segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Ki Tetsê e algo que devemos nos lembrar

 
 
Dt 24:8,9 - Guarda-te da praga da lepra e tem grande cuidado de fazer conforme tudo o que te ensinarem os sacerdotes levitas; como lhes tenho ordenado, terás cuidado de o fazer. Lembra-te do que o SENHOR, teu Deus, fez a Miriã no caminho, quando saíste do Egito.
 
Aproveitando que estamos no mês de Elul e é tempo de reflexão e arrependimento, a parashah de Ki Tetsê nos traz um “toque do shofar”, um alerta, para termos cuidado com a praga da lepra.
 
Uma rápida busca na internet por definições de lepra, encontramos: “A lepra, também chamada de Hanseníase, é uma doença de pele que afeta os nervos causando grandes danos. Ela é transmitida pelas secreções do indivíduo contaminado pelo simples fato de falar, tossir ou espirrar.”
 
Na verdade a praga bíblia da lepra, não é propriamente a mesma doença moderna chamada Hanseníase, mas causava certamente o mesmo medo. Como o verso diz, essa bíblica era uma “PRAGA” que vinha pelo “simples falto de falar”, mas falar o quê mesmo? Lashon Hará!
É disso que estamos falando, foi isso que ocorreu com Miriã, irmã de Moshê! É disso que a Torah nos recomenda a lembrar. Então vamos recordar:
 
Lá estava Moshê, homem santo, guiando o povo na difícil caminhada pelo deserto, cheio de problemas, e de repente sua irmã se achou no direito de criticá-lo.
Que mal há nisso né? É uma “crítica construtiva”.
Miriã encontrou apoio no irmão mais velho Aharon! E lá foram os dois falar com Moisés. Engraçado que o texto bíblico vinha falando de coias que nada tinham a ver com o que aconteceu.
 
De repente aparece ela falando contra a tal mulher cuxita de Moisés. E é exatamente assim que acontece... do nada, a pessoa na mais absoluta falta do que falar, ao invés de ficar calada, abre a boca pra criticar a roupa do fulano, o cabelo do outro, a esposa que Moisés escolheu... e aí se arrebenta!
 
Como já estava falando mal mesmo, então vamos falar de uma vez, e lá estavam os dois irmãos, falando mal de Moisés: “Por acaso o Senhor falou somente por Moisés? Não falou também através de nós?” Ah, o Eterno ouviu isso!
 
O problema é que o Eterno SEMPRE ouve!
 
Moisés continuou ali, na dele, manso, o mais manso dos homens. Ele deixou rolar...
E foi Deus quem agiu, ordenando que os três saíssem à Tenda, e lá foi que Miriã e Arão viram a ira do Eterno se acender contra eles, e aí entra a tal da “praga da lepra”.
 
Miriã ficou leprosa, e Arão, muito do esperto, se arrependeu, fez teshuvah, e reconheceu que fizera um grande erro e disse: “Não ponhas sobre nós este pecado, que fizemos loucamente e com que havemos pecado.” Só que atente bem para quem ele disse isso: “Arão disse a Moisés: Ah! Senhor meu!”
 
Num instante, Moisés era alvo de críticas, no momento seguinte, virou “senhor meu”
O resultado dessa situação foi que Miriã ficou leprosa, Moshê teve que rogar ao Eterno por ela, mas no fim, ela teve que ficar sete dias envergonhada, afastada do arraial, longe do povo, para não os contaminar. Que triste!
 
Já que estamos em Elul, lembre de Miriã, não custa nada e isso fará com que tenhamos o cuidado de fazer conforme tudo que nos ensinaram os sacerdotes.
Fazer Lashon Hará, ser maledicente não compensa, além de que faz com que fiquemos com a pele feia por conta da lepra.
 
Por hoje, meditemos em alguns versículos e não nos esqueçamos de Miriã.
 
Pv 26: 20,22 - Sem lenha, o fogo se apagará; e, não havendo maldizente, cessará a contenda...As palavras do maldizente são como deliciosos bocados, que descem ao íntimo do ventre.
 
Pv 21:23 - O que guarda a boca e a língua guarda das angústias a sua alma.
 
Tg 3: 3-10 Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também as naus que, sendo tão grandes e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus: de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.
 
Não convém que isto se faça assim. Usemos a língua para o bem, uma vez que o Eterno nos tem dado a dádiva de podermos falar. Como diz o salmista: “Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca proferirá o teu louvor.” (Sl 51:15)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

SHOFETIM e o Remédio contra o Medo.


Hoje não quero colocar um pensamento meu acerca da parashah de Shofetim, mas retiro aquilo que aprendi lendo um livro de comentários das parashiot, chamado "Nos caminhos da Eternidade". Espero que seja útil. (A propósito, esses livros estão à venda na CINA)
 
“O homem medroso e de coração mole, que volte para sua casa e não derreta o coração de seus irmãos como o seu coração.”
 
Antes de sairem para a guerra, um Cohen especialmente designado anunciava para as pessoas que estivessem nos seguintes status, que poderiam voltar para suas casas sem ir para a guerra:
 
1) Os que construíram suas casas, porém ainda não a inauguraram.
 
2) Aqueles que tinham plantado um vinhedo, mas ainda não haviam desfrutado dele (ainda não haviam passados os três anos necessários pela Torá para que pudessem desfrutar dele)
 
3) Quem tinha noivado e ainda não casou.
 
4) Aqueles que estivessem com medo (conforme primeiro parágrafo)
 
Nossos sábios nos dizem que os três primeiros foram incluídos neste anúncio por causa do quarto (o que estivesse com medo), pois seria vergonhoso que do meio de um grupo de soldados, após o anúncio do cohen, retirassem-se apenas aqueles que estivessem com medo. Desta forma, incluindo-se outras categorias e deixando que todos retirassem-se somente ao final do anúncio, não seriam notados os que se retiravam por medo. Portanto, notamos que era imprescindível a retirada dos que temiam a guerra, para que não se infiltrasse nas fileiras dos soldados o medo e para que não se contagiasse todo o exército (conforme a Torá explica).
 
Um dos grandes pensadores de nossa geração, o rabino Chaim Shemulevits ZS''L (ex-rosh-ieshiva de Mir, que durante a Segunda Guerra Mundial teve sua sede em Changai e hoje possui uma sede em Jerusalém e outra em Nova Iorque) nos diz que o medo somente existe em pessoas que não possuem fé e não depositam confiança em D'us. Ele vai ainda mais longe nos dizendo que a pessoa que tem medo coloca o meio que a rodeia em perigo. Sobre este assunto ele traz um comentário do comentarista do Tanach Ralbag sobre a seguinte passagem do Tanach (Melachim II, cap 6):
 
Quando o exército de Aram cercou a cidade de Dotan (uma das cidades do centro de Israel), o jovem que era servente do profeta Elisha assustou-se e perguntou ao profeta - O que faremos para nos salvar? O profeta então respondeu-lhe: "Al tiká ki rabim asher itanu measher otam" - Não tema, pois somos mais numerosos do que eles; e consta que em seguida o profeta pediu a D'us que abrisse os olhos do jovem para que ele visse de fato que eles estavam em maioria, e assim ocorreu, o jovem viu a montanha repleta de cavalos e carroças de fogo em volta do profeta. Logo em seguida, o profeta Elisha pediu ao Todo Poderoso cegar o povo de Aram e foi atendido.
 
Comenta então o rabino Chaim Shemulevits ZS''L: A priori, o primeiro milagre, quando o Todo Poderoso fez com que o jovem enxergasse a montanha repleta de cavalos e carroças, foi inútil, pois logo em seguida o exército de Aram ficou cego e de qualquer forma não venceria o exército de Elisha.
 
O comentarista Ralbag nos explica que o primeiro milagre foi necessário para acalmar o medo e fortalecer o coração do jovem que acompanhava o profeta, pois o maior perigo era justamente o medo (que é proveniente da falta de fé e de segurança no Todo Poderoso) que colocava todos em perigo. O segundo milagre só foi possivel de concretizar-se depois que o jovem acalmou-se, pois todo o tempo que ao redor do profeta houvesse alguém com medo, ele também corria perigo e não poderia ser feito o milagre por seu mérito.
 
Qual então o remédio contra o medo? Em seu livro Ale Shur vol 1, o rabino Shelomo Wolbê Shlita nos diz: "Bitachon bashem messalek pachadim"- A fé em D'us afasta todos os medos.
 
Apesar de encontrarmos em Mishlê (24:14) o seguinte versículo: "Ashrê adam mefached tamid" - Bem-aventurado aquele que sempre teme, o Talmud Berachot (Pág 60) nos explica que esta citação se refere sobre temer o esquecimento da Torá, temer que a Torá que estudamos seja esquecida, e Rashi explica no local, que este temor nos fará sempre revisar os trechos estudados para não esquecê-los.
 
Outra prova de qe o medo das circunstâncias comuns da vida e do dia a dia tem sua origem na falta de fé e de segurança no Todo Poderoso é o episódio relatado pelo Talmud sobre Hilel Hazaken, quando regressava a sua cidade. Justo quando entrava na cidade ouviu gritos, mas disse: "Tenho certeza que não são provenientes de minha casa. E sobre ele diz o versículo no Tehilim 112: "Mishemuá raá lo irá nachon libô batuach bashem"- Uma má notícia não temerá, pois seu coração deposita confiança em D'us.
 
*** que tenhamos sempre confiança na misericórdia do Eterno. *** Espero que tenham apreciado a reflexão do livro, e se o desejarem, poderão comprar na CINA, liguem (41) 3377-2422. Um abraço! 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Devarim e a síndrome de Peter Pan




Ao ler o discurso de Moshê que marca o início do livro de Devarim, ele falando à geração dos israelitas que estava prestes a entrar na terra prometida, já tendo passado 39 anos e 11 meses de caminhada no deserto, vemos que o povo que saiu do Egito sofria da Sindrome de Peter Pan.  Mas o que é isso?
A maioria das pessoas já ouviu falar do famoso personagem infantil, que era um menino que não queria crescer, e é exatamente isso que acontece a muitos até hoje. Crescem de tamanho, ganham pelos pelo corpo, barba, envelhecem fisicamente, mas permanecem como crianças da mamãe.
Dt 1:27,28 - Murmurastes nas vossas tendas e dissestes: Tem o SENHOR contra nós ódio; por isso, nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e destruir-nos. Para onde subiremos? Nossos irmãos fizeram com que se derretesse o nosso coração...
Isso diziam no episódio dos espias.
- Ah! Deus tem ódio da gente, por isso nos tirou do Egito... será? Não foi Israel quem clamava por um libertador? Não eram eles mesmos quem queriam sair do Egito? (Êx 2:23-25)
O problema é que Israel queria sim a liberdade, mas como boas crianças, queriam que ela viesse sem que fosse necessário eles batalharem por isso. Para crescermos a gente precisa enfrentar desafios, pois são eles que nos fortalecem, nos fazem sentir que sim, somos capazes.
- Nossos irmãos fizeram com que se derretesse o nosso coração, dizendo que tinham filhos de gigantes ali, ... ai que medo! Os que não querem crescer, que vivem debaixo da barra da saia da mamãe, veem gigantes em tudo. São como os meninos que vão para o primeiro dia de escola. É desafiador soltar a mão da mãe e entrar num mundo novo, cheio de “gigantes” e por isso muitas crianças choram. Os desafiadores ficam ansiosos pelo primeiro dia de aula, para explorar algo novo, crescer.

É, foi por conta dessa meninice que o Eterno os puniu e os fez perambular por 40 anos pelo deserto e apenas Josué e Calebe, os desafiadores, crescidos, foram os únicos daquela geração que entraram na terra prometida. (Dt 1: 34-38)

Seguindo no texto da parashah vemos:
Dt 1:41-43 Então, respondestes e me dissestes: Pecamos contra o SENHOR; nós subiremos e pelejaremos, segundo tudo o que nos ordenou o SENHOR, nosso Deus... Disse-me o SENHOR: Dize-lhes: Não subais, nem pelejeis, pois não estou no meio de vós, para que não sejais derrotados diante dos vossos inimigos. Assim vos falei, e não escutastes; antes, fostes rebeldes às ordens do SENHOR e, presunçosos, subistes às montanhas.
Outra característica de crianças que não querem crescer é que não sabem ouvir um NÃO. A princípio, reconheceram que pecaram e disseram que subiriam, mas aí o pai diz: agora não faça mais, não quero, e a criança teimosa vai e faz assim mesmo, e se arrebenta. Quantos adultos não são assim até hoje?
Quando é para fazer, não faz, depois inventa de querer, só que aí lhes é dito: não faça! E eles, presunçosos, vão lá e fazem e isso é certeza, vai dar errado!

Dt 1:45 - Tornastes-vos, pois, e chorastes perante o SENHOR, porém o SENHOR não vos ouviu, não inclinou os ouvidos a vós outros.
Depois de ter perdido, lá volta a criança que não quer crescer para o papai, chorando, mas o pai, querendo lhes ensinar uma boa lição, se vira e não dá ouvidos ao filho chorão.
Aqui, uma lição aos pais que não deixam seus filhos crescerem. Há muitos, muitos pais que não suportam ver o filho chorar, e nessa hora, ficam ali, bonzinhos, e NÃO DEIXAM OS FILHOS CRESCEREM. Seus filhos não podem ser magoados, não podem ser corrigidos, não podem sofrer punição. Daí lá vai o pai (ou principalmente a mãe) em defesa do bebezinho, que muitas vezes já tem barba, cabelos brancos, etc... só não tem é maturidade.

Entendam amigos, quando nascemos, existe algo chamado cordão umbilical, que é cortado na hora do parto. O bebê nasce e chora, porque saiu do seu “pequeno paraíso” que é o útero da mãe. Depois, ele precisa CRESCER.
Não se aprende a andar de bicicleta se não levar uns tombos. Tá certo, primeiro vem a bicicleta com aquelas rodinhas extras, pra ajudar a equilibrar, mas você não pode esperar que seus filhos, adultos, continuem usando a bicicleta com rodinhas extras. Ele precisa aprender a se equilibrar SOZINHO.

Além de tudo isso, há algo no princípio da criação que precisamos aprender, apesar de que deveria ser óbvio.
Gn 2:24,25 - Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.
Quando casamos, é preciso que nossos pais (de novo, principalmente as mães) permitam que saiamos de casa, e definitivamente CORTEMOS O CORDÃO UMBILICAL. Não dá pra um jovem casal se unir, com a mãe dando palpite todo dia.
Quando o texto diz que ambos estavam nus e não se envergonhavam, vá além do óbvio. Entenda que o jovem casal estava sozinho, iriam aprender juntos, iriam acertar e errar juntos, e isso os faria crescer, sem se envergonhar um do outro.

Na fé judaica, quando os nossos “bebês” atingem treze anos, e fazem seu Bar Mitsvah, o pai diz: “Bendito sejas, que me isentaste da responsabilidade deste.” Entendam pais, a partir daquele momento, já é hora de seu filho ser capaz de assumir suas próprias responsabilidades. Acredite você ou não, aquele bebezinho que saiu do seu ventre já é capaz de discernir entre o certo e o errado, então DEIXE ELE ESCOLHER SEU PRÓPRIO CAMINHO. Torça para ele acertar, torça muito, mas se ele errar, permita-lhe aprender com os erros. Só assim, ele vai adquirir maturidade. Caso contrário, porquê fazemos “Bar Mitsvah”? Porque casamos? Se for pra continuar a vida inteira chorando nos braços da mamãe, que nos protegerá de tudo, é melhor não casar, não sair de casa e continuar esperando que a mamãe traga leitinho na cama pro bebezão.


Aceite errar, não ache que Deus tem ódio de você, por Ele ter te tirado do Egito... não ache que seus irmãos fazem derreter seu coraçãozinho, quando dizem que sim, no mundo há gigantes que precisam ser enfrentados. Não queira voltar para o Egito (ou para debaixo da saia da mamãe). Aceite que eventualmente, o Eterno vai te permitir sentir o gosto amargo da derrota, e vai te dar as costas, mas isso te fará crescer. Porque o Peter Pan, o menino que nunca cresce, só existe nas historinhas da Disney.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lição da vara que floresce


Parashah de Corach, Nm 16:1 a Nm 18:32

Nm 17:10 Então, o SENHOR disse a Moisés: Torna a pôr a vara de Arão perante o Testemunho, para que se guarde por sinal para os filhos rebeldes; assim, farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão.

É interessante observar o comportamento de Moshê e Aharon com relação aos que questionavam sua autoridade, mesmo logo após terem morrido os homens de Coré, que acabara de levantar uma rebelião contra Moshê. Isso nos traz grandes ensinamentos.

Primeiro: não importa os sinais, sempre haverá quem questione a autoridade do líder. Miriam e Arão haviam questionado Moshe e ela ficou imediatamente leprosa. Isso não assustou ninguém... pois logo em seguida Coré se levanta, com 250 homens. 

Segundo: quem questiona quase sempre não tem nenhuma obra digna de ser apresentada em seu próprio mérito. Analise: O que de bom Coré, Datã e Abirão haviam feito em favor do povo? 

Terceiro: um líder não deve esperar reconhecimento por parte dos seus liderados. Por isso mesmo, levantar-se diante de um zaken não é sinal de reconhecimento, mas apenas cumprir uma mitsva, e de certa forma, muita gente o faz apenas para não ser mal visto diante da congregação.

Quarto: Um líder de verdade se preocupa com as consequências de seu povo, ainda que eles não mereçam e que ele possa ser prejudicado. 
Nm 16:44-50 Então, falou o SENHOR a Moisés, dizendo:  Levantai-vos do meio desta congregação, e a consumirei como num momento; então, se prostraram sobre o seu rosto, e disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, e põe nele fogo do altar, e deita incenso sobre ele, e vai depressa à congregação, e faze expiação por eles; porque grande indignação saiu de diante do SENHOR; já começou a praga. E tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitou incenso nele e fez expiação pelo povo. E estava em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga. E os que morreram daquela praga foram catorze mil e setecentos, fora os que morreram por causa de Corá. E voltou Arão a Moisés à porta da tenda da congregação; e cessou a praga.

Quem em sã consciência no meio de uma praga, morrendo gente, tendo recebido uma ordem do Eterno para sair do meio do povo, ousaria desobedecer e correr, buscando expiar o pecado do povo? MOISÉS e ARÃO.

Arão correu, ficou parado no meio do povo, entre os vivos e os mortos. Imagine-se você no lugar dele. Tendo sido perseguido minutos atrás por aquelas mesmas pessoas, ele saiu diante do Eterno para expiar o pecado deles. 

Lá se foram 14700 pessoas, mas morreriam TODOS. A praga só cessou diante do precioso ato de grandeza dos líderes do povo. Um líder tem que ter grandeza. Por isso mesmo, Yeshua ben David, nosso Mestre, disse:
Mt 20:26-28 - quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Mas o que tudo isso tem a ver com o versículo inicial de Nm 17:10? 
A vara de Arão estaria ali como um sinal para os rebeldes. Sim, sempre teremos rebeldes em nosso meio. Mas de vez em quando, quem sabe eles possam dar uma olhada na direção da vara de Arão, aquela mesma que floresceu e deu frutos. 
Quem sabe os rebeldes se arrependam e a vara de Arão, aquela que floresce e dá frutos possa os livrar da morte.

Olhemos para o sinal, e mais uma vez a bondade de Moshê será capaz de livrar da morte os rebeldes. 

sábado, 1 de junho de 2013

Shelach Lecha e o poder do exemplo



Nm 14: 6,7 - Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa.

A parashah de Shelach Lecha (Nm 13:1 a 15:41) é muito rica e interessante e podemos extrair dezenas de lições, essencialmente sobre o episódio dos espias. 
Os dez espias que voltaram difamando a terra e com medo de seus moradores, acabaram causando sobre o povo todo um grande temor, tamanho que foram capazes de sentir o desejo levantar um líder que os levasse de volta para o Egito. Mas e qual a consequência da atitude deles e de Josué e Calebe?

Bom, a consequência deles foi o medo causado no povo e também o castigo dado pelo Eterno, em 40 anos de caminhada pelo deserto, como dito, um ano para cada dia em que espiaram a terra.

A atitude deles e também a de Josué se transforma em exemplo para gerações futuras. E exemplo é tudo!

Josué, ao lado de Calebe, falou bem da terra, exaltou e reforçou que sim, eles conquistariam a terra, não importa o tamanho do inimigo. Na haftarah dessa semana, quando Josué já era o líder dos israelitas e ordenou espias a verem Jericó, vejamos o que aconteceu:

Js 2:23,24 - Assim, os dois homens voltaram, e desceram do monte, e passaram, e vieram a Josué, filho de Num, e lhe contaram tudo quanto lhes acontecera;  e disseram a Josué: Certamente, o SENHOR nos deu toda esta terra nas nossas mãos, e todos os seus moradores estão desmaiados diante de nós.

Primeiro, ele já não mandou doze espias, apenas dois, talvez como um sinal de que só os dois que falavam bem da terra seria suficiente. E a resposta deles: “certamente o Eterno nos deu toda esta terra nas nossas mãos, e seus moradores TODOS estão desmaiados diante de nós.”

Se você é um líder otimista, isso incutirá nos seus liderados um espírito de otimismo. Por outro lado, se você inspira o povo a ser medroso, ele o será. 
Josué fez dos seus um povo que confiava no Eterno e buscava que eles vissem que sim, seriam vitoriosos. Seus espias tiveram o mesmo espírito, a mesma visão, e claro, os israelitas conquistaram a terra de Jericó. Para quem é como Josué, esses terão o benefício de ver as muralhas caindo. 

Pense que tipo de pai, mãe, líder, você tem sido, e se você quer que seus filhos, membros, liderados sejam dignos de verem as muralhas de Jericó caindo diante deles ou se desejarão se acovardar e regressar ao Egito. Boa liderança para você!!!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Você sabe a diferença entre carne e pepino?


Ao olhar essa imagem acima, o que vem à sua cabeça? Uma bela e suculenta picanha né?

Nessa parashah de Behaalotecha (Nm 8:1 a Nm 12:16) temos uma variedade de assuntos, mas dessa vez analisamos algo bem simples. A capacidade do povo de ser movido a sentir “necessidade” de algo que nem eles mesmo sabem dizer o que é.

Alguma vez você já sentiu vontade de comer algo bem gostoso, mas não sabia exatamente dizer o que era? A maioria das pessoas diria que sim. Pois é! Isso não é fome, é desejo. Veja o que diz a parashah:

Nm 11:4 diz: “os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer?” 
Lembremos que quando eles saíram do Egito (Ex 12:31-38) eles saíram com muitíssimos animais, grande rebanho, ou seja, tinham muita carne a comer. 
Mas que interessante é observar que eles pediam por CARNE, mas aí diziam: 
Nm 4:5,6 - Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.

Você pede carne, mas sente falta de PEPINOS? Não dá pra entender né?! Dá sim! 
Quando não estamos com fome, sentimos vontade de comer uma coisa gostosa, que não sabemos o que é, porque nesse caso, qualquer coisa que comemos não tem um gosto bom, mas já quando estamos famintos, basta um arroz, um ovo frito, uma salada que sentimos água na boca, pois tudo fica delicioso. 
Israel NÃO estava com fome de carne. Se estivessem, sentiriam saudades das carnes que comiam (será que comiam?) no Egito.

Muitas vezes agimos dessa forma, e tentamos ao Eterno, sendo ingratos por tudo que Ele nos proporciona. Vejamos:
Alguma vez você já abriu seu guarda-roupas e disse coisas como: 
- Mas eu não tenho roupas pra sair!
- Não tenho um calçado que preste!
- Porque que o fulano tem tal coisa e eu não consigo? etc...

Foi por isso que lá na frente, em Nm 11:22 foi dito: "Matar-se iam para eles rebanho de ovelhas e gado que lhes bastem?" Porque quem não está com fome, não faz diferença o tamanho do rebanho... eles Não precisavam de carne. 

Como crianças quando ficam pedindo aos pais por doces ou chocolate, a mãe ou o pai se irritam, acabam indo ao mercado e compram uma enormidade de chocolate e dizem: "Agora come, mas come tudo, come até sair pelo nariz" ... foi isso que o Eterno fez: mandou codornizes para que eles comessem, não por um dia, nem cinco, nem dez, mas por um mês inteiro, até se enfastiarem, até sair pelo nariz." Isso para aprender....

Israel tinha recém-saido da escravidão rumo à liberdade na terra prometida, mas isso não lhes foi suficiente. Hoje da mesma forma, podemos sair do Egito, e logo ali na frente diremos: Quem nos dará carne a comer? No Egito tinhamos pepino! 

Primeiro entenda a diferença entre o que é carne e o que é pepino, para daí então ser capaz de dizer algo mais coerente. Quem nos dará pepino a comer? 

Quando formos capazes de diferenciar as coisas, talvez aí sejamos capazes de perceber que não temos de que reclamar do Eterno, pois Baruch HaShem, Ele supre todas as nossas necessidades.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nassó e o sacerdote. Em que nível está seu respeito pelo representante do Eterno?




A parashah de Nassó vai de Nm 4:21 a Nm 7:89 e claro, nos traz muito boas lições:

Nm 5:16 - O sacerdote a fará chegar e a colocará perante o SENHOR.
O capítulo 5 de Bamidbar nos traz o relato do homem que ficava com o espírito enciumado, desconfiando da sua esposa. Interessante observar como ele deveria agir.

Em primeiro lugar, o texto diz: “esse homem trará a sua mulher perante o sacerdote e juntamente trará a sua oferta por ela...” (Nm 5:15) Isso nos ensina que o marido tem duas obrigações, quando está desconfiado: 
- Não deve sair falando, alardeando sua desconfiança, mas levá-la ao sacerdote. 
- Confiar que o Eterno dará a resposta que o tranquilizará através daquilo que o  sacerdote lhes determinar.
Não dá pra alguém pedir orientação, conselhos ao seu líder se a pessoa não confiar que aquilo que o líder lhe disser é da parte do Eterno. Se você não acredita que o seu líder representa ao Eterno, você não terá por ele o respeito que D-us requer de ti. 

Nesse caso em específico, o marido traria a mulher ao cohen, e aguardaria por sua resposta. O cohen usaria a “água santa” misturada com o pó do chão do Tabernáculo, e a mulher beberia. Isso causaria nela os sinais que seriam como a resposta divina. Se tivesse pecado, ela receberia a maldição, com o ventre inchado e as coxas descaídas, mas se não houvesse pecado, isso traria sobre ela a bênção de bons partos. 

Agora imagine se o caso fosse “divulgado antecipadamente” pelo marido e os fofoqueiros de plantão! Não precisa ter muita sabedoria para imaginar o que normalmente ocorre: todo mundo a veria como “culpada”, tenha ou não provas, pois “onde há fumaça, há fogo”! 
Para isso que serve o sacerdote. Ele tem a resposta divina para nossas inquietudes. Mas é preciso confiar nele. Confiar em D-us!

Na Brit Chadashah há um outro exemplo que nos ilustra bem como é perigoso quando pessoas não levam a sério o que fazem diante de um “homem de D-us”. Todos conhecemos o caso de Ananias e Safira, mas o compreendemos?
At 5:3,4 - Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus... E sobreveio grande temor a toda a Kehilah e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos.

Basta ler o contexto e percebemos que ambos cometeram o erro de roubar, mas o erro maior foi de, ao mentirem para o apóstolo,  terem mentido para Deus. Resultado: morte de ambos!

A nossa relação com os líderes pode ser de amizade, coleguismo ou uma relação mais distante, mas NUNCA deve ser desrespeitosa. 

No caso do homem que desconfiava da esposa, o sacerdote traria a ele um alívio, o fim das desconfianças. No caso de Ananias e Safira, Kefah seria aquele que tão somente receberia a oferta deles. Mas em ambos os casos, eles representavam a Deus. 
Um sacerdote não deve ser respeitado apenas quando lhe diz coisas boas, agradáveis, mas também quando os corrige. 
Hb 13:17 diz: Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.

1 Tm 5:17 diz: Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina.

Quem define se um zaken governa bem? Pessoas elogiam seus líderes quando estes corrigem “aos outros, os pecadores”, mas em boa parte das vezes, os criticam quando são por eles repreendidos.   Até porque a Torah declara: 
Lv 19:32 - Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.
Em que nível está seu respeito pelos líderes? No nível de se levantar quando o líder entra? Se for só isso, está ruim! Porque respeito vai muito além de se levantar. Devemos ter o cuidado de não estarmos sendo hipócritas, nos levantando, mas por trás, desrepeitando, falando mal e nos lembrando do líder apenas quando dele necessitamos. Pense nisso!