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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vayeshev e o risco dos elogios. Quem aceita que outros sejam elogiados?


A parashah de Vayeshev fala praticamente durante o capítulo todo de Gn 37 sobre o ciúmes e o ódio que os irmãos de José passaram a nutrir por ele. E é interessante quanto ciúmes e inveja fazem mal e mostram nossa personalidade e caráter.
Ao observar o teto de Gn 37:2-4 temos alguns detalhes interessantes:
- José trazia más notícias de seus irmãos ao seu pai Jacó.
Isso não fez com que seus irmãos o odiassem, ou tivessem ciúmes dele. É evidente que ninguém fica feliz quando outros expoem suas características negativas. Os irmãos de José não ficavam felizes, mas isso não abalava sua relação de irmãos.
- Israel amava mais a José do que os demais filhos.
Jacó não tinha José por seu filho favorito pelo fato de este estar sempre do lado dele, ou contar o que os irmãos faziam de errado, ou mesmo porque José era o filho "certinho". José era mais amado por ser o filho da velhice.
Era assim e o é até hoje; o caçula normalmente é o filho mais "bajulado, protegido" e eventualmente "mais amado". Isso também não fez com que os irmãos odiassem a José, mesmo porque ele era o mais amado desde que nasceu, e ele já tinha 17 anos. Não há uma citação de que José fosse odiado pelos irmãos até essa idade.
- Jacó deu uma túnica colorida para José...
Aí sim, surge o ódio dos irmãos pelo caçula. Aí surge o ciúmes. Tanto que, quando José foi alvo do ódio e acabou sendo jogado no poço, a primeira coisa que os irmãos fizeram com ele foi tirar sua bela túnica.
 
A questão não é ser mais ou menos amado, é aceitar que outro seja elogiado, outro receba o mérito, outro ganhe presentes. Isso é o que expoe nosso caráter.
 
Qual o erro de Jacó? Não sei dizer ao certo, mas o problema é o fato de que não há nenhum relato de ele presentear qualquer dos outros dez irmãos que assim como José, trabalhavam, apascentavam o rebanho, e cuidavam do que era do amado pai. Julgo que todos os filhos tinham alguma característica boa, não é possivel que você tenha só filhos ruins e um único que "o máximo".
Se vale um conselho, sugiro que todos sejamos capazes de encontrar e elogiar características positivas em todos os filhos, genros, netos, funcionários, companheiros de trabalho, etc... mas se não o formos, que sejamos capazes de elogiar "os favoritos" em particular; isso evitaria conflitos como o de José e seus irmãos.
 
Mas e o erro dos irmãos, qual foi? A falha deles está no fato de não aceitar que outro ganhasse presente, que fosse "reconhecido" publicamente. Na verdade, a mais absoluta maioria de nós tem essa característica negativa; a diferença é que conseguimos a ocultar, até que.... até que outro seja reconhecido.
 
Já passei por isso algumas vezes recentemente; sem citar nomes (pra não suscitar mais ira) elogiei algumas pessoas que nos visitavam na kehilah, em público. Foi o que bastou pra suscitar o ódio de alguns, que assim como os irmãos de José, agiram boicotando o trabalho, sugerindo que não fossem mais à kehilah, porque o rosh não reconhecia a eles.
Depois de meses, senti no coração de elogiar publicamente no meu blog uma pessoa, por seus méritos; pronto! Foi o que bastou para novamente ser alvo de críticas.
Claro, não sou estúpido de dizer que eu também não sinto ciúmes. Todos sentimos! Mas agir dessa maneira é um erro. Que tal trocarmos o ciúme pelo orgulho? Pirkê avot 4:15 fala: “que a honra do teu discípulo seja tão querida para ti como a tua própria honra.”
 
Vamos ver um outro exemplo bíblico: Saul e Davi.
1 Sm 16 traz o relato de quando Saul era atormentado por um espírito ruim. Então lhe foi sugerido que alguém tocasse uma boa música para ele se acalmar. E chegaram a Davi, de quem foi dito: “sabe tocar, é forte e valente, homem de guerra, de poucas palavras e de boa aparência.” (1 Sm 16:18)
Depois de Davi tocar ao rei, e tendo-lhe acalmado, a biblia diz que o rei o amou, e então Saul mandou dizer a Jessé: “deixa seu filho perante mim, pois achou graça aos meus olhos.” (1 Sm 16:21,22)
 
Davi era um bom servo, amado pelo rei, mas... tudo começou a mudar, e quando mudou?
1 Sm 18:7 - as mulheres cantavam e diziam umas às outras: Saul feriu os seus milhares, porém, Davi, os seus dez milhares.”
Pronto! Acabou a alegria! Davi passou de amado a odiado rapidinho.
1 Sm 18:8,9 - Saul se indignou muito, e aquela palavra pareceu mal aos seus olhos; e disse: Dez milhares deram a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão só o reino? Daquele dia em diante passou a olhar a Davi com maus olhos.
 
Devemos observar as pessoas: cuidado com aquelas que só querem ser elogiadas, porque no dia em que outro for elogiado, ela revela seu lado mau.
 
Cabe ressaltar em ambos os relatos, tanto de José quanto de Davi, que eles nada fizeram para atrair o ódio das pessoas. Ambos continuaram amando e respeitando, tanto que, quando José teve a oportunidade de se vingar de seus irmãos, ele os tratou bem, os acolheu, e Davi, quando teve a oportunidade de matar o rei Saul, mesmo incentivado por seus soldados, ele não ousou se levantar contra o rei, e apenas ao cortar a orla do manto de Saul, Davi já sentiu doer-lhe o coração, mas também com essa atitude conteve os seus homens de fazer o mal.
 
Sempre fui adepto de elogiar, de reconhecer o mérito das pessoas, como um incentivo para que continuem a crescer, mas hoje entendo que devemos tomar maior cuidado a fazê-lo, de preferência sozinho, em particular.
Que tenhamos o mérito de saber reconhecer que sim, todos os outros (e você também) possuem virtudes dignas de serem elogiadas e reconhecidas. Se ninguém te reconhece, isso não é problema, pois o Eterno nos vê, e Ele sabe ver nossos méritos. Que nossos méritos venha dEle e não de homens!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nutrir bons ou mal sentimentos? você escolhe!



Essa parashah de Vayeshev (Gn 37:1 a Gn 40:23) fala da preferência de Yaakov por seu filho Yosef, que acabava causando ciúmes e inveja nos demais irmãos. (Gn 38:3,4)
A inveja, o ciúmes e o ódio (que os irmãos nutriam por Yosef) são sentimentos que só atraem coisas negativas.
O Talmude fala: “Uma boa obra tem sempre como consequência outra boa obra. Um pecado tem sempre como consequência outro pecado. A recompensa duma boa obra está na própria boa obra realizada. A consequência dum pecado é sempre outro pecado” (Pirkei Avot 4:2)

Vamos ver isso na prática nessa parashah:
- Os irmão de José o odiaram, e isso trouxe como consequência outra coisa: a inveja (Gn 37:11)
- Ao cumprir o mandado de seu pai, José foi ver o que os irmãos estavam fazendo. Veja a idéia deles: “E viram-no de longe e, antes que chegasse a eles, conspiraram contra ele, para o matarem.” (Gn 37:18)

Quem tem ódio de outros, normalmente é por inveja, e isso faz a pessoa desejar que o outro morra. Mas o que vem depois? outro pecado, claro!
“Vinde, pois, agora, e matemo-lo, e lancemo-lo numa destas covas, e diremos: Uma besta-fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos.” (Gn 37:20)
É, já planejaram uma mentira (para o próprio pai). Como um pecado atrai outro...
“Então, Judá disse aos seus irmãos: Que proveito haverá em que matemos a nosso irmão e escondamos a sua morte? Vinde, e vendamo-lo a estes ismaelitas;” (Gn 37:26,27).
Além de odiar, matar, mentir, podemos ter lucro... e o venderam por 20 moedas.

Com tudo isso, eles acabaram fazendo seu pai sofrer por muitos anos (Gn 37:34) Não vale a pena o mal.

Agora, José, vendido como escravo aos midianitas, foi revendidos a Potifar no Egito. Trabalhava com zelo pelo seu senhor, e HaShem o abençoava em tudo.
“Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha. E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do SENHOR foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo.” (Gn 39:3-5)
Mesmo quando José teve a oportunidade de fazer o mal, ainda que Potifar nunca soubesse, ele disse: “...como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?” (Gn 39:9)

Esse é um belo exemplo de uma pessoa consciente, que sabe o que deve fazer, que nutre sentimentos positivos com relação às pessoas. Quem age assim, agrada ao Senhor. Sobre isso o Talmude afirma: “todo aquele que agrada à humanidade, agrada ao Criador, e todo aquele que não agrada à humanidade, não agrada ao Criador.” (Pirkei Avot 3:13)

Certamente, as atitudes ruins dos filhos de Jacó não foram do agrado do Criador, e pelo contrário, as atitudes de José, agradaram a HaShem, e este o fez prosperar no Egito. Seja para onde quer que José fosse, ele prosperaria, mas seus irmãos, com ódio, inveja e sentimentos ruins, não agradaram ao Criador, e no fim, foram cair nas mãos de José, no Egito. Claro, mais uma vez o irmão mais novo deu o exemplo, sem rancor e manteve à todos os irmãos (que lhe fizeram o mal) e suas famílias durante muitos anos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ódio, eita sentimento ruinzinho

Na parasha Vayeshev (Gn 37:1 a 40:23) começamos a observar a trajetório de Yosef, o filho amado de Israel. E aí, em meio a doze irmãos, surge o ódio por ele. É interessante observar que o ódio é um sentimento ruim, todo mundo sabe, mas ainda assim se deixam tomar conta por esse câncer. Estranho né? Estranho é não se cuidar com relação a isso.
Gn 37:4 diz: “Vendo os irmãos que seu pai o amava mais do que a todos os seus irmãos, odiaram-no e já não podiam falar com ele pacificamente.”
O ódio impede que possamos ver qualquer atitude positiva, qualquer sentimento positivo. Tudo que a pessoa faz de bom, ela é vista como hipócrita, bajulador. Se faz algo (teoricamente negativo) ela é mau-caráter, e por isso a odiamos, etc...
Em Provérbios 10 lemos que o ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.
Não quero falar muito, esse assunto é auto-explicativo. Basta você olhar pra si mesmo e ver que se já odiou ou odeia alguém, esse sentimento só te faz mal, te faz sentir mal, te deixa doente, te prejudica... suas vitórias já não tem graça, só o que importa é a derrota do outro.
Os próprios irmãos não podiam mais falar em paz com José. Você é capaz de falar em paz com as pessoas? Todas as pessoas? Se for, parabéns! Se não for, lamento que você tenha prazer em sentir dor... porque já diziam os sábios: ter ódio, inveja por alguém é como tomar veneno e esperar que o outro morra.