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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Parasha Vaiera e as Lições da Akedah de Itschak.



Nessa parashah temos um dos relatos mais impressionantes de fé e amor a Deus já dado, quando nosso patriarca Avraham atende ao pedido do Senhor para sacrificar seu filho Isaque. 
A aliah de hoje (Gn 22:1-8) fala disso, daquilo que é chamado em hebraico de “akedah de Itschak”. E quantas e quantas lições para nossa vida podemos aprender com essa história? Muitas, mas aprender é uma coisa, colocar em prática é outra, bem diferente. 

Gn 22:1 - Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui!
A primeira lição é: Quando o Eterno te chama, você responde? Diz, como Abraão: Eis-me aqui!
Muitas vezes as pessoas ficam esperando D-us falar (pessoalmente) com elas e não se dão conta que o Eterno está falando, através da Torah, através dos profetas, através da pregação na sinagoga... e quando o recado de Deus vai direto para elas, as pessoas só tomam para si se for “coisa boa”, mas quando é uma exortação, elas ignoram; mas... continuam esperando Deus falar com elas. 

Gn 22:2  Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.
Ah, e Deus falou com Abraão. E aí, lhe pede o filho, o único filho, em sacrifício. Talvez aí, a gente já deixe de ser como o patriarca, pois quem teria coragem de obedecer a um pedido desses? 
O Eterno sabia que Abraão amava seu filho, por isso está escrito: “teu filho Isaque, a quem amas”. Deus sabe aquilo que para nós é importante, aquilo que amamos, e por isso mesmo, nos pede para abrir mão. E é nessas horas que pensamos: “se fosse Deus de verdade falando comigo, Ele saberia que não posso fazer isso, pois amo tal pessoa, tal coisa, tal .....” 
Não estamos dispostos a sacrificar. Sacrificar parte do salário (com dizimos e ofertas), sacrificar minha folga (perder meu dia de descanso pra fazer algo pela kehilah é um grande sacrificio) e quem nao está disposto a sacrificar, não verá o Eterno provendo o Cordeiro para o holocausto. 

Outro aspecto nesse verso é o Monte Moriah, o local da akedah, é o mesmo local onde o Eterno estava ao criar o mundo, é o mesmo local onde foi erguido o Templo, em Jerusalém, e é claro, o centro do governo de Mashiach no futuro. Por isso, D-us ouve as preces que lá são feitas. O lugar é sagrado! 
Se você deixa o Moriah fora de sua vida, se não está disposto a fazer seu sacrificio, ir até lá e buscar ao Eterno, como esperar que Ele te ouça? 

Gn 22:3  Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.
Esse é outro verso emblemático, se você quer fazer algo para Deus, faça você mesmo, levante-se cedo, saia do seu lugar, saia da sua “zona de conforto”, rache sua própria lenha para o o holocausto, e vá para onde Deus lhe tem indicado. 
Como podemos ser obedientes ao Eterno se não estivermos dispostos a sair de nosso lugar? Isso é o que chamamos de “obediência por conveniência”; só faço se o que for me pedido já estiver na minha mente fazer e eu obtiver algum benefício com isso.
É preciso que cada um esteja disposto a preparar seu próprio holocausto. 

Gn 22:4  Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe.
A caminhada para o seu holocausto pode ser longa; a de Abraão foi de três dias. Ele avistou o lugar de longe, e é de longe mesmo que avistamos o cumprimento das mitsvot... e de longe também avistamos as promessas. Israel caminhou por quarenta anos até chegar na terra prometida. A caminhada de Abraão até sua circuncisão e o pacto com Deus foi de vinte e quatro anos. Nada na vida é fácil, nada é “logo ali”. 

Gn 22:5  Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.
De novo, tem caminhos que podemos estar acompanhados, quer de servos, quer de amigos, mas há passos, jornadas, que precisamos seguir sozinhos. Abraão, ao avistar o lugar do sacrifício, dispensou seus servos. Ele não tinha dúvida em sua cabeça, estava disposto a obedecer até o fim, e na verdade o judaísmo considera como se ele de fato tivesse sacrificado Isaque naquele altar. 
Mas o mesmo verso diz: “havendo adorado, voltaremos para junto de vós”. De alguma maneira Avraham sabia também que não ficaria sem seu filho amado. Isso se chama fé!
Quando vamos fazer algo, precisamos ter a certeza de que aquilo vai dar certo. Como é triste quando nos propomos a algo e nossos companheiros, ou nossa dúvida, nosso subconsciente nos diz: “Isso não vai dar certo!” Aí quando a coisa não dá certo mesmo, dizemos: “alguma coisa dentro de mim dizia que isso daria errado” 
Besteira! Se for pra ter dúvidas, é melhor não fazer. Se você tem dúvidas da sua fé, se tem dúvidas do Deus que serve, qual a razão de servir a Deus? Se tem dúvidas de que Yeshua seja seu Mashiach, qual a razão de crer nele? 
Exercite sua fé! Abraão tinha certeza de que tudo daria certo e por isso mesmo alcançou a bênção e viu o Eterno provendo o sacrificio para si. Quem não tem fé, não vê a provisão divina, que se mostrou na sequencia dos versos de Gn 22. Confie em Deus, exercite sua fé, saida da “zona de conforto” e sacrifique!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Vaiera e a lição do poço, o poço da cegueira!



A parashah dessa semana relata o nascimento e boa parte da vida de Itschak (a vida dele não contempla muitas parashiot, pois Isaque era um homem do bem, pacato e “não rende muitas histórias” ser assim) Mas deixando um pouco esse grande homem de lado, vamos ver a aliah de hoje, de acordo com o terceiro ano do ciclo trienal.

Gn 21:14-21 “Levantou-se, pois, Abraão de madrugada, tomou pão e um odre de água, pô-los às costas de Agar, deu-lhe o menino e a despediu. Ela saiu, andando errante pelo deserto de Berseba. Tendo-se acabado a água do odre, colocou ela o menino debaixo de um dos arbustos e, afastando-se, foi sentar-se defronte, à distância de um tiro de arco; porque dizia: Assim, não verei morrer o menino; e, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou.  Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está. Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mão, porque eu farei dele um grande povo. Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e, indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz.   Deus estava com o rapaz, que cresceu, habitou no deserto e se tornou flecheiro;  habitou no deserto de Parã, e sua mãe o casou com uma mulher da terra do Egito.”

Todos sabemos que Agar, a serva egípcia de Sara, ao engravidar, passou a desprezar sua senhora e isso também se passou com seu filho Ishmael, que, ao ver nascer Isaque, começou a zombar do irmão desde cedo e acabaram sendo expulsos da presença de Sara e Abraão. 

Pois bem, primeiro cabe ressaltar que quem age dessa maneira, menosprezando, zombando dos outros, especialmente seus irmãos (sejam eles congregacionais ou de sangue) acaba ficando sozinho. 

Sl 1:1,2  diz: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.”
Ficar junto aos escarnecedores é perder tempo com coisa inútil. 

Mas voltando ao texto da aliah, percebemos que Agar estava em desespero com seu filho adolescente. Sem água, ela não via solução e se distanciou do filho, para não vê-lo morrer. 
Mas Agar estava cega. “Cega” não literalmente, mas pelo fato de não enxergar solução para seus problemas. E quantas vezes nos encontramos assim na vida? Tomados pelo desespero, não enxergamos saída para o “buraco em que nos metemos”. 

Aí Deus aparece, abre os olhos de Agar e ela finalmente viu um poço de  água bem à sua frente. O poço estava ali? Provavelmente, porque caso contrário, a Torah declararia que o Criador teria feito um poço, mas ela afirma: “Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço”

1) Muitas vezes a solução de nossos problemas está ali, bem diante dos nossos olhos, mas no desespero, não somos capazes de refletir, de enxergar e acabamos não vendo o poço. 
2) É Deus quem abre nossos olhos. Se vivemos uma vida distante do Eterno, na hora de dificuldade, quem abrirá nossos olhos? Amigos? Outros tão cegos quanto nós mesmos? 

Lucas 6:39  E disse-lhes uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?

Por outro lado, é Ele quem abre nossos olhos, quem faz cair as escamas que nos impedem de enxergar as coisas como realmente são. Muitas vezes lemos a bíblia, mas não temos força o suficiente para confiar em suas palavras. Um salmo muito conhecido diz:

Salmos 37:5  Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele tudo fará.

Você pode encontrar a solução de seus problemas, na maioria das vezes, tendo calma para refletir sobre o caminho a ser seguido, mas se ainda assim não se sentir apto (ou mesmo se sentindo) o melhor caminho para a resolução dos dilemas da vida está em buscar o Eterno. Entregar o caminho diante dEle e permitir que Ele nos guie.

Apenas para ilustrar, uma breve lição aprendida na Brit Chadashah: “O que fazemos quando não temos tamanho o suficiente para alcançar algo que está a três metros de altura?” Pegamos uma escada, certo? E se não tiver escada, cadeira, ou algo semelhante? É preciso pensar numa solução criativa, porque nessas horas virão pessoas pra dizer: “Deixa pra lá, você não vai alcançar mesmo” Aí, meu amigo, leia a história de Zaqueu. 
Zaqueu, diante de uma dificuldade que a vida lhe impos (ser baixinho) encontrou uma maneira de ver o Messias, subindo numa árvore. Quantos diriam: que adianta eu ir? tem uma multidao esperando e eu sou pequeno, nunca vou nem vê-lo.
Algumas pessoas colocam as dificuldades acima de sua capacidade criativa, de encontrar soluçoes. (Lc 19:1-6)

A verdade é que a grande maioria das pessoas nao está preparada para lidar com os problemas que elas mesmas se causam. Se tivermos o cuidado de vivermos dentro dos preceitos do Eterno, teremos menos problemas. 
Na sequência da parashah temos Gn 22... você está preparado para ter sua fé provada? Nas dificuldades é que mostramos, provamos e nos fortalecemos na fé... 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Vaiera - Ló e as escolhas da vida



“Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão..” (Lc 13:24)

Neste segundo ciclo de Vaiera (Gn 19:1 a 20:18) vemos os anjos que visitaram Ló, e um assunto óbvio pode ser a atitude dos sodomitas, que queriam fazer abusar sexualmente dos visitantes, e ainda que Ló tivesse oferecido suas filhas virgens, o desejo dos homens era  o mal contra os anjos. Mas como não gosto de falar do óbvio, vamos meditar um pouco sobre as escolhas que fazemos na vida. 

No princípio da humanidade, alguns homens fizeram a opção de buscar ao Eterno, de invocá-Lo e de se aproximarem do Criador. Em Gn 4:26 a Torah fala de Enosh, filho de Shet, filho de Adam e a partir de então começou a se invocar o nome do Eterno. 
De Enosh, na quarta geração nasceu Enoch (Enoque) e este “andava com Deus”, de acordo com Gn 5:22. E de Enoque veio Metusalém, de Metusalém veio Lameque e deste nasceu Noach. Noach era um homem justo e que andava com Deus, assim como Enoch, seu bisavô. 
A partir de Noach, sabemos que veio o dilúvio e foram consumidos os homens e restou apenas a família de Noach. Seus três filhos (e esposas) passaram um ano com o pai dentro  da arca, e ao descerem Cam acabou amaldiçoado por descobrir a nudez do pai. E assim seguiu a humanidade até que chegamos a Abraão, e por meio dele, Deus fez um pacto e deu-se origem ao povo de Israel, a nação escolhida por Deus. 

Mas por qual razão falamos disso? 
- Primeiro, para entendermos que individualmente os homens podiam escolher se achegarem a Deus, desde o princípio. 
- Segundo, mesmo sendo filhos de homens justos, como Enosh ou Noach, isso não significa que os descendentes seriam tsadikim, mas tinham a livre escolha, e por isso, Cam escolheu envergonhar seu pai.
- Terceiro, com Abraão, veio o povo escolhido por Deus, e através dele e sua descendência seriam abençoados (ou amaldiçados) todas as nações da terra. 

Ok! Agora chegamos a Ló. Este era sobrinho de Abraão e escolheu por acompanhar o tio, quando Abraão tinha setenta e cinco anos de idade e saiu de Harã e do meio dos parentes para seguir ao Eterno. 
Ló fez uma boa escolha, ao seguir seu tio, mas aí eles o Eterno lhes concedeu de enriquecerem. Os pastores, funcionários deles, brigaram entre si e Abraão sugeriu que se separassem, e Ló poderia escolher o caminho para onde ir.

E Ló se deixou seduzir pelo belo campo que conduzia às campinas do Jordão, e chegava até Sodoma (Gn 13:10,11) e já se sabia que os habitantes de Sodoma eram grandes pecadores diante de Deus. (Gn 13:13)

As escolhas aparecem diante de nossos olhos a cada momento, e sempre há o mau caminho, sedutor e perigoso, e também há o caminho bom, seguro, mas há também o caminho excelente. Qual seria o caminho  melhor para Ló?
• O mau caminho, escolhido por ele, levava até Sodoma. Sim, Ló prosperaria pela boa terra, mas isso o levou a grandes problemas, ser levado cativo, perder família, e ainda ser embebedado pelas próprias filhas, que cometeram incesto.
• O bom caminho, não escolhido, seria ficar longe de Sodoma, e escolher o outro lado, evitando problemas futuros.
• O caminho excelente, seria mandar embora seus pastores briguentos e optar por ficar ao lado do tio Abraão, o homem da promessa de Deus. Quantas vezes deixamos de estar ao lado dos “homens da promessa” e vamos em busca de interesses pessoais errados e sofremos as consequências disso?

Fato é que nem sempre acertaremos nas escolhas que fazemos, mas podemos nos redimir de nossos erros, primeiramente os reconhecendo, corrigí-los e depois aprender a fazer as escolhas certas. 

Os anjos de Deus vieram até Ló para anunciarem a destruição de Sodoma, mas vemos que Ló estava sentado à porta da entrada de Sodoma (Gn 19:1). Ló podia negociar, estar perto, até conviver com os homens daquela cidade, mas quando eles planejaram o mal contra os anjos, veja o que a Torah diz: “Eles, porém, disseram: Retira-te daí. E acrescentaram: Só ele é estrangeiro, veio morar entre nós e pretende ser juiz em tudo? A ti, pois, faremos pior do que a eles. E arremessaram-se contra o homem, contra Ló, e se chegaram para arrombar a porta.” (Gn 19:9) 
Ninguém considerava Ló seu amigo de verdade; para eles, Ló continuava a ser apenas um estrangeiro. Podemos até acreditar que encontraremos amizade no mundo, mas no momento que lhes for propício, eles se voltarão contra nós, nos abandonarão e farão o mal contra nós. Vale a pena? 

Que Deus nos dê boas escolhas, boas amizades, pessoas sinceras e que busquem ao Eterno, assim como Enosh, Enoque, Noach, Abraão, e que possamos cada dia mais nos firmarmos dentre o povo de Israel, como o povo escolhido do Eterno. Que diante de situações, nossas escolhas não sejam para a beleza dos campos que levam a Sodoma, mas pela companhia dos homens que nos levam a Deus. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vaierah: Sarah e um costume antigo.


 
 
A parashah de Vaierah compreende o texto de Gn 18:1 a Gn 22:24.

A imagem acima fala por si só, e retrata uma algo muito inerente ao ser humano: a curiosidade. É interessante observar como as pessoas são curiosas em relação à vida alheia; por isso mesmo, programas de tv como o Big Brother e revistas de fofoca fazem tanto sucesso.

O problema, que nem sempre percebemos, é que ficar “cuidando” da vida dos outros, acaba levando a uma série de outos erros. Vejamos por exemplo Sarah:

Abraão tinha recebido três homens, Sarah os viu, pois Abraão havia dito a ela para preparar alguns alimentos aos visitantes. Daí, a certa altura da conversa, perguntaram ao patriarca: Onde está Sarah? Abraão responde: Ela está na tenda..

A questão é que ela estava na porta da tenda sim, ouvindo a conversa alheia. Ainda que a conversa fosse sobre ela, ela não deveria estar ali. Esse é o erro de boa parte das pessoas. Ficar ouvindo conversas atrás da porta, mesmo com a justificativa de que: “estavam falando de mim, eu tenho o direito de ouvir” é errado. Como dito, isso conduz a uma série de erros, ou mal-entendidos. Vejamos Sarah:

Ela ouviu atrás da porta, e nao acreditou no que o anjo falava a Abraão, de que ela teria um filho. Riu disso. Mas alguém dirá, onde estão os erros?

- Ela ter se rido, significa que não acreditou no anjo, meio que achou graça, como se fosse piada.

- Falou mal de si e de seu esposo, chamando-o de velho (incapaz de gerar filhos)

- Negou que havia rido, ou seja, mentiu.

Não é necessário ficar atrás da porta par ter atitude semelhante à de Sarah. Há pessoas que utilizam de outras artimanhas pra saber qual o assunto da conversa em particular entre duas ou mais pessoas. Então, pra não ouvir atrás da porta (porque isso é feio) a pessoa inventa de levar uma água pro rosh, trazer uma bolachinha, um lanchinho, e assim, acha que “fazendo o bem” ninguem vai se dar conta de que na verdade ela entrou pra escutar um pouco da conversa. E essa atitude é ainda pior do que ouvir atrás da porta. Pior o fato de que quem ouve metade da conversa, sabe metade do assunto, e isso a leva a deduzir o restante, quase sempre, deduzindo errado.

Resista à curiosidade de ouvir conversas alheias, mesmo que estejam tratando de assuntos referentes a você. Se você tomar parte na conversa, resista a vontade de sair contando do assunto pra todo mundo que encontrar pela frente. Mas se ainda assim, isso ocorrer, assuma a responsabilidade por seu erro. Sarah falou: eu não ri. E ouviu como respostas: Isso não é correto, você riu sim!

Parta do principio de que “se eu não fui chamado na conversa, é porque ela não me diz respeito.” Assim, vamos todos evitar constrangimentos desnecessários.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Abraão e a capacidade de interceder pelos outros


A parashah de Vaierah compreende o texto de Gn 18:1 a Gn 22:24.
 
Gn 18:20-22 Disse mais o SENHOR: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito. Descerei e verei se, de fato, o que têm praticado corresponde a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei. Então, partiram dali aqueles homens e foram para Sodoma; porém Abraão permaneceu ainda na presença do SENHOR.

 Que nosso patriarca foi um homem hospitaleiro todos já sabemos, mas depois que seus “visitantes” se foram, ele permaneceu em pé diante do Eterno. Porque?

Porque era hora dele INTERCEDER pelos demais homens.

HaShem havia acabado de dizer a Abraão que iria ver o que acontecia em Sodoma. Será que o Eterno não sabia o que se passava? Ele sabe, sempre sabe tudo!

Nos versos 17 e 18, Ele diz: “Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação e nele serão benditas todas as famílias da terra?”

Qual era a intenção do Eterno ao falar a Abraão sobre Sodoma? A verdade é que nosso patriarca poderia ficar calado, pois o próprio Deus havia acabado de lhe dizer que ele seria uma poderosa nação. Deixa o Eterno destruir Sodoma, eles terão o que plantaram. Bem feito, diriam alguns!

Mas não, nosso patriarca sempre foi superior, sempre foi bom, generoso e não, não se achava o “ungido do Eterno, o único” e por isso, ele intercedeu junto ao Pai, dizendo: “destruirás também o justo com o ímpio?”

Aí começou a pedir ao Eterno que poupasse a cidade, por amor dos justos que lá havia. Começou com cinquenta, depois quarenta e cinco, quarenta, até chegar a dez, mas nem sequer dez justos haia, infelizmente.

O que difere o justo dos demais é que o justo não se coloca na posição superior. Abraão, ao interceder pelos homens dizia: “me atrevo a falar com o Senhor, ainda que sou pó e cinza”

Situação semelhante viveu Moshe Rabenu, quando o Eterno propôs-se a destruir os israelitas. Então nosso justo mestre dizia: “Ora, este povo pecou pecado grande, fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro que tens escrito.” (Êx 32:31,32)

Pouco antes, o Eterno, diante do pecado do povo, fez uma tentadora proposta a Moshê. Vou destruir o povo, e fazer uma nova e grande nação a partir de ti. E nosso líder conseguiu demover o Eterno de tal pensamento. (Êx 32:9-14)

Sinceramente, quem de nós seria capaz de tal ato? Quem de nós seria JUSTO COMO MOSHÊ? Ou como Abraão?

Talvez fôssemos como Jonas, o profeta, que se negava a pregar a Nínive porque sabia que D-us era misericordiosoe perdoaria o pecado do povo. O livro de Jonas nos ensina muito sobre o que somos e o que deveriamos ser.

Muitas vezes ficamos chateados por causa da aboboreira que nos faz sombra, mas não movemos uma palha em defesa dos pecadores. Talvez porque nos achemos justos e merecedores, enquanto os outros são “grandes pecadores diante do Eterno”. Vá além, seja Abraão, seja Moshê.

Porque um certo sábio chamado Yeshua disse: “se a vossa justiça não  em muito a dos escribas e fariseus, de maneira nenhuma entrareis no reinos dos céus.” (Mt 5:20) Ele mesmo dizia: “não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”(Lc 5:32)
A ilustração acima traz uma imagem representativa da estória do fariseu e do publicano. Ela pode nos ensinar a ser mais Moshê, mais Abraão e menos Jonas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A hospitalidade demonstrada por Avraham


Na parasha de Vayera temos um grande exemplo de hospitalidade demonstrada pelo patriarca Avraham. Quando lemos na Brit Chadashah em Hebreus 13:2 a recomendação de não negligenciarmos a hospitalidade, porque através dela alguns sem o saber, receberam anjos isso deve nos servir de alerta e bom conselho em termos a casa sempre aberta para receber as pessoas com alegria.
Avraham, ao avistar três homens vindo na direção de sua casa, se apressou em oferecer-lhes o melhor que podia. Leia Gn 18:1-8 e procure perceber que:
• Avraham correu na direção deles, prostrando-se em sinal de humildade, disposto a servir, honrando seus ushpizin.
• Ao dizer: não passes de seu servo, Avraham demonstrou um real desejo de acolher bem suas visitas (Não faça o visitante se sentir um peso em sua casa, faça com que eles percebam que é honroso receber-lhes)
• Ao oferecer-lhes água para lavar os pés e sombra debaixo de uma árvore, Avraham demonstrou estar atento às necessidades dos hóspedes. Nada melhor para quem está cansado de uma viagem, do que receber algo que alivie o cansaço, como uma boa água (por causa da longa caminhada) e sombra (para relaxar)
• Para saciar a fome, ofereceu logo o pão, que era o que mais próximo estava à mão. Com isso, aliviaria a fome deles, para depois oferecer-lhes uma alimentação mais bem elaborada.
• O próprio Avraham correu a escolher um novilho bom para prepararem um assado. Não iria correr o risco de um servo escolher algo que não fosse digno de suas visitas. Com isso aprendemos que quando precisamos fazer algo, façamos nós mesmos. Deixar que outros façam pode estragar tudo.
• Por fim, ao oferecer tudo, Avraham permaneceu em pé, junto a eles, debaixo da árvore. O que aprendemos com isso? Ora, que nosso patriarca estava ali, em pé, sempre a postos para servir.
A hospitalidade demonstrada pelo nosso patriarca foi digna de alguém que recebia o próprio Eterno em sua casa. Da próxima vez que você receber alguém em sua moradia, faça com dedicação e com alegria, pois quem sabe você esteja recebendo um anjo do Eterno em casa.
** Em tempo, hospitalidade nada tem a ver com ser rico ou ser pobre, mas com receber bem a todos os que nos visitam. Isso também está escrito no Talmude no tratado de Pirkei Avot: recebe a todos com hospitalidade.