu tal honra de ali ser sepultada foi Léia e não Raquel.

Há uma grande diferença entre amor e paixão. Paixão passa, a gente consegue o que quer (ou não) e logo abandona.
Pirkê Avot 5:20 diz: todo amor baseado no interesse cessa com a causa que o fez nascer; mas o amor desinteressado perdura para sempre. Qual o exemplo do amor fundado em um interesse? O de Amnon por Tamar.

Leia a história de Amnon e Tamar, em 2 Sm 13:1-17 (15) Depois, Amnom a aborreceu com grandíssimo aborrecimento, porque maior era o aborrecimento com que a aborrecia do que o amor com que a amara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te e vai-te.

O amor vem com o tempo, precisa ser cultivado, caso contrário continuaremos a acreditar em contos de fadas. É preciso saber porquê queremos nos casar. E quando nos casamos, é preciso reconhecer que aquela pessoa (por quem nos apaixonamos) está ali. Envelhecemos juntos, construimos e cultivamos o relacionamento.


Como nos diz o sábio em
Eclesiastes 9:9  Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade; os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol.
Deixemos de lado as estorinhas de contos de fadas, e passemos a viver a história, amando a pessoa com quem nos casamos. Se seremos "felizes para sempre"? Bem, isso só depende de nós, de quanto somos capazes de cultivar esse relacionamento e transformarmos o efêmero sentimento da paixão por um verdadeiro e belo sentimento de amor, cumplicidade, comunhão e generosidade para com a pessoa com quem nos encantamos... não aquela da beleza exterior, mas aquela que tem olhos TENROS.


 
 
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Toledot e os filhos? Por quê os queremos?

A parashah de Toledot (gerações) começa em Gn 25:19 e fala do nascimento de Esaú e Jacó, e o nascimento dos filhos é algo que sempre traz, ou deveria trazer, alegria aos pais. Jovens casais imaginam como será a aparência de seu primogênito, sonham com seu crescimento, etc... mas nascimento dos filhos não é algo tão simples assim. Vejamos:
Isaque e Rebeca se casaram, e passaram vinte anos esperando por isso, pois o texto bíblico diz: "Isaque orava insistentemente ao Eterno (e Rebeca também), porque ela era estéril e finalmente, depois de vinte anos, ela engravida." (Gn 25:21) Aí você deve pensar: nossa! que alegria a de Rebeca hein?! Estava realizando um sonho. Será?
Vejamos o que nos diz o verso seguinte: “E lutaram os filhos no seu ventre e ela disse: Se é assim, porque desejei isso eu?” (Gn 25:22)
Analisando bem a situação, uma mulher que é estéril, espera vinte anos, e quando engravida, vem gêmeos, isso certamente seria o máximo da alegria, mas não para Rebeca, ela ainda com os filhos dentro do ventre já reclamava.
Na verdade isso não é muito diferente dos dias atuais. Casais sonham com filhos, mas quando eles vem, não sabem como agir. A paternidade (e maternidade) exige do casal maturidade.
Ora, Rebeca diz: “se é pra ser assim, porque eu desejei ter filhos?” Será que uma mãe não sabe que filhos brigam? Quem tem mais de um filho sabe, eles vão crescer brigando, lutando por espaço e isso é da natureza. Desde os primeiros, quando Caim matou Abel, os filhos vão conquistar seu espaço dentro de casa (da maneira correta, não como Caim) e isso os prepara para a vida fora de casa.
Também é natural que os pais reclamem, questionem, corrijam seus filhos. O que não é certo é ficarem maldizendo, amaldiçoando sua propria geração. Quando dizem coisas como: “você é um burro! você não serve para nada! Não sei porque eu fui burra de ter filhos! Filho criado, trabalho dobrado! ou coisas semelhantes a essas, os pais não se dão conta de que estão fazendo que seus filhos se sintam rejeitados.
Não, não estou dizendo com isso que os filhos devam ser bajulados, que possam fazer as coisas do jeito que bem entenderem; não é nada disso! O que precisamos aprender é que, se desejamos ter filhos, precisamos tratá-los com respeito e dignidade (sim, os pais também devem respeitar os filhos).
Quando errarem, os filhos precisam da correção, e por isso a bíblia fala em provérbios 13:24 “O que retem a vara aborrece a seu filho...” mas é preciso entender que os filhos precisam se sentir AMADOS, desejados, pelos pais. Eu como pai, tenho o dever de os corrigir, mas também tenho o dever de fazê-los se sentirem amados. Por exemplo, nas duas frases abaixo, qual é a correta e qual a errada?:
- Meu filho, eu estou decepcionado com sua atitude, esperava que você agisse de maneira diferente.
- Meu filho, você é uma decepção para mim. Eu esperava que você fosse diferente.
Embora pareçam dizer a mesma coisa, as duas tem pesos diferentes, completamente diferentes: a primeira frase demonstra que o pai está triste pelo ERRO do filho. Já a segunda, demonstra que o FILHO é uma DECEPÇÃO.
 
Queiram ter filhos, mas queiram educá-los, amá-los e não lancem sobre eles todas as suas próprias frustrações. Filhos devem ser fonte de alegria, não apenas quando nascem, mas durante toda a vida. Quantos e quantos pais pegam o bebê no colo, abraçam, beijam, demonstram carinho, mas logo que crescem um pouco, os pais já não demonstram o menor carinho pelos filhos?
 
Filhos vão brigar entre eles mesmos, vão passar por desafios nas escolas, no trabalho, no casamento, vão cometer erros sempre, pois são humanos, mas, quem disse que pais também não os cometem?
É triste demais para os filhos saberem que seus pais só conseguem ver seus defeitos, e nunca os elogiam pelos acertos. Além disso, Shaul HaShaliach nos deu este conselhos: “Pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4) Sim, é dever dos filhos honrar os pais, mas é também necessário que nós, pais, tratemos de maneira digna os nossos filhos, não apenas criticando os erros, mas ressaltando com alegria os acertos e as vitorias por eles alcançadas, pois, caso contrário, ainda quando estiverem no ventre, nossos filhos continuarão a ouvir: "porque desejei eu isso?"

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Chayeh Sarah e como as pessoas te vêem mesmo?


A parashah dessa semana conclui a vida do patriarca Avraham e começa falando da morte de sua esposa, Sarah. E de vez em quando, nos momentos difíceis, a gente percebe como é que as pessoas nos vêem.
Tem coisas que acontecem com todo mundo, por exemplo, você coloca uma roupa e acha que está arrasando e de repente alguém vem e te fala: que roupa hein?! Não tá nada legal! E pronto, a pessoa já fica arrasada. Ou o contrário também acontece: você tá lá se sentindo feio, e alguém vem e fala: ei, que roupa chique hein?! e seu semblante já muda. Isso mostra que no fundo, todo mundo dá valor à forma como é visto pelas demais pessoas. Mas a aparência não é o mais importante. O importante é como somos vistos além daquilo que vestimos.
 
Em Gn 23:6 os habitantes de Hebrom, dizem a Avraham (quando ele queria sepultar Sarah): “Ouve-nos, meu senhor: príncipe de Deus és no meio de nós.” Era assim que eles viam a Abraão.
 
Nosso patriarca vivia entre eles e no verso 4 é dito por ele: “Estrangeiro e morador sou entre vós..” Ao dizer que era primeiro estrangeiro e depois morador, nosso patriarca salienta que ele NÃO ERA COMO ELES, apesar de morar entre eles. As vezes isso é dificil de as pessoas perceberem e é bem verdade, não fazemos lá grande questão de mostrar que somos diferentes. Abraão sim, era diferente.
 
O que faz de nós “príncipes e princesas de Deus” no meio dos goym onde vivemos? Nossas atitudes. Não precisamos falar: eu sirvo a D-us. As pessoas percebem um brilho diferente em nós ou não. Não dá pra falar: eu sou isso, sou aquilo...isso não adianta nada. 
 
Está escrito em Jo 5:31,32 “Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é o que testifica a meu respeito, e sei que é verdadeiro o testemunho que ele dá de mim.”

Abraão era visto como “príncipe de Deus” porque agia diferente, porque era especial, porque ele tinha atitudes diferentes dos gentios. Agora faça uma auto-análise e pontue o quanto você se parece com um príncipe de Deus ou um sapo do mundo.

- Num ambiente onde todo mundo fala palavrões, palavras torpes, besteiras inúteis, como você age? Fala igual ou é Abraão, fazendo questão de ser diferente, talvez saindo dali?
- Numa festinha, todo mundo bebendo latas e latas de cerveja, álcool, whisky, vinho... você faz o quê? Bebe uma latinha e chega, ou segue bebendo. O que Abraão, o príncipe de Deus faria?
- No bairro onde você mora, o que seus vizinhos dizem a teu respeito? Te veem como uma pessoa diferente? Veem em seu lar um lar de paz, ou apenas como mais um casal que literalmente vive aos berros com filhos e discutem direto, onde marido e mulher podem ser ouvidos ao longe?

Precisamos ser príncipes de Deus não apenas no shabat, na congregação, mas no dia-a-dia. Lembre-se que Abraão não frequentava sinagoga, ele era um "judeu" todos os dias. Precisamos ser diferentes, dar testemunho em casa, na escola, no trabalho, na faculdade, na roda de amigos, etc...

Se bebemos, se falamos linguagem vil, torpe, se agimos como os goyim, se nossas esposas não são submissas, se não são diferentes, se não acendem luzes do shabat, se não fazem chalah, se não praticam a tsiniut, como eles nos verão como príncipes e princesas de Deus?

Ser um principe de Deus não é ser uma pessoa chata, insuportável. Abraão não era assim, ele era gentil, tinha boa relação com as pessoas, tratava-as educadamente; intercedeu pelos homens quando Deus falou em destruir sodoma, era generoso, não gostava de brigar, preferiu perder ao ver seus pastores brigando com os pastores de Ló, tudo em nome da paz... mas não confunda, podemos praticar gentilezas com o mundo, só não podemos ser como eles. Foi isso que fez o povo olhar para nosso patriarca como um principe, mas não um principe qualquer, um principe de Deus.

Que testemunho as pessoas dão de nós? Somos principes, princesas ou sapos? Lembre-se: você não é o que você diz, mas sim aquilo que as pessoas testemunham que você é.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vaierah: Sarah e um costume antigo.


 
 
A parashah de Vaierah compreende o texto de Gn 18:1 a Gn 22:24.

A imagem acima fala por si só, e retrata uma algo muito inerente ao ser humano: a curiosidade. É interessante observar como as pessoas são curiosas em relação à vida alheia; por isso mesmo, programas de tv como o Big Brother e revistas de fofoca fazem tanto sucesso.

O problema, que nem sempre percebemos, é que ficar “cuidando” da vida dos outros, acaba levando a uma série de outos erros. Vejamos por exemplo Sarah:

Abraão tinha recebido três homens, Sarah os viu, pois Abraão havia dito a ela para preparar alguns alimentos aos visitantes. Daí, a certa altura da conversa, perguntaram ao patriarca: Onde está Sarah? Abraão responde: Ela está na tenda..

A questão é que ela estava na porta da tenda sim, ouvindo a conversa alheia. Ainda que a conversa fosse sobre ela, ela não deveria estar ali. Esse é o erro de boa parte das pessoas. Ficar ouvindo conversas atrás da porta, mesmo com a justificativa de que: “estavam falando de mim, eu tenho o direito de ouvir” é errado. Como dito, isso conduz a uma série de erros, ou mal-entendidos. Vejamos Sarah:

Ela ouviu atrás da porta, e nao acreditou no que o anjo falava a Abraão, de que ela teria um filho. Riu disso. Mas alguém dirá, onde estão os erros?

- Ela ter se rido, significa que não acreditou no anjo, meio que achou graça, como se fosse piada.

- Falou mal de si e de seu esposo, chamando-o de velho (incapaz de gerar filhos)

- Negou que havia rido, ou seja, mentiu.

Não é necessário ficar atrás da porta par ter atitude semelhante à de Sarah. Há pessoas que utilizam de outras artimanhas pra saber qual o assunto da conversa em particular entre duas ou mais pessoas. Então, pra não ouvir atrás da porta (porque isso é feio) a pessoa inventa de levar uma água pro rosh, trazer uma bolachinha, um lanchinho, e assim, acha que “fazendo o bem” ninguem vai se dar conta de que na verdade ela entrou pra escutar um pouco da conversa. E essa atitude é ainda pior do que ouvir atrás da porta. Pior o fato de que quem ouve metade da conversa, sabe metade do assunto, e isso a leva a deduzir o restante, quase sempre, deduzindo errado.

Resista à curiosidade de ouvir conversas alheias, mesmo que estejam tratando de assuntos referentes a você. Se você tomar parte na conversa, resista a vontade de sair contando do assunto pra todo mundo que encontrar pela frente. Mas se ainda assim, isso ocorrer, assuma a responsabilidade por seu erro. Sarah falou: eu não ri. E ouviu como respostas: Isso não é correto, você riu sim!

Parta do principio de que “se eu não fui chamado na conversa, é porque ela não me diz respeito.” Assim, vamos todos evitar constrangimentos desnecessários.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Abraão e Sarah, sua linda mulher.

 
A parashah dessa semana, chamada Lech Lecha, vai de Gn 12:1 a Gn 17:27. Com o começo do relato de vida de nosso patriarca Avraham viajamos também em grandes histórias de um homem cheio de virtudes, mas, como sempre, ninguém é perfeito.
 
Antes de falar de Abraão, olhemos para nós mesmos. Quem são as pessoas que mais amamos? Quem são aqueles a quem realmente prezamos de forma singular, como únicos em nossa vida? Pense um pouquinho nessa pessoa. Depois de refletir sobre sua relação com ela por pelo menos dois minutos, aí sím, continue lendo o post.
 
Veja o que a Torah diz: “Foi quando se aproximou para entrar no Egito, disse a Sarai sua mulher: Eis que agora sei que és uma mulher formosa à vista.” (Gn 12:11)
 
Abrão já tinha seus setenta e cinco anos, e segundo alguns, já era casado com Sarai há 40 anos e nunca havia dito algo semelhante à sua esposa. 
Isso pode parecer normal para alguns, e na verdade muitos acham que o romantismo, demonstração de carinho é bobeira. Eu acho que não.
 
Porque Abrão demorou muitos anos pra dizer à esposa que ela era bonita (apesar de ela já ter 65 anos de idade)? Não, isso não foi uma demonstração de romantismo, mas o medo fez com o patriarca disse isso à esposa. Medo de morrer! Nos versos seguintes basicamente ele fala: "os egípcios te acharão linda e vão me matar pra ficar com você, então diga que é minha irmã, e pra te conquistar eles vão me deixar vivo e me tratar bem." Que hora pra fazer um elogio  hein?!
 
Isso não significa que ela não amava a esposa, ou que não a valorizasse, mas perceba que ele disse: "AGORA SEI QUE É UMA MULHER FORMOSA". Só agora?
 
Amamos nossos filhos, nossa esposa, nossos maridos, mas quantas vezes expressamos isso? Quantas vezes dizemos a nosso cônjuge: "você realmente é uma mulher bonita"? Ou para o marido: "eu tenho orgulho de você, meu marido"?
 
O problema é que, como Abrão, só diante da morte, quando vemos a morte de perto, e sentimos medo, inventamos de demonstrar sentimentos, de elogiar a quem amamos. Quanto tempo perdido!
 
Gastamos nosso tempo com muita coisa, trabalho, passeio, viagens, amigos, e não investimos tempo para admirar a beleza de nossos cônjuges. E pra que? Pra no fim da vida, num leito de morte, olhar pra esposa e finalmente falar: Eu te amo!, como você está bonita!?
 
Você pode achar que dizer para a esposa que ela está bonita e que a ama pode ser frescura, mas como você se sente quando alguém te elogia? Certamente não pensa: "você é um tolo, pra que me elogiar?" Ninguém fica triste em ser elogiado. E então porque você não faz isso com as pessoas que ama?
 
Hoje, ao inves de ver as noticias do jornal nacional, ao invés da novela, pare e fique olhando seu marido/esposa por uns instantes (de preferência enquanto ela estiver distraída) você vai se surpreender em ver detalhes tão bonitos, pequenos trejeitos que só sua esposa tem, o jeito gracioso como faz determinadas coisas. E depois fale: "eu gosto quando você faz assim, gosto de ver você preparar o jantar, o cuidado com nossas coisas,... querida, depois de todos esses anos, deixa eu te dizer mais uma vez: "eu sou um cara de sorte, por ter uma esposa tão bonita e graciosa como você!"
 
De minha parte, ficaria muito feliz se as esposas tambem fizessem o mesmo com o marido. E ambos fizessem o mesmo com os filhos, gabando-se das suas crias...
 
Garanto uma coisa, é melhor Abrão falar pra Sarai que ela é uma mulher linda, formosa, do que ver os egipcios o fazendo e depois ficar bravinho.
 
E lembre-se: O ELOGIO SINCERO É AQUELE QUE FAZEMOS SEM ESPERAR NADA EM TROCA. O ELOGIO MAIS GOSTOSO É AQUELE QUE RECEBEMOS SEM ESTAR ESPERANDO!
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ki Tavo e a indecisão. Qual escolheremos? Oneg ou Nega? Bênção ou Maldição?


Ao lermos a Parashah de Ki Tavô (Dt 26:1 a 29:8) é inevitável que nos detanhamos nos textos de Dt 27:11 até Dt 28:28 que tratam de bênçãos e maldições.
 
O texto da Torah começa falando de que, quando os israelitas passassem o Jordão, entrando na Terra Prometida, eles estariam diante de dois montes, Ebal e Gerizim. No monte Ebal, estariam representantes de seis tribos para amaldiçoar, e no monte Gerizim, outras seis tribos, para abençoar.
 
E os levitas iriam proferir palavras: "Maldito o que fizer tal coisa... maldito o que fizer aquilo... e o povo deveria dizer: AMEN!"
 
Mas quem decidia para que lado a pessoa deveria seguir? Você vai para o Monte Ebal ou para o Monte Gerizim?
 
Essa não era (e ainda não é) uma opção que escolhemos na hora. É evidente que todos escolheriam seguir no rumo do Gerizim, pra ser abençoado! Basta ver as religiões por aí afora; todas oferecem bênçãos, mas quem quer mudar de atitude?
O monte para o qual rumamos é aquele que escolhemos ao longo de toda a vida, através de nossas atitudes.
 
Na próxima semana, na parashah de Nitsavim tem o verso que complemente isso: “Tomo hoje os céus e a terra por testemunhas contra vós, que tenho dado perante vós a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolherás pois a vida, para que vivas tu e a tua descendência, amando ao Eterno, Teu Deus, ouvindo a Sua voz e te achegando às Suas qualidades; pois isso é a tua vida e o prolongamento dos teus dias.” (Dt 30:19,20)
 
É uma pequena diferença em nossa vida hoje que fará grande diferença no futuro. Quando optamos pelo caminho certo rumo ao Gerizim, desde o começo, não corremos risco de pegar o atalho errado e cairmos no monte Ebal. Sobre isso há uma breve explicação de nossos sábios, na página 584 do Torá (Editora Sefer):
 
“Nossos sábios nos mostra uma singularidade ortográfica em hebraico: Nega, significa praga. Ôneg significa sorte ou felicidade. Estas duas palavras, Nega e Ôneg se diferem somente pela colocação da letra Ayin. Em "sorte" a letra Ayin está à direita; em praga, ela está à esquerda. O homem tem o poder, dizem os sábios, de converter Ôneg em Nega somente mudando a letra Ayin, ou seja, tem a liberdade de escolher entre o bem e o mal. Por outro lado, a direita, a destra, simboliza a ação e a força, enquanto a esquerda simboliza a fragilidade. O homem tem o poder de transformação. Pode fenecer diante da matéria ou lutar e triunfar pelo espírito. Pode escolher entre o bem e o mal, e está em suas mãos transformar o sofrimento em felicidade, em Ôneg.
Segundo a Torá, não basta libertar-se do mal. É preciso transformá-lo em bem, e as imensas potencialidades que o homem tem devem estar a serviço de Deus. Se ele obedece à voz do Eterno, virão sobre ele as bênçãos, ou, caso contrário, terá de suportar as Kelalot (Maldições) escritas nesta Parashah.”
 
E aí, de que lado vai colocar a letra Ayin? Coloque do lado certo, do lado DIREITO. E encontrarás um caminho de bênçãos, e o Monte Gerizim te aguarda!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Ki tetsê e o poder do "pão e água"


A parashah de Ki Tetsê (Dt 21:10 a 25:19) nos ensina sobre muitas coisas e até por isso coloco pela primeira vez dois comentários da mesma parashah na semana. Agora para perguntar: "Você sabe o poder do pão e água?" As vezes a gente só dá valor a determinadas coisas quando as oportunidades já se passaram.

Dt 23:4 nos diz: "Porquanto não foram ao vosso encontro com pão e água, no caminho, quando saíeis do Egito..."

O texto fala dos amonitas e moabitas, que NÃO ENTRARIAM NA ASSEMBLÉIA DO ETERNO." Por conta disso, por não ser atencioso, bondoso com os israelitas quando estes saíram do Egito e cruzavam o deserto. Ah! Se eles soubessem a recompensa de um copo dágua e um pão... o problema é que assim como eles, deixamos as oportunidades passarem diante de nós e quando vemos, só nos resta dizer: "Eu não sabia, eu não percebi que podia ter sido mais generoso."

Yeshua, num de seus discursos falando sobre sua vinda, dizia sobre quando Ele se assentará no Seu Trono de Glória, Ele vai separar os tipos de pessoas e as pessoas não entendiam direito e lhe perguntaram: "Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.” (Mt 25:44-46)

AH! Como faz falta o pão e água na hora que deixamos de ser generosos, misericordiosos e nos privamos de fazer o bem, fingindo que não estamos vendo a necessidade de um irmão.

Me coloco a pensar num outro versículo dessa parashah, que fala das franjas do talit, em Dt 22:12 "farás franjas nos quatro cantos do manto com que te cobrires"  e em Nm 15:37-41 nos fala que essas franjas estão lá pra nos fazer lembrar dos mandamentos do Eterno. E quantos de nós acham que estão salvos, que estão melhor espiritualmente só pelo fato de rezarem bonito, de usarem seu talit diariamente, de colocarem tefilin, etc...

Isso vai de encontro com uma outra parábola do Mestre, famosíssima por sinal, e conhecida por "a parábola do bom samaritano"

Em Lc 10_25-37 fala que passou um cohen, um levi e não ajudaram ao necessitado, que havia sido assaltado, e veio um samaritano e lhe sarou as feridas, se preocupou com ele, e o ajudou. E a famosa pergunta: Quem é meu próximo?

Transformar nossa aparente santidade em atitude é o desafio. Colocar o talit, um manto de oração, é uma mitsvah e devemos fazê-lo, mas amar ao próximo também o é, e de muito maior importância.

Quanto mais superiores nos sentirmos, mais humildes devemos ser.

Cumprimentar os mais simples da Kehilah, dar atenção, sentar a ouvir seus problemas, suas angustias, tristezas, e quem sabe, estender nossa mão e dar um copo de água e um pão não garantirá nosso lugar no Olam Habah? Quem sabe por causa dessas pequenas atitudes não sejamos dignos de ouvir Ele dizer: "Vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse de meu reino que vos está preparado desde a fundação do mundo."? (Mt 25:34)